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Walt
Disney Treasures: Tomorrowland
(EUA, 2003)
Por: Mabuse
A coleção
WALT DISNEY TREASURES foi criada pelo crítico
Leonard Maltin e por Roy Disney, sobrinho de Walt
e ex-membro da diretoria do estúdio, com o intuito de oferecer
aos entusiastas de animação materiais raros e/ou polêmicos,
sem qualquer tipo de adaptação ou censura. Os títulos
saem em tiragens limitadíssimas com dois dvds. Em maio de
2004 foi lançada a terceira fase da série, que incluiu
The Chronological Donald, Mickey Mouse in Living Color
Part II, On The Front Lines, e TOMORROWLAND:
DISNEY IN SPACE AND BEYOND.
O DVD
duplo de TOMORROWLAND: DISNEY IN SPACE AND BEYOND (A Terra do
Amanhã: Disney no Espaço e Além) reúne
o material produzido pelos estúdios Disney nas décadas
de 50 e 60 com temática científica e futurológica.
O próprio Walt Disney era um futurista.
Em seu fascínio pelos avanços da ciência, Disney
dedicou ao futuro uma área de seu primeiro parque temático,
batizando-a Tomorrowland. E esse também foi o título
do segmento mensal que o programa Disneylândia dedicava
a documentários científicos.
O primeiro
DVD de TOMORROWLAND apresenta uma série de três documentários
sobre o futuro da exploração espacial exibidos entre
1955 e 1958 em Disneylândia. Para disfarçar sua natureza
didática, os programas utilizaram uma enorme variedade de
recursos audiovisuais, variando do desenho animado (quase sempre
num estilo de traços modernos e estilizados, semelhantes
aos dos desenhos da UPA, produtora do Mister Magoo) até
filmes jornalísticos, encenações com atores,
gráficos animados e ilustrações estáticas.
Os programas foram produzidos e apresentados pelo animador Ward
Kimball, e contaram com a consultoria de vários
cientistas, entre eles o Dr. Werner Von Braun,
um dos principais responsáveis pelo avanço do programa
espacial norte-americano.
Man
in Space (O Homem no Espaço) aborda
o sonho da exploração espacial. O programa abre com
um relato histórico dos foguetes, começando com seu
uso militar na China antiga, e uma descrição dos princípios
físicos que norteiam a Astronáutica. Em seguida, o
Dr. Heins Haber, um dos pioneiros da medicina espacial,
apresenta um desenho muito divertido, no qual vemos como o corpo
humano se comporta quando submetido à imponderabilidade e
ao vácuo. Finalmente, Von Braun mostra o modelo de um foguete
tripulado projetado por ele: um sistema de quatro estágios
no qual o último é um planador que pode reentrar na
atmosfera e aterrissar como um avião... ou seja, um ônibus
espacial, sistema que a NASA rejeitaria em prol das cápsulas
espaciais, e que só acabaria implementando em meados dos
anos 80. O último segmento do programa é uma animação
com cerca de dez minutos, narrada por Dick Tufeld
(que mais tarde seria a voz original do robô de Perdidos
no Espaço). Num estilo que lembra os curtas de Superman
realizados por Dave Fleisher nos anos quarenta (os traços
dos personagens), e a série Jonny Quest (o detalhismo
do maquinário), o desenho retrata de forma realista todas
as fases de um lançamento espacial.
Man
and The Moon (O Homem e a Lua) enfoca o fascínio
do ser humano pela lua. O programa começa com uma série
de desenhos curtos sobre as mitologias e superstições
associadas à lua, bem como o efeito romântico que nosso
satélite exerce sobre os amantes. É particularmente
digno de nota um desenho que parodia as canções românticas
sobre a lua. Em seguida o programa fala sobre as primeiras histórias
de viagens à lua: o Somninum, de Johannes Kepler;
um conto de Cyrano de Bergerac; o romance Da Terra à
Lua de Júlio Verne. Em seguida, Von Braun explica, com
o auxílio de uma série de desenhos estáticos,
o processo de construção de uma base orbital. O último
segmento do programa talvez seja o momento mais impressionante de
TOMORROWLAND: um curta-metragem de quinze minutos com valores de
produção superiores à maioria dos filmes de
ficção científica de Hollywood dessa época.
Superior até mesmo a Destino Lua, que ganhou o Oscar
de melhores efeitos especiais de 1950, esta antecipação
da primeira viagem tripulada à Lua certamente é a
melhor representação de um vôo espacial realizada
antes de 2001: Uma Odisséia no Espaço. Na
verdade, vários elementos dessa seqüência parecem
ter inspirado o diretor Stanley Kubrick: a base espacial em forma
de roda, a caneta que flutua na cabine da espaçonave, a cápsula
dotada de braços robóticos.
O terceiro
Disneylândia foi exibido originalmente em 1958, e
é intitulado Mars and Beyond (Marte
e Além). Este foi o episódio mais caro da trilogia,
provavelmente por ser quase todo animado. Os animadores da Disney
dão um show de criatividade neste programa, que começa
com uma apresentação dos alienígenas mais bizarros
inventados pela imaginação humana. Outro momento divertido
é um desenho que parodia as histórias de ficção
científica daquela época: a bela e inocente secretária
de um cientista é abduzida por um ditador marciano, e submetida
às experiências mais escabrosas. Em tempo: o desenho
conta com uma participação especial do Pato Donald,
integrando uma turba de monstros marcianos! Em seguida, num estilo
que lembra muito A Sagração da Primavera
de Fantasia (o episódio dos dinossauros), vemos
uma breve história da formação da Terra e do
aparecimento da vida. O programa volta a enfocar Marte, agora falando
sobre os tipos de seres vivos que os cientistas da época
acreditavam existir, ou ter existido, no planeta vermelho. O último
segmento de Mars and Beyond encerra com chave de ouro a
trilogia sobre exploração espacial. O Dr. Von Braun
explica como a energia nuclear pode ser usada para propelir espaçonaves
ao planeta Marte. Em desenho animado, vemos um comboio de espaçonaves
circulares partir de órbita da Terra e cruzar o espaço
durante vários meses, até alcançar o planeta
Marte. O programa encerra com a mensagem que a colonização
de Marte será apenas um primeiro passo para a conquista do
universo.
E tudo
isso, apenas no primeiro dvd! O segundo disco de TOMORROWLAND contém
dois médias metragens e mais um episódio de Disneylândia.
Eyes in the Sky (Olhos no Céu)
aborda o papel que os satélites orbitais irão desempenhar
na previsão do tempo. Se isso parece óbvio, convém
lembrar que o primeiro satélite artificial, o Sputnik, foi
lançado pelos russos em 1957, e primeiro satélite
americano, o Explorer 1, entrou em órbita em 1958, um ano
antes de Eyes in the Sky chegar aos cinemas. Este média
metragem de vinte e cinco minutos começa com um desenho animado
que narra como o clima influencia nossa civilização,
e até o humor e saúde de cada indivíduo. Mas
o melhor segmento de Eyes in the Sky é o último,
uma encenação com atores que antecipa como os satélites
orbitais serão usados não apenas para prever o tempo,
mas também controlar o clima. Contendo algumas previsões
que ainda não foram concretizadas, como um ataque de alta
tecnologia contra um furacão, o segmento pode ser visto como
um filminho de ficção científica divertido,
com efeitos especiais e situações que talvez lembrem
ao espectador a série inglesa Thunderbirds.
Exibido
em Disneylândia em 1958, Our Friend,
The Atom (Nosso Amigo o Átomo), é
um libelo em defesa do uso pacífico da energia atômica.
O programa começa contando uma história das Mil
e Uma Noites, na qual um pescador encontra uma lâmpada
mágica, da qual libera um gênio. O gênio acorda
tão mau-humorado que ameaça matar seu libertador.
