Smallville: 1ª Temporada
(Smallville: Complete First Season, EUA, 2001)



Comentários: Quem me conhece... bem, até quem não me conhece sabe que eu sou fã incondicional do Superman. Para mim, ele é o maior de todos os heróis porque todos os outros têm motivos pessoais para serem heróis. Batman? Pais assassinados. Homem-Aranha? Tïo assassinado. Capitão América? Lutar contra os nazistas na Segunda Guerra. Superman? Hum... Superman... Superman... quais os motivos dele ter se tornado um herói? Nenhum! Ele é o que é porque os pais dele o ensinaram que se ele tem todos aqueles poderes, ele deve usá-los para ajudar os outros e não por motivos egoístas. Tudo bem, alguns outros heróis também têm razões altruístas e nem estou querendo desmerecer os outros. Mas Superman é Superman, e não é à toa. Por isso, é com enorme pesar que eu digo que Smallville é uma série medíocre. Pelo menos a primeira temporada.

O grande problema com esta série é que ela não explora o personagem Superman mas cria um adolescente inseguro e chato, um Dawson Leery com superpoderes. Smallville já começa e Clark já tem superforça, velocidade e invulnerabilidade. O único novo poder apresentado nessa primeira temporada é a visão de raio-x. Mesmo assim ele aprende a usá-la ao decorrer de um episódio.

O que Smallville deveria ter feito é transformado a primeira meia-hora do Superman. O Filme, de 1978, em uma série. Mostrar o lado divertido de ser um Superman. A descoberta de cada poder de uma forma mais bem desenvolvida, sobre como esses poderes afetam a vida dos Kents e das pessoas ao redor deles. Ao invés disso, eles fazem sempre um episódio "Freak of the Week", onde alguém ganha poderes e usa-os para o mal e Clark tem que vencê-los. E isso cansa. Principalmente porque os pais de Clark estão sempre dizendo como ele não deve usar seus poderes pois se o mundo descobrir eles vão levá-lo embora mas toda vez que há um problema é sempre "Você tem que ajudá-los, Clark". Para piorar, o que tem de psicopata por aí que sabe do segredo de Clark não é brincadeira. As concessões que a série faz simplesmente estrapolam qualquer limite (e olha que eu não sou um cara minucioso para esse tipo de coisa), mas depois de se envolver em tudo quanto é tipo de crime e catástrofe de Smallville, ninguém nem desconfia que ele pode ter superpoderes. A não ser, claro, Lex Luthor.

Por falar nele, sinceramente... os produtores vão ter que arrumar algum motivo gigantesco para arruinar a amizade entre Clark e Lex. Porque a cada episódio os dois ficam mais unidos! Como é que eles se tornarão inimigos mortais um dia desse jeito?

Outro problema é o elenco. Putz, como tem atores ruins nessa série. Tom Welling é completamente inexpressivo. Fisicamente bem escolhido para o papel, claro. Apesar de não ter nenhuma semelhança com Christopher Reeve, ele ainda até que engana como um Superman. Mas ator? Não, nem de perto. Se eu tivesse super-força, visão de raio-X, invulnerabilidade e fosse extremamente veloz, acredite, eu (e qualquer outra pessoa) ficaria muito mais espantado do que ele. Ou pelo menos mais feliz! Sam Jones III, que faz Pete Ross, é péssimo. PÉSSIMO! Não sei por que os produtores resolveram aumentar o papel dele na segunda temporada. Cronologicamente falando, seria muito melhor se Eric Johnson (Whitney Fordman) fosse Pete, mas como americano tem que ser sempre politicamente correto...

Os melhorzinhos são mesmo Michael Rosenbaum (Lex Luthor), Annette O'Toole (que fez Lana Lang em Superman III e agora é Martha Kent) e John Schneider (que fazia a série Os Gatões e agora é Jonathan Kent). Kristin Kreuk (Lana Lang) e Allison Mack (Chloe Sullivan) têm só que ser simpáticas e donzelas em perigo e isso fazem direitinho.

Claro, os episódios que não são sobre o "Freak of the Week" (uns dois ou três) são até divertidos. Mas os que são sempre arrumam uma resolução qualquer. E é o tempo todo o quadrilátero amoroso: Chloe que ama Clark que ama Lana que ama Whitney. E vinte e tantos episódios disso cansam.

Mas algumas coisas salvam. A trilha de Mark Snow, mais conhecido pelo tema de Arquivo X, de vez em quando usa trechos de John Williams. Os efeitos especiais, para uma série de TV, são bem decentes. E em poucos episódios a série até dá um passo a frente, mas isso é bem mais para o fim da temporada.

A primeira temporada de Smallville é medíocre. Mais pro fim ela vai melhorando e até chega a ser promissora, dando origem à uma boa segunda temporada, que acabou caindo numa mesmice de explorar a origem kryptoniana de Clark. Mas discutiremos isso quando ela sair em DVD.

DVD: Quanta diferença! Colocando apenas quatro episódios em cada disco e fazendo o set com seis DVDs, Smallville tem uma qualidade de imagem e som que eu ainda preciso ver em outras séries. Aquele aspecto granulado que impera em Friends ou Dawson's Creek sumiu. A separação de cores é excelente e elas não se mesclam no fundo, o que dá aquele aspecto feio e sujo. O som também é bom. Poderia ser melhor mas não é ruim. Para uma série de TV está ótimo.

Além disso, alguns extras legais. Comentários dos criadores Alfred Gough e Miles Millar e do diretor David Nutter (sem legendas) e cenas excluídas (por volta de sete minutos, também com opção de comentários de Gough e Millars) nos dois primeiros episódios. Só que como isso veio reciclado daquele primeiro DVD de Smallville, não conta muito. Além disso, temos um Tour Virtual por Smallville, com as locações comentadas por Gough e Millar, comparações de storyboards e spots de TV.

     

Direção:
David Nutter, Steve Miner, Rick Rosenthal, Paul Shapiro, David Carson, Greg Beeman e outros

Criadores:
Alfred Gough e Miles Millar

Com:
Tom Welling, Kristin Kreuk, Michael Rosenbaum, Sam Jones III, Allison Mack, Eric Johnson, Annette O'Toole, John Schneider, John Glover

Idiomas: Inglês 2.0, Francês 2.0

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Formato de Tela: Widescreen Anamórfico 1.78:1

Seriado / Ficção / Drama / Aventura
Área 4 - 15h22min
Warner

Filme:


DVD: