Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida
(Lara Croft: Tomb Raider - The Cradle of Life, EUA, 2003)



Dois anos atrás, eu fui com o Kas, a Sra. Kas, meu irmão e cunhada ao cinema. Chegando lá, havia dois filmes em exibição: Pequenos Espiões e Tomb Raider. Como fã incondicional de Robert Rodriguez, escolhi o primeiro sem pestanejar. "Não, filme de criança não" disse meu irmão. Como todo filme que o Kas assistia acompanhado pelo meu irmão acabava sendo um lixo, ele não quis arriscar estragar Pequenos Espiões. Assim, acabou concordando em assistir Tomb Raider. Eu, como todo bom "maria-vai-com-as-outras" fui junto sabendo que no dia seguinte teria que assistir de novo com amigos.

Em uma palavra: ODIEI. Para mim, o primeiro Tomb Raider é um dos piores filmes da história! Nem mesmo o carisma de Angelina Jolie, que é nulo no filme, consegue salvá-lo. E nada funcionava! As cenas de ação eram péssimas, as piadas e os personagens engraçadinhos eram as coisas mais sem graça que eu já tinha visto! Nível Jar Jar Binks! Os vilões não conseguiam ser carismáticos ou odiáveis, você simplesmente não dava a mínima. Eu achei que assistindo de novo no dia seguinte eu poderia até achar um pouquinho melhor, já que eu sabia o que estava por vir. Achei ainda pior! A cena final, onde a imagem congela com Jolie apontando as armas... putz! Na hora eu lembrei do final do filme do Street Fighter! Para mim, Simon West é o pior diretor da atualidade!

Quando vi o primeiro trailer de Tomb Raider: A Origem da Vida, achei que era mais do mesmo. Mesmo visual feio, mesma história fajuta. Quando vi o pôster, nem mesmo as curvas de Jolie me fizeram sentir vontade de ver o filme. Aliás, como o Kas bem observou, é o primeiro pôster da história que precisa de uma legenda! Repare! Eles escrevem o título em baixo de novo porque não dá para ler na arte! Então quando o Kas me chamou para ir na pré-estréia, eu me contorci, disse que não ia, bati o pé, chorei, esperneei. Mas como eu não podia desapontar os visitantes do nosso querido site, fui.

Por ter achado o primeiro tão ruim e ter uma expectativa -1 para essa continuação, o filme não é tão ruim quanto eu pensava. Ele quase funciona. Nada é realmente bom mas não chega a ser completamente detestável quanto o primeiro. Uma ou outra coisa é execrável (como a cena do tubarão, copiado do desenho da Turma da Pesada) ou os vilões que dão vontade de sair do cinema toda hora que eles aparecem na tela.

O roteiro é um pouco melhor. Continua aquela coisa morna e sem graça, mas pelo menos os ajudantes de Lara, Hillary e Bryce, são resumidos ao plano de fundo que são. Não tentam ser engraçadinhos o tempo todo, são só ferramentas. Jolie também ganha uma folguinha e suas falas não são tão ruins como no primeiro. Os diálogos fluem mais facilmente, não são tão forçados como antes.

A melhor coisa do filme é mesmo Terry Sheridan, interpretado pelo escocês Gerard Butler, de Drácula 2000 e Reino de Fogo. O Kas uma vez me disse que ele talvez pudesse ser um bom Superman. Aí já não sei, mas que ele daria um grande James Bond, daria. É muito carismático e a química dele com Jolie é uma das coisas que mais quase funcionam no filme. Já que o Pierce Brosnan diz que só vai fazer mais um filme da série 007 (já vai tarde!) e Clive Owen já recusou o papel, quem sabe a MGM não faz uma tentativa com Butler? Afinal, Sean Connery, que é considerado o melhor Bond, também é escocês. Butler é talvez a coisa mais importante que me impede de dar uma nota equivalente ao filme antecessor.

A culpa no final das contas é toda mesmo de Jan De Bont. O cara tem dois filmes que eu curto: Velocidade Máxima e Twister. Acho divertidos para um sábado à tarde. Mas Velocidade Máxima 2 e A Casa Amaldiçoada são duas pérolas do pior que Hollywood é capaz de fazer. E filmes caros ainda por cima! Para completar, Bont é considerado um diretor difícil de trabalhar, de temperamento explosivo. Bom, cara assim eu só perdôo quando é muito foda, tipo David Fincher. O visual do filme é horroroso, os cenários parecem sobra de Trem Fantasma. As cenas de ação são muito mal filmadas e a edição não consegue salvar. A melhor cena seria o salto do alto do prédio mas como fizeram o favor de colocá-la quase inteira no trailer, quem já viu sabe exatamente o que vai acontecer e não dá emoção nenhuma.

Tomb Raider: A Origem da Vida é tão ruim quanto o primeiro? Não. É bom? Também não. Mas pelo menos eu não me senti psicologicamente ultrajado e intelectualmente violentado como no primeiro.

     

Direção:
Jan De Bont

Com:
Angelina Jolie, Gerard Butler, Noah Taylor, Ciarán Hinds, Djimon Hounson, Chris Barrie