Ring: O Chamado
(Ringu, Japão, 1998)

O Chamado
(The Ring, EUA, 2002)

Senhoras e senhores, boa noite! No canto esquerdo do ringue (piada não proposital) temos o original, o japonês, Ringu! No canto direito o desafiante, o remake, o americano The Ring! Quem será o campeão desta incrível batalha?

Sinopse: A história de ambos é a mesma: após assistir uma estranha fita, o telefone toca. A partir daí, você tem apenas sete dias de vida. Uma jornalista tenta desvendar quatro mortes misteriosas, incluindo a de uma sobrinha, que parecem estar relacionadas a tal fita de vídeo amaldiçoada. A partir daí, o americano toma umas liberdades (desnecessárias por sinal) mas os filmes em si são quase iguais, principalmente a narrativa. O prólogo e o epílogo são igualzinhos. O Kas detestou os minutos finais de O Chamado então vai acabar detestando os de Ringu também.

Comentários: Minha mãe sempre dizia que "não é o que você diz, mas como você diz". Tudo bem, isso não é novidade nenhuma, mas se aplica bem ao cinema. Não é a história que você conta, mas como se conta a história. É isso que caras como Brian DePalma e David Lynch fazem. Eles não estão nem aí se é uma historinha com início, meio e fim. Cara, eu sei que eu já enchi o saco de muita gente com isso mas gente, façam um favor a vocês mesmos e assistam Femme Fatale. Eu sei que saiu em DVD só em tela cheia e isso acabou com a raça do filme mas mesmo assim vale!

Uma das coisas que marca o cinema americano em geral é essa obsessão pela historinha. Como o público do cinema americano quer sempre uma historinha amarradinha, certinha, com começo, meio e fim para não ter que se pensar, normalmente os cineastas entregam isso. Afinal, filme bom é aquele que dá dinheiro, certo? Errado! Mas é assim que os produtores dos grandes estúdios pensam. E assim, temos que agüentar mais Harry Potter do Chris Columbus (e que venha Alfonso Cuarón!), As Panteras Detonando e Tomb Raider 2 (que eu ainda nem vi mas eu odiei tanto o primeiro que só a menção do segundo já me dá calafrios).

Mas vamos voltar ao assunto. Fiz uma sessão dupla e assisti ao Ring - O Chamado (Ringu) original de Hideo Nakata e ao remake O Chamado (The Ring), de Gore Verbinski.

Lembra quando eu reclamei da falta de exposição em Dois Perdidos Em Uma Noite Suja? Bom, eu sei que eu vou meio que me contrariar mas de vez em quando, menos é mais. Todos os dois filmes são muito bons mas os pecados de um são a salvação do outro. Enquanto Ringu peca com a falta de explicações, O Chamado dá explicações de sobra. Isso é muito próprio dos americanos, a necessidade de ter tudo explicadinho. Ao ver o começo dos dois filmes, a versão ianque sai na frente. Só que o americano começa a se preocupar tanto com os detalhes, inclusive visualmente, que acaba entregando demais. Aliás, Ringu chega a ser tão contido visualmente, principalmente em seus minutos finais, que acaba sendo melhor.

Claro, em O Chamado os personagens são muito mais bem desenvolvidos que em sua contraparte nipônica, mas no original existe todo um plano de fundo sobre paranormalidade que é bem interessante. Isso foi cortado da versão americana. É meio forçado, vá lá, mas acaba servindo a história muito bem. O que me atrapalha muito é que eu não entendo japonês. Inglês é fácil. Espanhol, francês ou italiano, depois de ver muitos filmes, dá para entender bem o que eles estão dizendo com a ajuda das legendas. Mas japonês? É igual russo, alemão, é tudo grego. Você tem que confiar na legenda e como já sabemos, legendagem deixa muito a desejar. É como em + Velozes + Furiosos, onde a expressão "thirty five hundred" foi traduzido como "trinta e cinco mil" quando é na verdade "três mil e quinhentos" e eu sei que isso confundiu até mesmo alguns críticos. Um erro simples, bobo, mas erros maiores podem destruir a credibilidade de um filme.

