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GABINETE
DO KAS #08

Check
list de maio
Pacto
de Justiça
Taí
um filme que não conferi no cinema, graças ao péssimo
lançamento que sofreu nas mãos da Buena Vista. PACTO
DE JUSTIÇA simplesmente não chegou a estrear
em Belo Horizonte, nem em várias outras cidades brasileiras.
O que não deixa de ser curioso, já que é o
filme mais elogiado de Kevin Costner desde JFK.
O astro, que comeu o pão que Hollywood amassou nos últimos
anos, ainda tem o que mostrar, como pôde ser observado no
subestimado Treze Dias que Abalaram o Mundo. Aqui Costner
novamente assume a direção de um western, o que nos
remete a Dança com Lobos, um filme competente mas
não excepcional. As imagens que eu vi de PACTO DE JUSTIÇA
me fazem crer ser um western digno, nos moldes de Wyatt Earp,
outro filme subestimado. O filme sai primeiro para locação.
Mickey
Mouse em Cores Vivas: Vol. 1

Às
vezes fico surpreso com o mercado nacional de DVDs. Talvez eu subestime
as distribuidoras e o próprio público, mas sinceramente
nunca esperei ver lançada por aqui a série WALT
DISNEY TREASURES, que reúne verdadeiras preciosidades
do estúdio. É uma série absolutamente indispensável
para o fã de cinema, que nos lembra que a força da
marca Disney não é só consequência de
marketing. Pode parecer estranho dizer isso hoje, exatamente quando
o estúdio passa por uma de suas maiores crises criativas,
mas a Disney já foi sinônimo do melhor que o cinema
americano já produziu. Tanto os longas clássicos quanto
os curtas e médias (reunidos nessa série) são
prova da excelência do trabalho de um gênio. O melhor
de tudo é saber que MICKEY
MOUSE EM CORES VIVAS: VOL. 1, que reúne vários
curtas animados com o personagem, produzidos entre 1935 e 1938,
é apenas o primeiro de uma série que, segundo a própria
distribuidora, continuará a partir de setembro, com os lançamentos
de Sinfônias Ingênuas, Cronologia do Donald
e Mickey Mouse em Cores Vivas Vol. 2.
MICKEY
MOUSE EM CORES VIVAS: VOL. 1 é um DVD duplo de tiragem
limitada (apenas 5.000 cópias) acondicionados em uma bela
embalagem de lata digna de colecionador. Como atrativo, temos uma
introdução feita por Leonard Maltin,
assim como um pequeno documentário apresentado pelo crítico.
Temos também uma raridade: um filmete em cores que Disney
fez para a cerimònia do Oscar de 1932, que conta com a participação
imperdível de um Fredric March animado, se transformando
no Mr. Hyde (March foi o vencedor do Oscar de melhor ator daquele
ano por sua sensacional atuação em O Médico
e o Monstro).
O melhor
de tudo é constatar que a graça da arte Disney é
eterna, como comprova o genial desenho O Jardim de Mickey,
presente nesta edição, onde o personagem é
borrifado por inseticida e tem altas alucinações.
Nos EUA, a série já está em sua terceira onda,
com maravilhas como On the Front Lines e Tomorrow Land
já lançadas, e uma nova leva prometida para o fim
do ano.
O
Enigma da Pirâmide
Quando
a Amblin foi criada, em 1984, os fãs da fantasia e da ficção
científica foram à loucura. Na segunda metade da década
de 80, a empresa de Steven Spielberg lançou
vários clássicos que logo conquistaram um lugar no
coração dos cinéfilos de todas as idades. O
curioso é que, no meio de sucessos de renda como De Volta
Para o Futuro, Gremlins, Os Goonies e Uma
Cilada Para Roger Rabbit, um título acabou falhando
nas bilheterias mas aos poucos passou a ser considerado com um dos
mais bem sucedidos longas da marca Amblin.
É
por isso que O
ENIGMA DA PIRÂMIDE, um dos DVDs mais aguardados
pelos fãs, se tornou uma decepção quando a
Paramount anunciou que finalmente lançaria o filme em uma
edição desprovida de qualquer extra. Ainda mais se
levarmos em consideração que este representou um passo
importante no advento da tecnologia digital. Quem não se
lembra da famosa sequência do cavaleiro do vitral? Poucos
sabem porém que o cavaleiro saiu direto dos computadores
da ILM, animado por um, na época desconhecido, egresso dos
estúdios Disney chamado John Lasseter. Lasseter
criou para o filme o que talvez seja o primeiro personagem digital
da história, e deu aqui um passo importante em sua carreira
fabulosa, culminando na primeira posição entre os
nomes mais poderosos da indústria do cinema neste ano, na
eleição anual da revista Premiere.
Mas
O
ENIGMA DA PIRÂMIDE é mais do que uma mera curiosidade
histórica. É também o melhor trabalho do então
roteirista Chris Columbus (autor também
dos scripts de Gremlins e Os Goonies), hoje conhecido
como diretor dos dois primeiros Harry Potter. Também
é ainda o melhor trabalho do diretor Barry Levinson,
que depois embarcou em uma carreira irregular. Mas é acima
de tudo uma ótima reimaginação do primeiro
encontro entre Sherlock Holmes e Dr. Watson, que, ao contrário
do que acontece nos livros de Arthur Conan Doyle,
ocorre no filme na adolescência de ambos. Na época,
o fato de grande parte do público jovem desconhecer os personagens
de Conan Doyle foi a justificativa encontrada pelo estúdio
para o fracasso nas bilheterias. A excelente produção,
os efeitos maravilhosos (criados pela ILM sob supervisão
do mestre Dennis Muren), a ótima trilha
sonora e os bons atores completam a receita elementar de um filme
essencial, meu caro internauta.
Freddy
vs. Jason