O pescador usa um truque e torna a aprisionar o gênio, e aceita
libertá-lo apenas se ele prometer se comportar e lhe conceder
três pedidos. O programa usa essa fábula como analogia
para a energia atômica. Liberada descontroladamente, ela é
altamente prejudicial, uma arma de guerra, mas sob controle pode
concretizar os maiores desejos da humanidade. Como comenta Leonard
Maltin em sua introdução, só um futurista como
Walt Disney poderia ter realizado um programa tão otimista
sobre a energia atômica.
Para
os admiradores de Walt Disney, Epcot talvez
seja a apresentação mais emocionante deste TREASURES.
Nunca apresentado antes ao grande público, Epcot
é um média metragem promocional, destinado às
autoridades da Flórida, em que o próprio Walt Disney
explica os planos para seu segundo parque temático, Disneyworld.
Mas Disney deixa claro que a Disneyworld que ele imagina não
é apenas uma reprodução da Disneyland californiana,
inaugurada em 1955. O que Walt realmente considera importante é
a construção de uma cidade modelo, uma previsão
viva de uma comunidade do amanhã, que ele batizou de EPCOT,
ou Experimental Prototype City of Tomorrow (Cidade Experimental
Prototípica do Futuro). Infelizmente, Disney morreu em dezembro
de 1966, apenas dois meses depois de filmar este média. A
Disneyworld, rebatizada Walt Disney World, foi inaugurada em 1971,
e o EPCOT Center em 1982. Embora por mais fascinante que o EPCOT
Center seja, ele é um parque de diversões educativo,
e não a cidade modelo, com uma comunidade fixa e auto-suficiente,
idealizada por Walt.
Todos
os episódios televisivos, curtas e médias-metragens
apresentados em TOMORROWLAND: DISNEY IN SPACE AND BEYOND são
coloridos. Embora transmitidos em preto-e-branco (são anteriores
à implantação do NTSC nos Estados Unidos),
os episódios de Disneylândia foram produzidos originalmente
em cores. Apenas as aberturas e encerramentos do programa Disneylândia
estão em preto-e-branco. O trabalho de restauração
desse material é notável. As cores são vivas,
a granulação é baixa e as falhas de negativo
mínimas. O som, em mono, é nítido e sem chiados.
A todo o material já descrito ainda se somam alguns extras,
entre eles uma interessantíssima entrevista com o escritor
de ficção científica Ray Bradbury
a respeito de Walt Disney. Como se não bastasse, o segundo
DVD possui um “ovo de páscoa” escondido: um filminho
em que Walt Disney e os compositores Robert e Richard
Sherman interpretam uma canção composta especialmente
para o pavilhão “Progressland” da General Eletric
na Feira Mundial de Nova York de 1964. O nome da música,
muito apropriadamente, é “There’s a Great Big
Beautiful Tomorrow”, em tradução livre, “o
amanhã é belo e grandioso”.
Cada
episódio de Disneylândia tem cerca de cinqüenta
minutos de duração, e Eyes in the Sky vinte
e cinco minutos; com os extras, o DVD inteiro soma aproximadamente
quatro horas de conteúdo. Todo o material (inclusive os extras
e o “ovo de páscoa”) está com som original
em inglês e legendas em inglês (para deficientes auditivos)
Os menus animados são discretos e elegantes, e podem ser
pulados com o auxílio do controle remoto, o que é
uma bênção num dvd que certamente será
assistido muitas vezes.
Lançado
numa tiragem de apenas cento e cinqüenta mil exemplares, o
DVD TOMORROWLAND: DISNEY IN SPACE AND BEYOND esgotou nos Estados
Unidos em menos de três semanas. Agora que a série
WALT DISNEY TREASURES está sendo lançada aqui, resta
aos admiradores de documentários científicos e animação
torcer que TOMORROWLAND também tenha uma edição
brasileira.
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Idioma:
Inglês 1.0
Legendas:
Inglês
Formato
de Tela: Full Frame 1.33:1
Ficção
/ Documentário / Animação
Área 1 - 4h
Warner
Filme:
   
DVD:     
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