A Casa da Rússia
(The Russia House, EUA, 1990)



John Le Carré, apesar de ser um dos mais celebrados autores de romances de espionagem, não tem a mesma sorte no cinema quanto, por exemplo, Robert Ludlum ou Tom Clancy. Talvez por sua prosa detalhista seja de difícil transposição para a ação cinematográfica, como prova A CASA DA RÚSSIA, que Fred Schepisi adaptou em 1990.

A trama é mais simples do que faz aparentar o excesso de informações do roteiro. Logo após a Glasnost, Dante (Klaus Maria Brandauer), um cientista russo decide publicar no Ocidente provas de que o país não é a potência bélica que os EUA imaginam, esperando com isso eliminar qualquer chance de conflito entre as nações. Procura para isso o editor Barley Blair (Sean Connery) através da também editora e sua ex-amante Katya (Michelle Pfeiffer), para que este publique o manuscrito, mas este se estravia e cai nas mãos da inteligência inglesa, que convoca Barley para descobrir se as provas são realmente confiáveis ou se foram apenas plantadas. Nesse meio tempo, Barley se apaixona por Katya.

Como o próprio autor confessou, tanto ele quanto o roteirista Tom Stoppard têm a tendência de "escrever demais", o que por vezes emperra a evolução da narrativa. Tendo de dividir precioso tempo com as intrigas de bastidores, o romance entre Barley e Katya parece por vezes abrupto, por mais que a química entre Connery e Pfeiffer funcione e a trilha de Jerry Goldsmith (executada pelo saxofonista Branford Marsalis) providencie o devido clima romântico.

Ajuda muito que a maior parte das cenas tenham sido rodadas em externas (foi a primeira grande produção ocidental a ser rodada na ex-União Soviética) em Moscou, Leningrado e Lisboa, o que dá uma maior verossimilhança ao enredo. É curioso também como Schepisi contrapõe as cenas de bastidores, passadas em interiores desprovidos de charme, com as caminhadas do casal central pelas belas locações.

O drama é interessante o suficiente para prender a atenção, apesar da falta que faz a tensão necessária para acreditarmos que os personagens realmente corram o perigo que todos não cansam de afirmar existir.

DVD: O DVD traz boa qualidade de imagem, apesar desta sofrer às vezes com falta de nitidez, o que prejudica os detalhes. Mas tem o cuidado de reproduzir as cores da fotografia e das locações. Os extras se resumem a trailers deste e de outros filmes (UM VIOLINISTA NO TELHADO, HARRY & SALLY).

     

Direção:
Fred Schepisi

Com:
Sean Connery, Michelle Pfeiffer, Roy Scheider, James Fox, Klaus Maria Brandauer, Ken Russell

Idiomas: Inglês 3.0, Espanhol 1.0

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Formato de Tela: Widescreen Anamórfico 2.35:1

Romance / Drama / Espionagem
Área 4 - cor - 2h02
MGM/Fox

Filme:
DVD: