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Anjos
da Noite: Underworld
(Underworld, EUA, 2003)
Alguém
andou jogando muito RPG.
E
esse alguém foi o diretor Len Weisman. ANJOS
DA NOITE: UNDERWORLD é o que muitos fãs dos
jogos Vampiro: A Máscara e Lobisomem: Apocalipse
vêm esperando a anos: um filme que coloque os dois clássicos
monstros uns contra os outros. Mas as semelhanças com os
jogos da White Wolf não param por aí.
Longa
história curta: vampiros e lobisomens se enfrentam a séculos.
Os vampiros são aristocratas, vivem em mansões, andam
em carrões e se vestem como se fossem sadomasoquistas do
século XVI. De forma elegante mas tudo em couro preto. Já
os lobisomens são um bando de ferrados. Vivem nos esgotos
e vestem-se com farrapos. Aparentemente, os vampiros estão
ganhando a guerra. Os lobisomens tornaram-se poucos e não
têm recursos. Então fica difícil de entender:
por que toda vez que se enfrentam os lobisomens ganham?
Essa
foi a primeira coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha
mas não foi a única. Afinal, a narrativa de Weisman
é tão medíocre que o filme inteiro se passa
à noite. E não é justificado como no subestimado
Cidade das Sombras. O que deveria ocorrer em vários
dias, pelo menos de acordo com o roteiro, parece se passar em um
único dia, ou melhor, noite.
Muito
foi falado sobre os efeitos especiais do filme. Vale lembrar que
o orçamento foi baixo para um filme do gênero, "apenas"
US$ 30 milhões, pouco para os padrões americanos.
E não são tão ruins assim, pelo contrário.
Na maior parte do tempo convencem. Realmente a transformação
dos lycans (o jeito metido de chamar os lobisomens) lembra a de
Um Lobisomem Americano em Londres, só que feita
digitalmente ao invés de usar maquiagem. O que é uma
pena. É uma transformação rápida, sempre
nas sombras para disfarçar o "efeito mal feito",
que não empolga. Deixa o gostinho de quero mais. Além
disso, é usada sempre a mesma cena ao mostrar a transformação,
só muda o cenário.
Por
falar em sombras, esse deve ser o filme mais escuro que eu já
vi desde o péssimo Adrenalina, de Albert Pyun. Aqui
elas funcionam um pouco melhor e até têm a sua função.
Mas é um filme escuro que não aproveita as sombras.
Estão ali só para tentar deixar as coisas mais macabras,
ou mais cool, visualmente. Só no trailer de Hellboy,
que nem é tão escuro assim, já tem um uso de
sombra melhor do que em todos os 121 minutos de UNDERWORLD.
Weisman,
apesar de ter sido cria de Roland Emmerich e trabalhado no departamento
de arte de Stargate e Independence Day, parece
mais pupilo dos irmãos Wachowski. É a "Maldição
do Cool": muito tiro e muito kung fu. Vampiros usando seus
lendários poderes? Esqueça. No máximo, uma
força sobre-humana aqui ou ali. Mesma coisa com os lobisomens,
que aparentemente só gostam de andar pelas paredes e são
os alvos mais fáceis da história.
Mas
será que é tudo ruim? Afinal, o filme tem Kate
Beckinsale, uma das minhas atrizes favoritas! Bem, nem
ela convence. Para um filme onde a atriz acabou nos braços
do diretor, eu esperava um envolvimento muito maior. Ao contrário,
ela parece estar sempre entediada na tela, como se estivesse ali
com apenas a obrigação de ficar bonita para a câmera.
E o resto do elenco é de dar vergonha. Mas é um filme
de baixo orçamento e uma das coisas mais caras da atualidade
é o cachê que os rostinhos perfeitos de Hollywood andam
cobrando. Por isso, o público feminino terá que se
contentar com o anti-carisma de Scott Speedman,
o Ben da série Felicity. E olha que ele não
é tão ruim assim, é só conferir o trabalho
do rapaz em A Outra Face da Lei, ao lado de Kurt Russell.
Não é um primor mas não envergonha. Só
mesmo Bill Nighy, como o vampiro Viktor, se salva,
em um papel bem diferente do roqueiro Billy Mack que ele fez em
Simplesmente Amor.
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Direção:
Len Wiseman
Com:
Kate Beckinsale, Scott Speedman,
Bill Nighy, Michael Sheen, Shane Brolly
Cotação:
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