Uma Cidade Que Surge
(Dodge City, EUA, 1939)



"Errol Flynn vai ao Oeste", clama a chamada publicitária de UMA CIDADE QUE SURGE. O maior astro de ação da época estréia no gênero em grande estilo, numa produção classe A que o reúne com os parceiros de sempre Michael Curtiz e Olivia De Havilland. Apesar de não ser tão lembrado quanto NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (lançado no mesmo ano), este foi um dos filmes que elevaram o western a gênero de prestígio, após amargar a década de 30 confinado em produções B. Obviamente não tem o mesmo peso artístico do filme de John Ford, mas é uma senhora aventura, do tipo que só Curtiz-Flynn-Havilland faziam: ação, romance, comédia, heróismo e leveza narrativa, embalados como sempre por uma trilha absolutamente maravilhosa de Max Steiner.

Flynn faz um boiadeiro que ajuda a fundar a Dodge City do título original, mas sua natureza errante o leva para outros caminhos até que um dia retorna à cidade, encontrando-a afundada na lama e na violência. Mesmo contra a sua vontade, assume o cargo de xerife e decide colocar ordem na casa, fazendo frente ao vilão vivido por Bruce Cabot (o Jack Driscoll de KING KONG).

Como é comum nos filmes da dupla, Flynn e Havilland não se bicam no príncípio, para irem se apaixonando aos poucos. Aqui, ela o culpa pela morte do irmão desordeiro e beberrão. Mas a química do casal é realmente infalível e Olivia é sempre apaixonante.

Mas é nos ombros de Flynn que repousa o sucesso da aventura. Se o sujeito é um monumento da integridade, mesmo vivendo foras-da-lei como em CAPITÃO BLOOD e AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD, o que diria então no papel de um homem da lei? Com seus modos gentis, vai impondo a ordem em Dodge City sem jamais perder a calma, mesmo sofrendo dolorosas perdas.

UMA CIDADE QUE SURGE é dos filmes que criam os clichês. Temos aqui a briga no saloon, estouros de boiadas, vagões em chamas e a divisão clara entre o bem e o mal, elementos batidos hoje mas que graças à competência de Curtiz, mantém o frescor que tinham na época.

DVD: UMA CIDADE QUE SURGE é dos primeiros westerns produzidos em Technicolor, e recebe aqui um tratamento adequado, com cores vivas e vibrantes (com exceção da instabilidade cromática de algumas cenas específicas) e bom contraste. O som mono original é reproduzido com fidelidade.

Como sempre, temos um documentário retrospectivo, infelizmente muito curto (apenas 8 minutos), trailer de cinema e a atração Vamos ao Cinema com a Warner, que reproduz o conteúdo tal qual era visto nos cinemas da época, com noticiário (sobre a invasão da Normandia pelos nazistas), trailer (de A LEI DO MAIS FORTE, com Cagney e Bogart), um curta (FILHOS DA LIBERDADE, sobre a guerra de independência, mais luxuoso que o normal, com direção de Curtiz e estrelado por Claude Rains) e um curta animado de Tex Avery, O PERIGOSO DAN MCFOO, todos exibidos antes do programa principal. Com exceção dos trailers, tudo mais legendado em português. Faz parte da COLEÇÃO ERROL FLYNN.

     

Direção:
Michael Curtiz

Com:
Errol Flynn, Olivia De Havilland, Bruce Cabot, Ann Sheridan, Frank McHugh, Alan Hale, Henry Travers

Idiomas: Inglês mono

Legendas: Português, Inglês, Japonês

Formato de Tela: Full Frame 1.33:1

Western / Aventura
Área 4 - cor - 1h44
Warner

Filme:
DVD: