Amor Sem Fronteiras
(Beyond Borders, EUA, 2003)



AMOR SEM FRONTEIRAS foi tão massacrado pela crítica e pelo público na época de seu lançamento que é de se estranhar que nenhum dos envolvidos tenha saído queimado da experiência. Curiosamente, aconteceu o efeito contrário: todos partiram deste para projetos maiores e mais cobiçados. Angelina Jolie estrelou o mega-sucesso SR. E SRA. SMITH, Clive Owen conquistou uma indicação ao Oscar por CLOSER: PERTO DEMAIS e Martin Campbell voltou sua câmera para duas sequências high-profiles, A LENDA DE ZORRO e CASINO ROYALE.

Mas realmente não existe um motivo concreto para que esse drama romântico de aventuras ter sido tão execrado. Talvez o timing de lançamento tenha sido ruim, antes da atual moda de filmes passados na África e outros ambientes inóspitos, sempre com tom de denúncia (HOTEL RWANDA, A INTÉRPRETE, O JARDINEIRO FIEL, todos mais bem sucedidos comercialmente). Não quer dizer porém que AMOR SEM FRONTEIRAS seja tão bom quanto os citados, mas é superior a um LENDAS DA PAIXÃO ou qualquer coisa do Edward Zwick, por exemplo.

Jolie faz Sarah, uma americana casada com um proeminente inglês (Linus Roache, o Thomas Wayne de BATMAN BEGINS), que decide ajudar numa causa humanitária na África, após travar contato com o médico vivido por Clive Owen. Obviamente, ambos irão se apaixonar, após os desentendimentos iniciais.

Este é o grande problema do filme. Além da trama ser várias vezes absurda, tudo é por demais previsível. O roteiro mantém a mesma estrutura de um daqueles romances de banca estilo SABRINA ou BIANCA, acrescentando doses de romance, comoção, suspense, aventura, denúncia, tudo seguindo uma receita de bolo. Esta divide a trama em três atos distintos, cada um passado em uma época e local diferente, onde os protagonistas irão se reencontrar, o que torna o enredo por demais episódico, nunca envolvendo ou emocionando o público o suficiente.

Mas pelo menos estes ingredientes são cozidos de forma competente por Campbell, ainda que sem nenhuma ousadia ou um rasgo de criatividade, como é comum no trabalho do mesmo. Campbell e seu diretor de fotografia, Phil Meheux, extraem o máximo de fotogenia das locações, enquanto Jolie e Owen são bonitos, charmosos e carismáticos o suficiente para contrastar com o horror das condições sub-humanas denunciadas pelo filme. É curioso porém que Jolie tenha dificuldade de envelhecer na tela (algo que podemos observar em ALEXANDRE), mesmo com a trama cobrindo mais de 10 anos da vida dos personagens.

DVD: O áudio mantém o perfeito envolvimento do espectador, com a trilha surpreendentemente discreta de James Horner reproduzida com fidelidade por todos os canais. O mesmo acontece com a transferência de imagem, mantendo a bela paleta de cores da fotografia, que ajuda diferenciar os diversos locais visitados pelos protagonistas.

Temos um Making Of dividido em duas partes que, somadas, totalizam cerca de 37 minutos. É uma peça basicamente promocional, mas que oferece várias imagens de bastidores e algumas informações sobre problemas enfrentados pela produção, como as mudanças drásticas de clima nas locações e os atores cogitados anteriormente para os papéis centrais, como Kevin Costner e Catherine Zeta-Jones em um momento e Meg Ryan em outro.

Se o filme em si já é uma propaganda muito pouco disfarçada das atividades de Angelina como embaixadora da ONU, isso fica explicitado em um featurette que discrimina estas mesmas atividades, mostrando que a organização não é tão inútil quanto se pensa atualmente.

Outro featurette foca no trabalho do roteirista Caspian Tredwell-Owen, que fala sobre suas inspirações para a trama e seu contato com trabalhos humanitários. Mas é difícil imaginar que este, de tão derivativo, é um roteiro original e não baseado num romance barato de Sidney Sheldon.

O melhor fica para os comentários em áudio de Campbell e do produtor Lloyd Philips, que abordam os mais diversos assuntos relativos à produção e vários tópicos de interesse: suas tomadas favoritas, do prévio envolvimento de Oliver Stone no projeto, o uso invisível de efeitos digitais, de quanto Angelina é linda, a participação de Burt Kwouk (o Kato da série A PANTERA COR-DE-ROSA) passando pelas diversas cenas cortadas (não incluídas no DVD), pela vontade de estrangular o público de sessões teste apesar da relevância das mesmas e pelo cuidado no uso de perucas (!). Ambos falam com entusiasmo sobre o projeto, tornando os comentários sempre envolventes e com raros momentos de silêncio.

Como é comum na distribuidora, todos os extras são legendados em português.

     

Direção:
Martin Campbell

Com:
Angelina Jolie, Clive Owen, Teri Polo, Noah Emmerich, Linus Roache

Idiomas: Inglês 5.1, Português 5.1

Legendas: Português, Inglês

Formato de Tela: Widescreen Anamórfico 2.35:1

Romance / Drama / Aventura
Área 4 - cor - 2h06
Paramount

Filme:
DVD: