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Entrevista:
Terry Moore
Por:
Katchiannya

Estranhos
no Paraíso ou Strangers in Paradise no original,
ou ainda SiP como é carinhosamente chamada por seus
fãs, é uma série de quadrinhos alternativos
criada por Terry Moore (foto ao lado), e publicada
pela primeira vez em 1993, pela Antartic Press. Depois do relativo
sucesso dessa série original, Terry Moore criou sua própria
editora, a Abstract Studio, que publica a série até
hoje.
Em
linha gerais, SiP conta a história de três
jovens, Katina Choovanski (Katchoo), Francine Peters e David Qin,
que vivem juntos na cidade de Houston. O tema básico da série
é o relacionamento entre as três personagens, seu cotidiano
e seus problemas emocionais e amorosos. Mas a série não
se resume só a isso, existe também um enredo policial
de fundo, devido a ligação passada de Katchoo e David
com o crime organizado. Além disso, temas polêmicos
como prostituição, lesbianismo, AIDS e incesto desfilam
por suas páginas, mas de uma forma sensível e séria,
sem ser em momento algum apelativa.
Estranhos
no Paraíso já foi publicada aqui através
da Editora Abril (minissérie em três partes), pela
Via Lettera (em forma de álbuns encadernados) e atualmente
é publicada pela Pandora Books (primeiro em álbuns
e agora como série mensal).
Além
de escrever e desenhar Estranhos no Paraíso, Moore
trabalhou como roteirista e/ou desenhista de algumas outras séries
como Lady Supreme (Image Comics), Ultimate Team Up
#14 (para a Marvel, em uma história estrelada pelo Aranha
e a Viúva Negra, publicada aqui na Marvel Millennium
#11), Tara & Willow (minissérie derivada
da série Buffy- A Caça Vampiros em quadrinhos)
e a edição DC First que abordava o primeiro
encontro entre a Batgirl e o Coringa.
Abrindo
um parêntesis, para mim, em especial, foi emocionante entrevistar
Terry Moore, primeiro porque sou fã da série e segundo
porque SiP foi uma das primeiras séries em quadrinhos
adultas com que tive contato. Antes de ler SiP, praticamente
lia apenas quadrinhos de super-herói (que ainda leio e adoro).
Depois de lê-la, todo um leque de outros tipos de histórias
instigantes e maravilhosas se abriu diante de mim. Sem SiP
não teria lido Preacher ou Sandman ou Estrada
para Perdição ou Bone ou Maus
ou Love & Rockets, só para citar alguns excelentes
exemplos. Mas, chega de lenga lenga e vamos para a entrevista com
o simpático Terry Moore:
Katchiannya:
Como surgiu a idéia para uma série como Estranhos
no Paraíso (SiP)?
Terry Moore: Eu acho que (Estranhos no Paraíso)
é apenas uma mistura de todas as coisas que eu gosto e não
gosto na vida. Tudo, desde quadrinhos, passando pela literatura,
e cultura pop. Definitivamente estava procurando por alguma coisa
como SiP para ler e não consegui encontrar, então
comecei a escrever (SiP) para meu próprio entretenimento.
Depois
de 10 anos de publicação, como você avalia seu
trabalho na série? Olhando para trás, hoje em dia,
existe algo que você faria diferente?
Uma visão posterior oferece uma poderosa perspectiva, algo
que você não tem quando está no meio daquilo
tudo. Eu tento não me torturar sobre os erros do passado.
Mas, aprendi um bocado nestes últimos dez anos. Tenho esperança
de que possa aplicar o que aprendi no futuro.
Como
foi a experiência de fazer uma revista em quadrinhos de super-herói?
Divertida, porém frustrante. Não tive tempo para fazer
o que realmente queria. Especialmente no Homem-Aranha.
Eu realmente amaria desenhar e arte-finalizar uma edição
desse título dando a minha total atenção a
ele, pois essa era uma revista que eu lia quando criança
e realmente gostava. Foi a última HQ que eu larguei na adolescência
quando parei de ler quadrinhos. Então, terminar fazendo uma
edição (do Homem-Aranha) anos depois foi
importante para mim, mas não tive tempo de fazer isso direito.
Eu adoraria uma outra tentativa algum dia.
Você
foi convidado a assumir os roteiros de Birds of Prey (série
estrelada pelas heroínas Canário Negro e Oráculo,
ocasionalmente publicada nas revistas do Batman por aqui,
atualmente escrita por Gilbert Hernandez, de Love & Rockets
e desenhada pelo brasileiro Ed Benes), mas desistiu. Porque mudou
de idéia?
Novamente eu percebi que não consigo ficar centrado
em duas coisas simultaneamente. Enquanto estiver fazendo SiP,
não posso fazer outras séries. Eu adoro Birds
of Prey, e realmente adoraria pensar sobre suas personagens
e seu mundo, mas eu trabalho melhor quando estou completamente concentrado
em alguma coisa. É preciso abrir mão de algo quando
você tem muita coisa em seu prato. Optei por Estranhos
no Paraíso ao invés de Birds of Prey.
Em
quase todos os seus trabalhos, as mulheres, mulheres fortes em sua
maioria, são figuras centrais (Katchoo e Francine, Tara e
Willow, Lady Supreme, Viúva Negra). É mais fácil
para você escrever sobre personagens femininas que masculinas?
Por que?
Não é que seja mais fácil, eu apenas
prefiro. Acho que nós já temos histórias demais
exaltando os homens. Não estou interessando em adicionar
mais uma a essa multidão. Gosto dos homens individualmente,
mas a humanidade como um todo é uma fera violenta e sem direção,
e eu os retrato dessa forma em minha série.
Depois
de 10 anos, o passado de David ainda é um mistério.
Você pretende contar um pouco mais sobre ele?
Sim.
Nós
podemos pensar em Katchoo e Francine como opostos. Quer dizer, Francine
é romântica e sonhadora, Katchoo é forte e independente.
Você acha que elas são, de alguma forma, modelos das
mulheres modernas? E você acha que alguém poder ser
ao mesmo tempo romântica e independente, ou nossa sociedade
impõe que as mulheres devam ser ou uma Katchoo ou uma Francine,
nunca ambas?
Eu vejo Francine e Katchoo não como exemplos de
mulheres modernas, mas como exemplos extremos de mulheres em geral,
de qualquer época. Você pode encontrar mulheres assim
em qualquer ponto da História. E, apesar de parecerem ser
pólos opostos, elas realmente dividem o mesmo tipo de emoção
e sentimentos. O que acontece é que cada pessoa enfatiza
isso de um modo diferente, do modo que funciona melhor para elas.
Sim, há românticas independentes lá fora, e
em SiP. Elas podem não ter se revelado ainda, mas
estão lá.
Você
pretende encerrar Estranhos no Paraíso algum dia?
Se pretende, você já sabe como vai terminar e já
tem um novo projeto em mente?
Sim, há um final para o atual elenco de personagens
de SiP. Ainda não cheguei lá, então
não gostaria de falar sobre isso. Mas terminar a história
dessas personagens não significa necessariamente o fim de
Estranhos no Paraíso. A vida continua, você
sabe. As pessoas têm filhos. Os filhos crescem e se tornam
pessoas interessantes por si próprias. O fim de Adão
e Eva não foi o fim da História.
Uma
coisa que realmente impressiona em seu trabalho é seu realismo.
A vida real, pessoas que conhece e situações que vive
e observa, influenciam no seu modo de escrever suas histórias?
Sim, é claro. É assim que funciona. Você
sai, experimenta a vida, e então, senta para fazer uma história,
percebendo como tudo isso se reflete em você.
Estranhos
no Paraíso é publicada em diversos países.
O que você acha que há de tão especial na série
para que ela faça tanto sucesso em culturas tão diferentes
entre si?
Acho que é porque estou escrevendo sobre algo que
todos temos em comum, nossos sentimentos e emoções
pessoais. Nós temos a mesma estrutura biológica e
as mesmas experiências básicas de amor e amizade. Quando
você trabalha nesse nível, você está escrevendo
algo com que as pessoas de qualquer lugar podem se relacionar.
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Estranhos
no Paraíso
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