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GABINETE
DO KAS #06

Lançamentos
de abril (1ª parte)
Alguns
títulos aguardados chegam às lojas meio que inesperadamente
este mês.
No
dia 7, a Fox disponibiliza a Coleção A PANTERA
COR DE ROSA, com todos os filmes da série protagonizados
pelo inesquecível Inspetor Clouseau, encarnado pelo não
menos inesquecível Peter Sellers. É
a oportunidade perfeita de toda uma nova geração conhecer
o trabalho maravilhoso de Sellers, um dos meus atores favoritos,
que virou astro internacional na pele da criação de
Blake Edwards, que teve com a série os seus
maiores sucessos.
Sellers
é nunca menos que brilhante, mesmo quando os filmes não
conseguem corresponder em matéria de roteiro, o que acontece
com frequência nesta série irregular. Mas basta conferir
sua atuação em obras-primas como Lolita e
Dr. Fantástico, ambos de Kubrick, e Muito Além
do Jardim, de Hal Ashby, para constatar que a genialidade de
Sellers ultrapassa os limites do humor, transitando entre a poesia
e um lado negro raramente atingido não só por comediantes,
mas também por atores dramáticos renomados. Sellers
faz parecer tão fácil fazer humor, seja o pastelão
de Um Convidado Bem Trapalhão, também de
Edwards, e da série A PANTERA COR DE ROSA, seja a ironia
sutil de Muito Além do Jardim. É talvez o
ator mais admirado pelos comediantes atuais, ao lado de Buster Keaton,
e acima de nomes como Jerry Lewis e Charles Chaplin. Só de
saber que o primeiro longa será refilmado com Steve Martin,
um ator que há tempos está devendo um filme que preste,
já é o suficiente para o cadáver de Sellers
dar uns pulos no túmulo.
A caixa
contem os cinco primeiros filmes da série - sendo que o segundo,
UM TIRO NO ESCURO, é reconhecido como o
melhor -, além de um DVD apenas com extras, espera-se que
todos devidamente legendados.
No
mesmo dia 7, a Universal prepara o lançamento de O
AMOR CUSTA CARO, incursão nem sempre bem sucedida
dos Irmãos Coen pela screwball comedy
imortalizada por Howard Hawks nas décadas de 30 e 40. Se
nem sempre atinge seu intento, o filme vale pelas interpretações
de George Clooney, encarnando com louvor o tipo
Cary Grant, e Catherine Zeta-Jones, esbanjando
charme e elegância. A trama não esconde sua previsibilidade,
mas ainda assim se faz acompanhar com prazer.
A mesma
Universal lança no dia 14 quatro títulos surpreendentes,
que eu não esperava constar do catálogo da distribuidora.
Aparentemente, a empresa se associou a alguma distribuidora menor
americana e obteve o direito sobre o lançamento internacional
de alguns títulos essenciais para a coleção
de qualquer geek que se preza, como FUGA DE NOVA
YORK e UMA NOITE ALUCINANTE. Infelizmente,
a distribuidora aparentemente não teve acesso aos mesmos
extras das edições americanas, e estes filmes chegam
por aqui pelados, mas com a qualidade técnica supostamente
intocada.
FUGA
DE NOVA YORK é um dos clássicos cult de John
Carpenter, responsável pela fama
do cineasta entre os fãs do cinema fantástico. Não
é o melhor do diretor, posto reservado a O Enigma de
Outro Mundo, mas é dos filmes mais celebrados e lucrativos
de sua filmografia, ao lado de Halloween. Kurt
Russell se consagrou no papel do mercenário Snake
Plissken, que é obrigado a entrar sozinho em Manhattan (no
futuro tranformada em uma prisão de alta segurança)
para resgatar o presidente americano que calhou de cair lá
dentro. O filme saiu nos EUA numa caprichada edição
pela MGM, com comentários em áudio do cienasta e de
Russell, além de um documentário.
UMA
NOITE ALUCINANTE, ou EVIL DEAD 2, teve para a carreira
de Sam Raimi a mesma importância de FUGA
DE NOVA YORK para a de John Carpenter: tornou seu nome conhecido
dentro da indústria e o consagrou perante os fãs como
a nova revelação do cinema fantástico. Se Raimi
é ainda respeitado como tal, mesmo após incursões
nem sempre bem sucedidas pelo cinema industrial como Rápida
e Mortal e Por Amor, é por este filme. Aqui
o diretor praticamente refilma o longa que o revelou, Evil Dead,
lançado em video e DVD no Brasil como A Morte do Demônio.
Seu parceiro Bruce Campbell ficou tão marcado
como o pateta Ash, que nunca mais conseguiu se desvincular da série.
Não que tenha talento para tal, este sublime canastra. Pelo
que consta no release da distribuidora, UMA NOITE ALUCINANTE
chega por aqui sem nenhum dos extras que acompanham sua edição
especial lançada em território gringo.
Na
próxima coluna, mais comentários sobre os outros lançamentos
do mês.
