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A
Máscara do Zorro
Edição Especial
(The Mask of Zorro, EUA, 1998)
Quando
saiu nos cinemas em 98, A MÁSCARA DO ZORRO
foi louvado como um saudável anacronismo de uma era pré-digital.
Em uma época onde o cinema realmente abusou dos efeitos digitais,
ZORRO trazia acrobacias com dublês, duelos de espada, romance
e camaradagem à moda antiga.
É
verdade que o projeto demorou quase uma década para chegar
às telas. Inicialmente, Steven Spielberg
dirigiria o longa, uma atualização do clássico
A MARCA DE ZORRO com Tyrone Power, com Andy Garcia e Sean Connery
nos papéis principais. Como Spielberg continuava adiando
sucessivamente a produção, para se concentrar em outros
projetos como JURASSIC PARK e A LISTA DE SCHINDLER, outro diretor
foi escalado: a revelação Robert Rodriguez, recém-saído
dos cults EL MARIACHI e A BALADA DO PISTOLEIRO. Rodriguez convocou
a estrela latina em ascensão Antonio Banderas
para viver o personagem e sua co-estrela em A BALADA DO PISTOLEIRO
Salma Hayek como seu par romântico. Só que desavenças
com relação ao orçamento da obra (acredite
ou não, Rodriguez considerava o orçamento de US$ 40
milhões grande demais!) causou o afastamento do cineasta,
que levou consigo Hayek. Spíelberg, que continuou no projeto
como produtor (sua empresa Amblin assina a produção),
convocou então Martin Campbell, considerado
responsável pela revitalização de outra importante
franquia com 007 CONTRA GOLDENEYE. Campbell herdou não só
Banderas como também várias locações
e membros da equipe escolhidos por Rodriguez.
Na
verdade, A MÁSCARA DO ZORRO não é
exatamente uma refilmagem, funciona mais como uma espécia
de continuação do clássico de Power. O filme
começa com Zorro, ou Don Diego de La Vega (Anthony
Hopkins, se divertindo no papel) em sua última missão
antes de se aposentar de vez e passar o resto de sua vida ao lado
da esposa e da filha recém-nascida. Mas sua identidade é
descoberta pelo vilão Don Rafael Montero (Stuart
Wilson, de A MORTE E A DONZELA), que ao tentar capturar
Zorro, mata sem querer sua mulher. Consternado, De La Vega se deixa
capturar, mas vê sua filha levada pelo inimigo para ser criada
como sua na Espanha.
Anos
depois, Don Rafael retorna da Espanha com um plano para comprar
a Califórnia do governo mexicano, usando ouro roubado do
próprio México. Don Diego, que amargou todos esses
anos preso, consegue escapar e conhece o jovem ladrão Alejandro
Murrieta (Banderas), e resolve treiná-lo para assumir a máscara
de Zorro e poder ter assim a sua vingança.
Campbell,
na melhor das intenções, tenta fazer o que se esperava
dele: uma aventura romântica como não se fazia mais,
que mesclasse o clima e a despretensão dos antigos seriados
e filmes do gênero com a ironia exigida pelo público
atual. Até certo ponto funcionou: o filme realmente aponta
uma volta a um estilo de filmagem que parecia abandonado, realçando
os efeitos cênicos em detrimento dos realizados num computador,
e o público comprou esse retorno ao passado. Mas ao mesmo
tempo falta à direção de Campbell a leveza
e a fantasia que caracterizava as antigas aventuras, algo que o
próprio Spielberg capturou maravilhosamente bem na série
INDIANA JONES. O trabalho de Campbell é burocrático
e sua narrativa por demais pesada, nunca deixando a história
tomar vôo e deixando o filme longo demais. As cenas de ação
são desinspiradas e não empolgam como antigamente
e o próprio visual é pouco imaginativo, e nada romântico
como o diretor parece crer em sua faixa de comentários em
áudio. O clímax então, passado numa mina, é
frustrante. A boa notícia é que Campbell iria perceber
esses problemas e contorná-los em grande parte na sequência,
o superior A LENDA DO ZORRO.
Mas
A MÁSCARA DE ZORRO tem trunfos e o principal
deles é seu elenco. Antonio Banderas traz surpreendente energia
e charme para o papel. A interpretação de Banderas
se estende a seus movimentos, ágeis e graciosos como se espera
do personagem. Catherine Zeta-Jones (descoberta
por Spielberg numa mini-série da TV inglesa sobre o Titanic,
após amargar pequenos papéis em filmes como O FANTASMA)
saiu daqui para se tornar a estrela que conhecemos hoje. E Anthony
Hopkins, a princípio um completo erro de casting como o velho
Zorro, compensa sua inadequação física com
muito charme e o talento de sempre. Wilson é um vilão
adequado e consegue injetar humanidade ao papel. O único
que se destoa é Matthew Letscher, como o
Capitão Harrison Love, que não convence ninguém
com madeixas a la Humberto Gessinger. A trilha de James
Horner é por vezes pesada e insistente, mas tem
temas marcantes o suficiente para permanecer na cabeça do
espectador.
Mas
se A MÁSCARA DO ZORRO tem um mérito,
este é o de provar que aventuras à moda antiga ainda
são charmosas e rentáveis. Stephen Sommers, Kerry
Conran e até mesmo Peter Jackson e o próprio Campbell
aproveitaram bem este resgate de um filão que ainda tem muito
a oferecer.
DVD:
Após oferecer o longa em uma edição anterior
praticamente pelada de extras, a Columbia relançou numa edição
especial com boa qualidade de imagem e som e informações
especiais de qualidade, todas legendadas em português.
Como
sempre, Campbell concede um bom comentário em áudio,
onde discute a intenção de fazer um filme genuinamente
anacrônico, os vários palpites de Steven Spielberg,
as diversas cenas excluídas, falhas na continuidade, a beleza
de Catherine e as cenas chupadas tanto de John Ford quanto de Jackie
Chan. Como não divide aqui o comentário com nenhum
outro membro da equipe, é normal que às vezes o diretor
apenas comente a ação na tela ou elogie sua equipe
e atores, mas felizmente Campbell logo retoma as informações
realmente relevantes.
Temos
também um documentário produzido pelo experiente Laurent
Bouzereau, divido em capítulos (que podem ser acessados
separadamente) e com duração total de 45 minutos.
A peça aborda vários tópicos da produção,
mas não chega a ser completamente satisfatório como
os trabalhos que Bouzereau normalmente realiza para os DVDs de Spielberg.
Duas
cenas excluídas (uma delas um final alternativo, discutido
pelo diretor em sua faixa de comentários), nenhuma particularmente
relevante. Fizeram bem em tirá-las do filme, e estas bem
que poderiam estar acompanhadas de várias outras que permaneceram
na película.
Por
fim, trailer e teaser, videoclipe da canção I
Want To Spend My Lifetime Loving You com Marc Anthony e Tina
Arena (tão brega quanto a que Horner compôs para Celine
Dion cantar em TITANIC), 12 spots de TV, Galeria de Fotos, Notas
Biográficas e um texto sobre os figurinos.
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Direção:
Martin Campbell
Com:
Antonio Banderas, Anthony Hopkins, Catherine Zeta-Jones,
Stuart Wilson, Matthew Letscher
Idiomas:
Inglês 5.1, Inglês 3.0, Português 3.0, Espanhol
3.0
Legendas:
Português, Inglês, Espanhol, Chinês, Francês,
Coreano, Tailandês
Formato
de Tela: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Aventura
Área 4 - cor - 2h17
Columbia
Filme:
  
DVD:    
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