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Sr.
e Sra. Smith
(Mr. and Mrs. Smith, EUA, 2005)
Doug
Liman já tinha mostrado seu talento para comédias
em projetos menores como SWINGERS e VAMOS NESSA. Depois, me arrebatou
com o competente thriller A IDENTIDADE BOURNE. Nada mais
adequado que seu próximo projeto unisse os dois gêneros
e nos presenteasse com o delicioso SR. E SRA. SMITH,
um filme que tinha tudo pra dar errado.
Por que? Liman é conhecido como um diretor problemático.
Suas mudanças de idéia sobre cenas em plena filmagem,
seus abusos de poder (durante as filmagens de BOURNE ele manteve
parte da equipe fazendo hora extra para iluminar a mata enquanto
ele jogava paintball) e suas constantes brigas com os produtores
(que participaram ativamente da edição de seus dois
últimos filmes para chegar em um consenso) o tornam um risco.
Mas as bilheterias e sua aprovação pela crítica
em geral acabam tornando-o bem vindo em Hollywood. Tudo bem que
Liman teve que pedir a Matt Damon para interceder em seu favor para
a direção da continuação A
SUPREMACIA BOURNE mas mesmo assim os produtores trocaram-no
por Paul Greengrass (que também fez um ótimo trabalho).
Agora,
adicione dois atores que, apesar de sua incrível popularidade
e mesmo talento, há muito vêem amargando semi-sucessos
nas bilheterias. Aliás, Brad Pitt ainda
abandonou as filmagens de SR. E SRA. SMITH por
três meses para filmar o bobinho DOZE HOMENS E OUTRO SEGREDO.
O
resultado? Um dos filmes mais divertidos do ano e um sucesso surpresa
nas bilheterias (quase US$ 100 milhões de dólares
em menos de dez dias de exibição).
A
premissa é simples (com um toque de TRUE LIES): Pitt e Angelina
Jolie vivem um entediado casal de assassinos profissionais
de agências competidoras que não sabem da profissão
um do outro. Até que lhes é dada uma mesma missão:
assassinar Benjamin "Tank" Diaz, vivido pelo carismático
Adam Brody, disparado a melhor coisa da série
de TV THE O.C..
Em
um filme como esse, grande parte depende da química entre
os protagonistas. Isso há de sobra! Tudo bem que corre o
boato de que os dois são realmente um casal (eu preciso de
provas mais concretas), mas os paparazzi estão atrás
de Pitt e Jolie como abelhas no mel e a mídia americana já
criou o ridículo apelido "Brangelina". Os dois
mostram um timing para comédia de dar inveja a Steven
Soderbergh e seu humor nonsense de ONZE HOMENS E UM SEGREDO e sua
continuação. Aliás, para quem se deu tão
mal com seu colega de cena em INIMIGO ÍNTIMO, Pitt homenageia
vários trejeitos de Harrison Ford no melhor estilo "homem
comum em circunstâncias extraordinárias".
Já
dos coadjuvantes não se pode dizer muito. Brody não
tem muito o que fazer com seu pequeno papel, mesmo sendo ele uma
versão mais contida de seu Seth Cohen televisivo. A chatice
fica por conta de Vince Vaughn, o comic relief
que acaba desequilibrando um filme que já tinha humor na
dose certa sem seus exageros, que têm cara de improvisação.
As
cenas de ação, como Liman já tinha mostrado
antes, são maestrais. Especialmente a perseguição
automobilística e a luta do casal que conseguem ser ao mesmo
tempo violentas e cheias de humor. O filme peca por ser um pouco
longo demais, com pequenas sequências que servem apenas para
tapar buracos que nem mesmo existem. Ou seja, vira um solavanco.
Estranhamente, não há um vilão definido. Tem-se
apenas uma situação em que os personagens se vêem
envolvidos. Não que isso tenha feito muita falta mas o filme
acaba meio de repente. Mas o minuto final de filme, não vou
contar exatamente o que acontece, é impagável.
SR.
E SRA. SMITH não reinventa fórmulas. Não
vai ganhar Oscars ou ser indicado a um Globo de Ouro. Pelo menos
eu acho que não. Mas deve, e com razão, fazer a festa
no MTV Movie Awards.
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Direção:
Doug Liman
Com:
Brad Pitt, Angelina Jolie,
Adam Brody, Vince Vaughn
Cotação:
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