A Supremacia Bourne
(The Bourne Supremacy, EUA, 2004)




Jason Bourne, o agente secreto mais bacana dos últimos anos, está de volta. Talvez não em tão boa forma quanto esteve nas mãos de Doug Liman, mas ainda capaz de fazer das suas. Dessa vez, ele é incriminado pelo assassinato de dois agentes da CIA, o que inicia uma série de outros eventos relacionados.

Matt Damon continua incrível como o protagonista. Ele parece abandonar todas aquelas pequenas características que transformam um espião em um herói, como acontece com James Bond por exemplo. Claro, em Bond, tais clichês são propositais e servem ao personagem e sua história. Mas é bom ver um filme sério sobre o assunto. Bourne seria muito mais parecido com um Jack Ryan do que para um típico action hero. O que vemos é um homem, não um personagem. Um homem contra o mundo, em busca de respostas, em busca de vingança. E o melhor é que como Damon não se encaixa fisicamente no perfil, por se parecer mais com um americano típico do que com um astro de Hollywood, tudo fica ainda mais convincente.

Ao mesmo tempo, ele tem que dividir seu tempo de tela com uma dupla fenomenal: Joan Allen, que aqui interpreta a diretora Pamela Landy que está à caça de Bourne, e o sempre eficiente Brian Cox, que volta como o calculista diretor da CIA Ward Abbott. Já vimos ambos em papéis melhores, principalmente Cox que aqui parece um tanto exaltado demais (ao contrário do seu personagem em A Identidade Bourne), mas continuam muito bem. Julia Stiles, repetindo seu papel de Nicky, ganha um pouquinho mais de falas nessa continuação e também faz um bom trabalho.

Meu único medo em relação ao filme acabou se confirmando: a câmera transloucada de Paul Greengrass. Em seus momentos mais tranquilos e algumas cenas de ação, ele se controla. Já nas perseguições de carro e nas lutas corpo-a-corpo, só ele mesmo deve entender o que se passa na tela. Não incomodou como eu pensei que incomodaria mas perde um pouco do charme do primeiro, que é muito mais bonito visualmente. O tipo de iluminação escolhida também prejudica. Enquanto a imagem do primeiro é linda e de alta resolução, aqui Greengrass parece até achar charmoso o filme ficar desfocado de vez em quando. Para esse tipo de coisa, é necessária muita competência, como Michael Mann mostra em Colateral.

Outro problema é que a história não se desenvolve bem durante o filme. As perseguições e lutas reinam sem dar muitas pistas do verdadeiro mistério, até que no final tudo se explica. Não é ruim mas acaba chegando em um ponto que você tem que aguardar a explicação ao invés de montá-la como um quebra-cabeça em sua mente durante o decorrer do filme.

Mas Greengrass mostra promessa como diretor. O filme tem um ritmo muito bom e algumas cenas são bem inspiradas. Em destaque, a ponte durante a fuga na Índia ou quando Bourne telefona para Landy (uma cena que está no trailer mas que fica ainda melhor quando estendida no filme). Também é bom ver que eles não tentam isentar Bourne de seu passado como assassino da CIA. Ele pode estar buscando a redenção agora mas ele é o que é: um assassino. E muito bom no que faz!

A SUPREMACIA BOURNE pode não entrar na minha lista de melhores do ano ou ter o charme de seu antecessor, mas é um bom programa em meio ao que está atualmente em cartaz em termos de blockbusters americanos.

     

Direção:
Paul Greengrass

Com:
Matt Damon, Karl Urban, Franka Potente, Brian Cox, Joan Allen, Julia Stiles

Cotação: