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Star
Wars: Episódio II - Ataque dos Clones (Star Wars:
Episode II - Attack of the Clones, EUA, 2002)
Por: Kas
Passado
uma década após Star Wars: Episódio I -
A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones dá
seqüência à série de acontecimentos políticos
da primeira aventura. Graças ao número cada vez maior
de facções dissidentes, a República estuda
a possibilidade de criar um exército de clones para auxiliar
os Cavaleiros Jedi a manter a paz na galáxia. Tudo não
passa de um maquiavélico plano engendrado pelo misterioso
Darth Sidius, que se esconde dos heróis na pele do bem-intencionado
Senador Palpatine (Ian McDiarmid). Logo no ínicio, a ex-Rainha
de Naboo e agora senadora Amidala (Natalie Portman), opositora ferrenha
da proposta, é vítima de um atentado. Obi-Wan Kenobi
(Ewan McGregor) e o já adolescente Anakin Skywalker (Hayden
Christensen), respectivamente mestre e pupilo Jedi, são encarregados
de protegê-la a qualquer custo.
Como
todo mundo sabe, Amidala e o impulsivo Anakin irão se apaixonar
para posteriormente (no Episódio III, que será
lançado em 2005) ela engravidar de um casal de gêmeos,
Luke e Leia, protagonistas da segunda trilogia da série.
Os votos de um Cavaleiro Jedi o proíbem de manter relações
com alguém, mas isso aparentemente não é o
suficiente para segurar os hormônios do jovem Anakin. Haja
força, aliás, para não cair em tentação
pela graciosa Natalie Portman.
Massacrado
por crítica e fãs pelo resultado capenga obtido pelo
primeiro filme, o todo-poderoso George Lucas mostra com Ataque
dos Clones que, se não se livrou totalmente das falhas
- a maior delas ainda sendo o fato de ter escolhido ele mesmo para
dirigir o filme, no lugar de alguém mais indicado para a
tarefa -, pelo menos deu mais consistência à trama
e investiu mais na aventura que ficou devendo no Episódio
I. Ataque dos Clones é uma sucessão de
cenas de ação, ligadas por outras que beiram o tédio.
Se
em 1977, quando realizou Guerra nas Estrelas - hoje conhecido
como Episódio IV - Uma Nova Esperança - Lucas
deu o pontapé inicial num império - que inclui a empresa
de efeitos especiais Industrial Light & Magic e a de sistemas
de som THX - que ergueria o cinema a um novo patamar de excelência
técnica, na nova trilogia o cineasta abraça de vez
o digital. Em nenhum momento de Ataque dos Clones (cujo orçamento
ultrapassou os US$ 130 milhões) foi usado película.
A produção foi inteiramente gravada em digital e finalizada
nos computadores da IL&M, onde diferenças cromáticas
e de profundidade foram atenuadas de forma a não causar estranhamento
no público. O resultado é louvável, apesar
de ser muito cedo para dar a película como aposentada. Principalmente
nas tomadas mais escuras, falta o contraste que dá consistência
aos elementos cênicos. A profundidade de campo também
é deficiente. Mas não deixa de ser um marco, um passo
gigantesco e importantíssimo rumo a uma nova etapa da história
do cinema. E, felizmente, temos a oportunidade única de presenciar
este passo. Confesso que esta sensação de estar testemunhando
esta evolução foi o que mais me emocionou durante
toda a projeção
O
ataque do sono - Logo após a seqüência de
ação que se segue ao segundo atentado à vida
de Amidala, o filme se divide em duas tramas distintas: a primeira,
muito mais interessante, mostra a investigação empreendida
por Obi Wan Kenobi para descobrir quem é o responsável
pelo atentado, o que leva o Jedi ao planeta Kamino, onde está
sendo desenvolvido secretamente o exército dos clones. Aqui
Lucas dá um destaque todo especial ao vilão Jango
Fett, um caçador de recompensas que serve como doador do
DNA usado para clonagem.
A segunda
trama, infelizmente é de doer: depois de retornar à
Naboo, seu planeta natal, Amidala inicia um flerte romântico
com Anakin e logo, logo os dois estão literalmente rolando
na relva, com cachoeiras ao fundo ou se declarando em frente à
lareira. Estas sequências chegam a ser constrangedoras. A
concepção de Lucas para cenas românticas parece
ter saído daqueles romances bregas vendidos em banca estilo
Sabrina: cada enquadramento é emoldurado com rosas
vermelhas ou banhado pelo pôr do sol.
A partir
deste momento, não teve som ou imagem digital que impedisse
que o lado negro do cansaço tomasse conta. As cochiladas
se seguiram durante toda a seqüência em que Anakin, ao
se declarar para Amidala, sabe-se lá porque cargas d'água,
cisma, após dez anos, em ver sua mãe novamente. Em
A Ameaça Fantasma, ela ficou escravizada no planeta
Tatooine enquanto Anakin partia para se tornar um poderoso Jedi.
Nestas incongruências que nem a fantasia pode explicar, ele,
durante dez anos de treinamento Jedi, nunca voltou ao planeta para
libertá-la. Pois bem: o casalzinho parte para Tatooine e
o resto não deve ser contado. Vale apenas acrescentar que
irá conduzir o impetuoso Anakin cada vez mais para o lado
negro da força. E que o filme continua ridículo e
sem lógica.
O grande
problema desta trama paralela é que não tem efeito
especial que compense a inépcia de Lucas em dirigir atores
e construir diálogos acima do medíocre.
Como
bem colocado pelo New York Times, o filme é uma oportunidade
perfeita para bons intérpretes como Ewan McGregor, Natalie
Portman e Samuel L. Jackson recitarem os piores diálogos
de suas vidas. Recitarem sim, já que raramente conseguem
injetar alguma emoção ou expressividade em seus personagens.
Quando
tudo parece estar perdido, e o sono não permite mais nenhuma
resistência, eis que George Lucas resolve concluir a trama
em grande estilo, com uma batalha nunca antes vista em nenhum episódio
da série: duelos com sabres de luz, ataques de monstros e
exércitos de robôs, os cavaleiros Jedis - o baixinho
Yoda incluído - em ação, enfim, um festival
ininterrupto de efeitos especiais de cair o queixo. Toda a ação
alucinante espanta novamente a sonolência e traz de volta
um pouco da empolgação que a marca Star Wars
agrega. Falta porém o encantamento da trilogia original.
Tudo é muito plastificado, excessivo e vazio. A sensação
que fica é que a magia foi esquecida numa galáxia
muito, muito distante...
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Direção:
George Lucas
Roteiro:
George Lucas e Jonathan Hales
Música:
John Williams
Com:
Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman, Samuel L. Jackson,
Christopher Lee,
Ian McDiarmid |
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