O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas
(T3: Rise of the Machines, EUA, 2003)



Melhor filme do verão americano.

Claro, isso porque Hulk, para mim, não é filme de verão. Hulk é filme de macho. De diretor macho, produtor macho, roteirista macho e elenco macho. E isso não tem nada a ver com sexo, mas com atitude. Afinal, o Hulk tem produtora (Gale Anne Hurd) e atriz (Jennifer Connelly).

Todo filme de verão tem uma certa característica, um certo quesito que o torna um "filme de verão". Chama-se "espetáculo". Um filme de verão não é necessariamente bom, mas tenta criar um show cada vez maior a cada ano que passa. É só comparar Matrix Reloaded com o primeiro, As Panteras Detonando com o primeiro, e por aí vai. O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas entrega esse espetáculo. Aliás, entre os exemplos citados, é o que melhor entrega.

Tudo bem, é dureza calçar os sapatos que um dia foram de James Cameron, mas Jonathan Mostow (Breakdown, U--571: A Batalha do Atlântico) faz um eficiente trabalho com um tema que já está meio gasto. Porque, sejamos francos, eu adoro a série Terminator mas o segundo filme é uma reciclagem bem batida do primeiro. Mas Cameron é um baita diretor e consegue contar a mesma historinha duas vezes sem ficar chato.

Mostow conta a mesma historinha também: as máquinas do futuro enviam um exterminador, nesse caso um modelo T-X (a bela Kristanna Loken) para matar o jovem John Connor (Nick Stahl), hoje com seus vinte e poucos anos e vagando pelo país. Sem identidade, sem emprego fixo, fazendo o possível para sobreviver. Sua mãe Sarah está morta e o que seria o "Dia do Julgamento", onde as máquinas entrariam em guerra contra a humanidade, já passou e nada aconteceu. Mas John nunca baixou a guarda. Por isso, a T-X veio eliminar não apenas ele, mas também seus principais tenentes, o que inclui a veterinária Kate Brewster (a quase tão bela Claire Danes). Claro que os humanos não deixam barato e mandam um T-800 (Arnold Schwarzenegger) de volta no tempo para proteger o futuro salvador da humanidade.

O truque é o mesmo: um exterminador com uma aparência mais frágil é muito mais poderosa que o T-800. A T-X é uma mistura do T-1000 de Robert Patrick no segundo filme com o T-800. Uma cobertura de metal líquido com um esqueleto robótico, mas com um avanço: ela faz suas próprias armas. Lança-chamas, raios, pode escolher. Infelizmente, Loken não tem aquele jeitão assustador de Patrick. Ela é super fria como ele, mas falta aquele olhar meio psicótico, meio desumano e totalmente assustador do T-1000. Aquele ar de "para mim você não é nada, não estou nem aí se você vive ou morre. Pisar numa formiga e colocar uma bala na sua cabeça, para mim é a mesma coisa".

Um aspecto bacana do roteiro é que ele continua tocando no ponto da predestinação. No primeiro filme, o soldado Kyle Reese é mandado de volta no tempo, não para impedir o futuro de acontecer, mas para garantir que ele aconteça do jeito que ele conhece. Que John Connor torne-se o líder da resistência humana. Vale lembrar que os humanos ainda não venceram a guerra contra as máquinas, mas podem vir a vencer por causa de Connor. E visualmente, o final do primeiro filme, com Sarah saindo do posto de gasolina em direção à tempestade, só serve para mostrar que dias sombrios virão.

Quando digo que o segundo filme é uma reciclagem do primeiro, está incluso o mesmo tema de predestinação. O T-1000 é mandado de volta no tempo para matar John, o T-800 para salvar John. A idéia de tentar mudar o destino é de Sarah Connor, baseada em informações carregadas pelo Exterminador. O que muda mesmo, bem... é a fama. Schwarzenegger nunca poderia ter continuado sendo o vilão no segundo filme, quando estava no auge da fama. E a mudança é bem vinda, claro. Tanto que o segundo filme acaba sendo melhor que o primeiro.

Em T3, o tema continua. A T-X é mandada para matar John e seus tenentes enquanto o T-800 é mandado para protegê-los. Porque a idéia básica do filme é que estamos predestinados de uma forma ou de outra. Que se algo estiver fadado a acontecer, vai acontecer e não importa o que você faça. O mesmo tema foi tocado de formas diferentes em filmes como Minority Report e o próprio Matrix. Cada um acredita no que quer, que você faz o seu destino (Neo e Sarah Connor) ou que você está predestinado (Kyle Reese). De qualquer forma, na série Terminator, vai acontecer.

Nick Stahl como John Connor substitui Edward Furlong direitinho. Afinal, Furlong hoje em dia tem aquela cara de vagabundo maconheiro indisfarçável, então a mudança veio para bem. Claire Danes continua uma gracinha e a química entre ela e Stahl é boa. Schwarzenegger não é mais aquele mas aguenta direitinho. Dá dá para ver o quanto ele está velhinho, ele acaba de completar 56 anos e isso para um ator de filmes de ação é muita coisa.

O mais bacana é o que os roteiristas John Brancato, Michael Ferris e Tedi Sarafian, acompanhados do diretor Jonathan Mostow fazem com a franquia. É uma manobra arriscada mas bem-vinda. Eu pelo menos gostei muito. Eles não "fecham a porta" exatamente mas abrem um leque para se contar uma história que está pedindo para ser contada desde o primeiro filme.

Os problemas que eu tive com o filme foram mínimos. Schwarzenegger não está imponente como nos outros filmes, onde ele é fotografado para parecer um gigante. Em certas cenas, ele é quase do mesmo tamanho de Stahl. Uma maquiagem aqui e ali podiam ser melhores e pelo menos duas cenas eu tenho certeza que foram excluídas na edição. Mas a ação é sensacional! Estava com saudade de ver uma cena de luta onde não tem kung fu. Coisa bruta! Seca! Onde cada soco conta, onde tudo que estiver à mão é uma arma, e não todo aquele ballet para enfeitar. Não que eu seja contra o kung fu, acho que ele tem seu lugar como em O Tigre e o Dragão mas se a T-X assumisse uma posição de luta e começasse a dar chutes e pulinhos, eu ia ficar muito decepcionado com o Mostow. Tudo bem que ele ainda não é um super diretor que tem um estilo visual e narrativo pessoal, mas para um diretor de estúdio o cara é bem competente. Muito melhor que os videoclipeiros/publicitários de plantão.

O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas, na minha humilde opinião, é o melhor filme do verão americano até agora. Bem narrado, com atuações competentes, bons efeitos e cenas de ação alucinantes! Aqui sim eu vi uma perseguição de carros que me deixou sem fôlego. Filmão que, apesar de não ser tão bom quanto os dois primeiros, não fica devendo nada a ninguém! E do jeito que o filme acaba, só fazendo mais uma trilogia! E que venha mais Jonathan Mostow! Ganhou meu aval para fazer Superman!

     

Direção:
Jonathan Mostow

Com:
Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Claire Danes, Kristana Loken

Cotação: