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Shrek
2
(EUA, 2004)
Ao
contrário do Gelogurte, eu gosto muito do primeiro Shrek.
Talvez não esteja na lista dos meus desenhos animados favoritos,
como A Viagem de Chihiro
ou Procurando Nemo ou
As Bicicletas de Belleville.
Mas ainda assim, eu acho Shrek um filme divertido e até
mesmo inovador dentro daquilo que propõe: a desconstrução
dos contos de fada clássicos sem deixar de ser um produto
para o grande público.
Vejam
bem, o herói é um ogro verde, mal-humorado e porcalhão,
o escudeiro é um irritante burro falante, a heroína
é uma princesa nada convencional, que luta kung-fu, arrota
e come feito uma porca. E o vilão é o suposto “príncipe”
da história. Onde mais alguém viu isso antes?
Algumas
piadas podem ser datadas sim (como as referências a Matrix),
mas o principal é a intenção de desmoronar
o politicamente correto que reinou nas adaptações
de contos de fadas para o cinema no século passado, especialmente
nas produções da Disney. E isso Shrek conseguiu
fazer com relativa competência, embora tenha me irritado o
fato de eles não terem dado um passo além. Quer dizer,
por que Fiona deveria se transformar em ogra para ficar com Shrek?
Qual o problema em relações inter-seres de contos
de fadas? Mas acho que isso é mais chatice da minha parte
mesmo.
Quando
anunciaram a continuação, como sempre fiquei com o
pé atrás, pois cheirava a um caça-níqueis.
Mas, para meu alívio, SHREK 2 consegue ser
tão boa, e em alguns aspectos, melhor que o original.
A história
do continuação é a seguinte: depois de casarem,
Shrek e Fiona são convidados a conhecer os pais da noiva,
o rei e a rainha do Reino Muito Muito Distante. Obviamente o reencontro
entre os pais e a filha não é muito agradável,
afinal, eles acreditavam que ela havia se casado com o Príncipe
Encantado. A mãe ainda tenta ser conciliadora, mas o pai
de Fiona e Shrek se desentendem completamente, para a tristeza da
princesa. E para completar a história, a Fada Madrinha, uma
rica empresária da indústria de poções
mágicas, tem um interesse especial em fazer com que Shrek
e Fiona se separem. Afinal, ela é a mãe do Príncipe
Encantado, o prometido da princesa.
A trama em si
não é tão brilhante, inclusive, está
mais que na cara qual é o grande mistério da história,
mas isso é o menos importante.
O que
realmente vale ali são as personagens, não apenas
isoladamente, mas em suas interrelações. O timing
e o entrosamento dos dubladores (pelo menos os originais) está
realmente fantástico, e ninguém brilha mais que o
outro. Até mesmo o quase sempre canastrão Antonio
Banderas se sai muito bem fazendo a voz do latino Gato
de Botas.
Novamente,
os dogmas dos contos de fadas são divertidamente questionados.
Mas SHREK 2 não se restringe apenas a esse tipo de situação
para criar seu humor.
Ele
é uma mistura daquela típica comédia de costumes,
principalmente no que se refere ao encontro entre o genro e os sogros.
Entrando numa Fria é a referência imediata
quando pensamos nesse tipo de história, mas sinceramente,
SHREK 2 consegue ser muito mais hilário e emocionante nesse
quesito.
As
piadas e referências à cultura pop em geral continuam
em todos os cantos. O fato de o Reino Muito Muito Distante ser uma
réplica fantasiosa de Los Angeles é fenomenal, com
todas as peculiaridades que a capital da indústria do entretenimento
tem. Não falta nem mesmo os programas ao estilo Entertainment
Tonight sobre as celebridades não tão celebres
assim (a recém terminada novela das nove perde feio em termos
de crítica a esse fenômeno).
O mais
surpreendente é que apesar de não pregar o politicamente
correto, como uma boa fábula, SHREK 2 consegue passar certas
lições de moral como o que importa é o que
se é por dentro, numa crítica sagaz ao culto pós-moderno
da beleza física, ou ainda de que é as diferenças
existem apenas para os que dão a elas mais importância
do que elas realmente têm.
Enfim,
SHREK 2 é um bom filme. Engraçado, divertido, tecnicamente
impecável, com uma trilha bacana. Só mesmo sendo muito
mal-humorado para não ter nem que seja um mínimo de
simpatia por ele.
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Direção:
Andrew Adamson e Kelly Asbury
Com
as vozes de:
Mike Myers, Eddie Murphy,
Cameron Diaz, Julie Andrews, John Cleese, Antonio Banderas, Rupert
Everett, Jennifer Saunders, Larry King
Cotação:
  
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