Predador 2: A Caçada Continua
Não
tenho nada contra crossovers entre personagens de quadrinhos e cinema,
desde que sejam bem fundamentados e estejam em mãos competentes,
que evitem os confrontos gratuitos e sensacionalistas. Pena que
não é o caso em Alien X Predador, que atualmente
está em produção sob direção
do péssimo Paul Anderson, o mesmo criminoso que criou as
bombas Mortal Kombat, O Soldado do Futuro e Resident
Evil. Vai entender o que a Fox imaginou ao contratar Anderson.
O sujeito não tem nenhum mega-sucesso no currículo
e só faz filmes execrados pela crítica ou por qualquer
pessoa com idade mental superior a 12 anos. Talvez os espertos executivos
do estúdio estivessem apenas testando a capacidade de sobrevivência
de duas de suas lucrativas franquias, mesmo submetidas aos piores
cuidados possíveis. O fato é que a Fox tem grandes
chances de enterrar ambas de uma só vez, o que não
me parece algo muito inteligente, principalmente para séries
que renderam ótimos episódios nas mãos de gente
talentosa como James Cameron e John McTiernan.
O fato
é que esta não é a primeira vez que ambas as
séries descem ao fundo do poço. Alien: A Ressurreição
banalizou tudo que havia de bom nos episódios anteriores
e não entregou o clima de quadrinhos que os realizadores
pretendiam, ficando num meio termo grotesco e entediante. Mas ainda
assim superior ao que o diretor Stephen Hopkins
(Perdidos no Espaço) fez com PREDADOR 2:
A CAÇADA CONTINUA.
Se
o competente e estimulante thriller realizado por John
McTiernan havia apresentado uma forma criativa e promissora de misturar
horror e ficção científica, com doses de ação,
Hopkins, com uma incompetência tamanha, destrói a mesma
premissa quando deveria estimulá-la e desenvolvê-la.
PREDADOR
2 conta com os mesmos roteiristas do primeiro episódio (a
dupla Jim Thomas e John Thomas),
que não são especialmente conhecidos pela inteligência
dos diálogos e pela profundidade dos personagens, mas que
conseguem imaginar conceitos interessantes e boas cenas de ação.
Aqui, eles transferem a trama da floresta sul-americana do filme
original para a selva de pedra de Los Angeles. Teoricamente, o filme
se passaria sete anos no futuro, o que seria, se levarmos em conta
a época em que o filme foi lançado, em 97, que já
é passado pra gente. Segundo a trama, Los Angeles estaria
sofrendo as consequências da invasão negra e latina,
com guerra de gangues nas ruas, paredes pixadas e rituais vodus
em coberturas luxuosas. Uma visão estereotipada que conserva
bem a ideologia por trás do Predador de McTiernan
(o fato do alienígena usar dreadlocks chega a ser
cômico), onde soldados do hemisfério norte enfrentavam
perigos "alienígenas" do terceiro mundo. Assim
como os latinos tomaram posse de Los Angeles, nada mais natural
que o Predador também viesse à Cidade dos Anjos ameaçar
o estilo de vida norte-americano.
Se
Hopkins tivesse escondido essa ideologia canhestra em um filme vibrante
e bem realizado como o de McTiernan, não incomodaria tanto,
mas acontece é que PREDADOR 2 chega a ser ofensivo, não
só aos negros e latinos, mas à inteligência
do próprio público branco americano. A caracterização
e a direção de atores é tão medíocre
que torna todos os personagens insuportáveis. Com exceção
de Danny Glover, que passa todo o filme apático
e no piloto automático, todos os demais (Gary Busey,
Bill Paxton, Maria Conchita Alonso)
estão tão caricatos que não resta ao público
outra opção se não torcer para que morram e
rápido.
Além
disso, o diretor, vindo da escola de videoclip e de A Hora do
Pesadelo 5, dota o filme de um visual tão feio e poluído
que fica difícil acompanhar a narrativa, por si só
truncada e banal. As cenas de ação, que poderiam injetar
algum interesse na produção, são extremamente
mal feitas. A sequência do metrô é um excelente
exemplo de como não criar tensão, suspense e movimento.
Pena que muita gente entendeu o contrário e por isso temos
que aguentar os Michael Bay e Simon West da vida.
Em
suma, PREDADOR 2 foi um filme que já não tinha gostado
quando vi no cinema, mas decidi dar uma segunda chance em DVD, que
adquiri numa dessas promoções da Fox. Mesmo com a
expectativa no subsolo, o filme conseguiu ser pior que eu me lembrava.
Não vale nem para compor a série, ainda mais que esta
será exterminada este ano, com a anunciada bomba de Paul
Anderson. O DVD também não ajuda, com imagem e som
apenas competente e só o trailer como extra. Fique com a
edição especial do primeiro Predador, esta
sim com imagem restaurada e som em DTS, além de um disco
só de extras.
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PREDADOR
2: A CAÇADA CONTINUA
(Predator 2, 1990)
Direção:
Stephen Hopkins
Com:
Danny Glover, Ruben Blades, Bill Paxton, Kevin Peter Hall, Maria
Conchita Alonso, Gary Busey, Adam Baldwin
Filme:
Idiomas:
Inglês 5.1, Português 1.0
Legendas:
Português, Inglês
Formato
de Tela: Widescreen Anamórfico 1.85:1
Ficção
/ Horror / Ação
Área 4 - 1h21min
Fox
Imagem
e Som:
Extras:

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