Outro
que deixei passar no cinema e vou conferir em DVD. Na verdade nunca
fui grande fã de Freddy Krueger, muito menos de Jason, mas
são inegavelmente personagens emblemáticos do cinema
de horror contemporâneo. A PlayArte, que lançou há
pouco os três primeiros longas de Krueger, dá sequência
ao excelente trabalho que vem fazendo nos títulos da New
Line, lançados com ótima qualidade de som e imagem.
FREDDY
VS. JASON é um DVD duplo digno dos fãs
dos personagens. Dirigido pelo chinês Ronny Yu,
responsável pelo divertidíssimo A Noiva de Chucky,
o encontro entre os dois monstros representou a maior renda obtida
por ambas as séries, e despertou de vez a cobiça satânica
dos estúdios, loucos para se apropriar da mina de ouro que
é o crossover cinematográfico. Você
já deve ter conferido no cinema o encontro entre Lobisomem,
Drácula e Frankenstein em Van
Helsing, e em breve será lançado Alien
vs. Predador. Mas enquanto isso pode ir saciando sua sede de
sangue com esse vale tudo sobrenatural que é FREDDY
VS. JASON.
Morte
Sobre o Nilo
Assassinato no Expresso Oriente
Agatha
Christie é uma das mestres do gênero whodunit,
aquelas tortuosas histórias de mistério e assassinato
com dezenas de suspeitos, cujo culpado só é revelado
no derradeiro capítulo. Curiosamente, a autora não
foi tão bem sucedida com as adaptações cinematográficas
de sua obra. Apesar das produções serem luxuosas e
os elencos estelares, os filmes não possuiam a mesma graça
encontrada no texto da escritora. Mas não quer dizer que
sejam destituídos de encanto. Tanto ASSASSINATO
NO EXPRESSO ORIENTE quanto MORTE
SOBRE O NILO, que foram lançados pela Universal,
são entretenimento de primeira para os fãs de mistério.
O primeiro é dirigido pelo grande Sidney Lumet,
que dedica vários parágrafos à produção
em seu maravilhoso livro Fazendo Filmes. Aqui temos um
elenco espetacular formado por Ingrid Bergman (vencedora
do Oscar de coadjuvante pelo filme), Lauren Bacall,
Martin Balsam, Jacqueline Bisset,
Sean Connery, John Gielgud, Jean-Pierre
Cassel, Anthony Perkins, Vanessa
Redgrave, Richard Widmark, Michael
York e Albert Finney vivendo o célebre
detetive belga Hercule Poirot.
Mas
o intérprete perfeito para Poirot é sem dúvida
o inglês Peter Ustinov, que vive o personagem
em MORTE
SOBRE O NILO. Ustinov lidera o elenco mais uma vez estelar composto
por Maggie Smith, Bette Davis,
Jane Birkin, Mia Farrow, Jon
Finch, Olivia Hussey, Angela Lansbury,
David Niven, Jack Warden, George
Kennedy, Lois Chiles e Simon MacCorkindale
(o Manimal da série de TV). A direção é
do menos ilustre John Guillermin, da infame refilmagem
de King Kong e sua inacreditável continuação,
além de Sheena, a Rainha das Selvas. Ambos os títulos
saem pela linha mais econômica da distribuidora, acompanhados
apenas pelos respectivos trailers.
Spartacus:
Edição Especial
Os
fãs dos embustes Gladiador e Tróia
têm a obrigação de conhecer esse épico
da mais genuína fornada, uma obra-prima desenvolvida pelo
astro e produtor Kirk Douglas, que despediu o primeiro
diretor contratado para escalar o então jovem Stanley
Kubrick - que o dirigiu no maravilhoso Glória
Feita de Sangue - para assumir a super-produção.
Não poderia ter escolhido melhor. Kubrick equilibra com ninguém
o espetáculo cinematográfico com subtextos de uma
inteligência pouco comum em filmes do gênero. O sucesso
de SPARTACUS
deu ao cineasta carta branca em Hollywood e desde então Kubrick
não permitiu o mesmo nível de interferência
em seus filmes por parte de ninguém que não ele mesmo.
Só por isso, este épico já teria lugar na história
do cinema. Mas SPARTACUS
é muito mais que isso. Lançado anteriormente pela
Columbia numa edição simples já fora de catálogo
que trazia o filme em letterbox não anamórfico, esta
obra-prima ganhou nos EUA o tratamento devido, com uma edição
impecável da Criterion. Felizmente, é esta mesma edição
dupla que a Universal disponibiliza agora no Brasil. Como de praxe
na distribuidora, podemos esperar todos os extras legendados, incluindo
aí os comentários em áudio.
Medéia
O Inocente
A Noite
Não
poderiam existir cineastas mais diferentes entre si que Pier
Paolo Pasolini, Luchino Visconti e Michelangelo
Antonioni, a não ser pelo fato de serem italianos
da mesma prolífica geração pós-guerra.
E de todos serem gênios do cinema. E dos três ganharem
edições de seus filmes pela mesma distribuidora, a
Versátil.

Eu
particularmente adoro a obra de Pasolini, do estranho Pocilga
ao maldito Saló: Os 120 Dias de Sodoma, do metafísico
Teorema à fantástica Trilogia da Vida composta
por Decameron, Os Contos de Canterbury e As
Mil e Uma Noites, passando pelo neo-realista Mamma Roma
e pelo belo O Evangelho Segundo São Mateus, uma
das mais bem sucedidas versões da vida de Cristo para as
telas. Os fãs da paixão de Mel Gibson deveriam conferir
o evangelho segundo Pasolini, um ateu anarquista e homossexual que
cometeu um dos filmes mais religiosos que se tem notícia.
MEDÉIA
é adaptado da mitologia grega, que daria uma excelente sessão
dupla com Jasão e o Velo de Ouro, já que
dá sequência aos fatos apresentados no obra-prima de
Harryhausen. Só que aqui vão-se as criaturas animadas
em troca de uma versão mais fidedigna das tragédias
gregas, que o diretor já tinha visitado antes em Édipo
Rei. De quebra, o filme traz Maria Callas
em seu único papel no cinema.

Já
O
INOCENTE é de outra linhagem. Enquanto Pasolini
ama o povão, Visconti, em seu último filme, mostra
como ninguém a aristocracia decadente da Itália do
século XIX. E nesse seu último filme, o faz com opulência
e luxúria. Giancarlo Giannini, numa interpretação
que surpreenderá o cinéfilo que o conheceu em Mutação
e Hannibal, faz um marido adúltero que trai sua
mulher, vivida pela exuberante Laura Antonelli,
com a sua amante Jennifer O'Neill. A visão
de Visconti finalmente ganha uma edição à altura
de seu talento visual, já que na TV o filme era massacrado
por cortes na imagem e na metragem.

Por
fim, A NOITE é um dos filmes mais famosos
daquele que ficou conhecido como o cineasta da incomunicabilidade,
Michelangelo Antonioni. Na verdade, esse é o segundo capítulo
da "trilogia da incomunicabilidade", formada por A
Aventura e O Eclipse, este último prometido
para breve. Eu simplesmente amo O Passageiro: Profissão
Repórter, que pra mim traz uma das melhores interpretações
de Jack Nicholson, além daquele travelling espetacular que
atravessa magicamente uma barra de ferro para revelar o corpo do
personagem dentro do quarto. Em A NOITE, Antonioni extrai uma performance
antológica de Marcello Mastroianni, pouco
depois deste ser alçado à condição de
astro internacional pelas mãos de Fellini em A Doce Vida.
Ele faz um escritor de sucesso, circundado pelas não menos
lendárias Jeanne Moreau e Monica
Vitti. O DVD traz o filme em letterbox, assim como um documentário
produzido pela RAI, onde o cineasta fala de todos os seus filmes.
Imperdível.
O
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

O melhor
filme do ano passado, assim como deste novo século. A chave
de ouro perfeita para a espetacular trilogia orquestrada por Peter
Jackson. Como você sabe, essa é a edição
caça-níqueis, já que o filé mignon será
lançado, pelo menos lá fora, em novembro. Por mim,
a edição estendida é um bônus, já
que estou plenamente satisfeito com a versão de cinema, pra
mim, a mais satisfatória dos três capítulos.
Claro que o filme pode vir a ganhar com as cenas extras, mas não
necessariamente precisa delas para se firmar como uma aventura de
primeira grandeza. Viggo Mortensen, que cresceu
com o personagem a cada filme, vive em O
SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI o herói
mais bacana do cinema em muito tempo. Seu estilo low-profile
é perfeito para o personagem relutante, que aos poucos, vai
assumindo seu posto de liderança dentre os povos da Terra
Média. O resto do elenco também tem chance de brilhar,
assim como a trilha maravilhosa de Howard Shore,
que recria temas da trilogia, e os efeitos impressionantes da WETA.
Tudo bem que o filme tirou vários Oscars de Cidade de
Deus esse ano, mas, putz, como fiquei feliz com o fato histórico
de Jackson e sua turma terem levado em todas as categorias que concorreu,
algo que não acontece desde O Último Imperador,
que papou nove estatuetas em 1988. A edição traz os
extras de aspecto mais publicitário, mas ainda assim interessantes,
como tudo relacionado ao filme. Só de ver o super-trailer
da trilogia já me fez surgir lágrimas nos olhos. Chamem-me
de geek, nerd, o que for, mas pelo menos sou um geek feliz.
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