Tiros em Columbine
(Bowling for Columbine, EUA, 2002)
Por: NIC1138

Os elogios que Tiros em Columbine têm arrancado ao redor de todo o mundo são merecidos. O filme é excelente.

Michael Moore é um comediante ativista, mais ativista do que comediante, que briga desde a década de 1980 com o governo americano e as grandes empresas que o controlam, e tenta ser um oásis de bom-senso em meio à alienada mídia americana que também é um constante alvo de suas críticas.

Moore já tinha experiência como jornalista desde 1976 antes de ingressar na carreira cinematográfica com o aclamado filme Roger & Me de 1989. Ele também dirigiu uma série para a televisão chamada TV Nation de 1994 a 1995.

O filme possui um formato muito bom, a profundidade com que aborda os temas é razoável e a porção comédia também é bacana - apesar de ser aflitivo o fato de não sabermos se algumas coisas mostradas lá são mesmo risíveis. Moore usa o incidente em Columbine como pretexto para expor a cultura estadunidense de submissão ao medo e de alienação em massa. Gente de todo o tipo aparece no filme, desde estudantes da escola, moradores da cidade de Littleton e caipiras membros de milícias, a prefeitos canadenses, professores universitários e astros do rock.

Os filmes de Michael Moore possuem algo muito difícil de se encontrar em um documentário: são bastante pessoais. Ele não é um reporter profissional fazendo uma cobertura de um assunto, ele é claramente um cidadão que tenta compreender o que há de errado dentro de sua comunidade, e esse toque pessoal é o que faz a diferença. Nota-se como Michael vai desenvolvendo suas críticas e argumentações ao longo do filme, enquanto que nós mesmos vamos formando novas opiniões sobre os assuntos tratados.

Mas esse ar pessoal do filme nem sempre funciona bem. Vez ou outra sente-se um certo grau de parcialidade inadequado, e em alguns instantes Moore aumenta as coisas usando desonestos recursos cinematográficos, e também atuando em papéis de indignação sem conseguir convencer muito. Mas no fundo percebe-se que não são erros maiores do que se pode desculpar com o velho ditado "errar é humano".

Não é só a preocupação pessoal de Moore que fica clara no filme. Um dos entrevistados no filme é Matt Stone, que só por ser um dos criadores do desenho South Park já merecia ter espaço para alguma opinião mostrada. Mas ele mostra que não é só um artista que resolveu fazer aquele programa "do nada". Ele estudou no mesma Columbine anos antes da tragédia, muito próximo portanto da cultura em que aquilo ocorreu, e na entrevista vê-se como existe muito de pessoal em seu tabalho. A entrevista com o shock rocker Marilyn Manson também é muito boa, e vai chocar quem nunca viu antes a maturidade com que ele se expressa fora dos palcos.

E por falar em animações com críticas aos costumes norte-americanos, Tiros em Columbine traz, durante sua projeção, uma animação muito legal criada por um tal de Ryan Sias e feita em Flash.

Pra terminar: Moore e o filme fazem parte de uma história maior que você só poderá conhecer acompanhando notícias nos jornais. Um bom lugar pra começar é o site oficial do diretor anunciado no final do filme (depois de tocar What a Wonderful World interpretado por Joey Ramone). Se você também gosta de não-ficção, não deixe de visitar o site! O pau está quebrando feio nos EUA desde o fatídico evento daquele 11 de Setembro, e parece que será justamente sobre esse quebra-pau que o próximo filme de Michael Moore vai falar.

     

Direção:
MIchael Moore