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GABINETE
DO KAS #01
Se
tem uma frase com a qual eu compactuo, é a seguinte: já
que todo mundo tem vícios, escolha-os bem. No meu caso, tive
sorte de escolher (ou ser escolhido, a gente nunca sabe) vícios
saudáveis, até onde um vício pode ser saudável.
Se fico muito tempo sem ir ao cinema, começo a ficar ansioso
e irritado. Basta uma dose (ou uma sessão) para ficar novamente
mansinho, mansinho. Tem também o café, que não
é lá muito saudável, mas é legalizado
e não ajuda o crime organizado. E tem um vício recente:
os DVDs.
Curiosamente,
mesmo sendo cinéfilo doente desde moleque, nunca fui grande
colecionador de videos. Claro que o VHS era uma mídia direcionada
às locadoras, com poucos títulos sendo oferecidos
também ao consumidor final, mas isso nunca foi problema pra
mim, já que eu trabalhei boa parte da minha adolescência
numa locadora de video e tinha acesso a acervos de locadoras que
fechavam e também a fitas com preço mais em conta.
Juntei até um número considerável de VHS, mas
nunca considerei realmente como um hobby ou uma coleção.
O negócio é que eu nunca fiquei realmente satisfeito
com o VHS. Claro que era um barato ver filmes que eu adorava em
casa ou poder ter acesso a obras que os cinemas ignoravam, mas a
qualidade de imagem, o fator tela cheia e a pouca praticidade tiravam
boa parte do prazer. E ainda havia a questão das fitas dubladas,
principalmente as consideradas infantis. E aí iam boa parte
das animações e filmes de fantasia. Lembro particularmente
de ver Dragonslayer (lançado em video como O
Matador de Dragões) em VHS dublado, porque a distribuidora
achava que era um filme apenas infantil. O mesmo com Willow.
O videolaser
eu também pulei, pelo preço pouco convidativo do equipamento
e o difícil acesso aos títulos, em grande parte importados.
Mas
o DVD... Putz, taí uma mídia, se não perfeita,
fantástica, genial, viciante. E eu cai feito um patinho.
Quando menos esperava, já tava fisgado. Acho que me viciei
antes mesmo de experimentar. Só de ler sobre o novo formato,
que possibilitaria ver filmes tal qual como no cinema, dublado ou
com som original, com boa qualidade de imagem e som, vários
documentários e atrativos especiais, já me apaixonei.
Comecei a comprar títulos inclusive antes de adquirir um
player. Hoje tenho uma coleção bem bacana, até
mesmo numerosa, levando-se em conta o mercado nacional e o melhor:
crescendo a cada dia.
E não
fui o único a sucumbir a este vício incontrolável.
Vários conhecidos, inclusive o colega Gelogurte aqui da Galáxia,
e leitores do site já demonstraram que não estou sozinho
nesse mundo sórdido. E como dizem os especialistas, a primeira
atitude para retomar o controle sobre sua vida é aceitar
sua condição e assumir o vício. A segunda atitude
é compartilhar com outros com o mesmo problema. E por fim,
procurar ajuda médica, mas aí já é demais,
porque quem disse que eu quero ser curado?
O que
nos leva ao Gabinete do Kas, essa coluna
- a princípio semanal - onde espero ser um ponto de encontro
entre este que vos escreve e outros dependentes como, acho eu, você
que leu até aqui. No Gabinete, vamos falar abertamente sobre
nossa obsessão. Vamos discutir cada aspecto do nosso "precioso",
falar sobre lançamentos, comentar os DVDs vistos durante
a semana, elogiar e criticar as distribuidoras, exigir nossos direitos
de consumidor, sonhar com títulos disponíveis lá
fora e que não tem data de aportar por aqui, enfim... tudo
que a gente gostaria de falar com todo mundo, mas não pode,
com risco de ser internado na clínica mais próxima.
Mas aqui eu sei que posso ser franco com você, afinal, quem
mais poderia me entender?
No
Gabinete é onde passo boa parte do meu dia, isto é,
quando não estou na ponte de comando da Galáxia ou
correndo atrás de recursos para sustentar minha dependência.
Por isso, nada mais lógico do que compartilhar com você
as experiências que passo aqui. Já vinha fazendo isso
aos poucos com as resenhas eventuais de DVDs, mas acho que esse
formato é mais propício para uma abordagem mais pessoal,
dinâmica e direta. Espero que você curta. Pra mim, será
um grande prazer, algo que eu faria até de graça (ops,
já tô fazendo!).
Ainda
esta semana pretendo colocar on line meus comentários sobre
um dos principais lançamentos do ano: o box As Aventuras
de Indiana Jones! Já estava preparando uma resenha do
box, contando inclusive com a colaboração preciosa
do colaborador Wiz, especialista nos aspectos técnicos
da mídia, além de viciado crônico como eu. Mas
acho melhor incluir essa resenha aqui. É um bom começo
para nossa coluna. E seja bem-vindo ao Gabinete do Kas!
Acomode-se na almofada e divirta-se!
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