A disputa entre atores empata. Tudo bem que Nanako Matsushima, a protagonista de Ringu, é uma gata. Mas Naomi Watts é a mulher mais linda a vir da Austrália depois da Nicole Kidman. Tudo bem que Watts é na verdade da Inglaterra, mas ela foi criada na Austrália e o sotaque dela inclusive é de lá. Aliás, as duas até tem um jeito de atuar um pouco parecido em certos momentos. Um jeito de olhar meio de lado, não sei. Já os garotinhos, Ringu ganha. Rikiya Okata tem aquele jeito de menino gênio introvertido enquanto David Dorfman fica o tempo inteiro com uma cara de assustado ou tentando assustar e que me deu nos nervos. Os ex-maridos Martin Handerson contra Hiroyuki Sanada ficam no empate pois nenhum dos dois realmente se destaca.

Um ponto que O Chamado é melhor é que realmente o roteiro é mais fechado que o de Ringu, que deixa um monte de pontas soltas (que provavelmente são exploradas nas duas continuações que o filme já ganhou). A direção de Hideo Nakata é bem segura e eficiente mas bem comum. Já Gore Verbinski segue a tendência do cinemão atual, onde uma cor impera (no caso o azul). Mas é uma fotografia até interessante, principalmente porque pega os melhores ângulos de Naomi Watts. Só que o filme americano faz certas coisas que tentam ser mais criativas visualmente (na cena da solução do mistério, você vai entender o que eu digo) e acaba dando com os burros n'água. Essa cena, a do japonês ganha disparado! Mas as mortes de O Chamado são mais assustadoras, devido ao estado em que os cadáveres são deixados. E honestamente, Verbinski consegue criar uma atmosfera melhor que Nakata.

A fita de vídeo em si: a original ganha. A americana é mais abstrata mas é muito mais explícita e entrega segredos do filme muito antes deles serem colocados na história. A japonesa é bem mais misteriosa e acaba sendo mais assustadora.

Enfim, O Chamado e Ringu, são muito parecidos mas muito diferentes. Mas são proporcionalmente divertidos. No começo, eu estava dando meu voto para a refilmagem americana mas no final, meu voto fica para Ringu. Mas todos dois são um programa divertido. Só que O Chamado, por ser americano e por seguir uma estética mais moderna, acaba sendo mais fácil de assistir para o gosto geral. E tem a Naomi Watts!

DVD: Bom, o DVD de O Chamado nocauteia o de Ringu e nocauteia feio. Para começar, o americano é widescreen anamórfico enquanto o japonês é tela cheia (1 a 0).

O material extra do americano é pequeno mas é o essencial: cenas deletadas, meu preferido. O do japonês é sinopse, ficha técnica e um trailer legalzinho, mas não melhor que o de Prenda-me se for Capaz que vem em O Chamado (2 a 0).

A transferência de O Chamado é linda, sem uma manchinha e uma separação de cores incrível, enquando a de Ringu... bom, é tela cheia, ou seja, granulado, embaçado, etc (3 a 0).

O som do filme do Verbinski é ótimo, com idiomas inglês, português e espanhol, todos em 5.1. O de Nakata tem japonês 5.1, inglês e português 2.0, mas a qualidade também é boa.

     

RING: O CHAMADO

Direção:
Hideo Nakata

Com: Nanako Matsushima, Rikiya Okata, Hiroyuki Sanada, Miki Nakatani, Hitomi Satou

Idiomas: Japonês 5.1, Inglês 2.0, Português 2.0

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Formato de Tela: Standart 1.33:1

Horror
Área 4 - 1h30min
California

Filme:
DVD:

O CHAMADO

Direção:
Gore Verbinski

Com: Naomi Watts, David Dorfman, Martin Handerson, Brian Cox, Jane Alexander

Idiomas: Inglês 5.1, Espanhol 5.1, Português 5.1

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Formato de Tela: Widescreen Anamórfico 1.85:1

Horror
Área 4 - 1h55min
Universal

Filme:
DVD: