Show de Vizinha
(The Girl Next Door, EUA, 2004)




Eu espero por esse filme há mais de um ano. O que eu posso dizer? Eu achei que meu amor por comédias românticas adolescentes iam passar quando eu deixasse de ser adolescente. Mas não. Eu ainda sou um completo apaixonado por esse tipo de filme. Acho que porque, de vez em quando, elas são tão otimistas, tão sonhadoras, e eu me identifico muito com isso. Infelizmente eu sou um romântico incurável, que pensa sempre o melhor das pessoas e faz de tudo para agradar (muitas vezes conhecido também como "bunda-mole"). Mas até mesmo nós temos os nossos dias de glória.

É o caso de Matthew Kidman (Emile Hirsch). Matt tem poucos amigos, é retraído, tem ótimas notas, sonha em ir para a universidade de Georgetown para um dia, acredite, ser presidente dos Estados Unidos. Além disso, ele angaria fundos para trazer para seu país o garoto vietnamita gênio Samnang. Seus amigos são os também deslocados Eli (o promissor Chris Marquette, uma versão juvenil de John Cusack, de Freddy vs. Jason e da série Joan of Arcadia) e Klitz (Paul Dano, versão norte-americana do meu amigo Cláudio). Até que um dia, Matt vê sua nova vizinha, Danielle (Elisha Cuthbert), trocando de roupa. Depois de dar o "troco" em Matt, os dois vão se conhecendo, se apaixonando, até que... você vá ver o filme e descubra.

Luke Greenfield como diretor é algo que eu não posso discutir. Seu trabalho mais importante antes deste filme foi uma comédia vagabunda com Rob Schneider, Animal, que eu não me dei nem vou me dar o trabalho de ver. Ele tem algumas decisões que eu acho bastante interessantes como, por exemplo, o uso constante de música. Eu sou da opinião que sempre há uma música bacana para cada momento de nossas vidas e parece que Greenfield divide essa opinião. O problema é que parece que a frase "Negócio Arriscado para a nova geração" meio que subiu à sua cabeça. A cena em que Matt fica esperando Danielle chegar à sua casa é igualzinha ao filme de Tom Cruise. Inclusive a música! E em um momento mais adiante do filme ele rouba uma outra canção do filme.

O problema de SHOW DE VIZINHA é que enquanto é uma comédia romântica adolescente, ela se dá muito bem. Eu fiquei completamente apaixonado pela primeira meia hora do filme. Extremamente romântico com boas doses de humor. O problema é depois disso, quando entra a "virada", ele meio que se perde em situações surrealistas. Umas acertam, outras erram, mas mesmo assim se perde. Ao invés de fazer um filme sobre apaixonar-se pela "pessoa errada" (um tema que todo mundo um dia se identificou ou identificará), ele tenta criar novos desafios que, apesar de alguns serem hilários, não são tão interessantes quanto a relação de Matt e Danielle. Com isso, ele foge de ser um filme comum, com situações mais previsíveis.

Por sorte temos a dupla Klitz e Eli, que roubam as cenas em que aparecem. Aliás, tenho que admitir que o elenco do filme é uma das boas coisas do filme. É quase impossível não gostar de algum dos personagens, mesmo do vilão da história vivido por Timothy Olyphant, de Pânico 2 e Vamos Nessa. E é realmente impossível não se apaixonar por Elisha Cuthbert. Claro, só na primeira meia hora do filme. Depois ela fica meio perdida, como todo o filme, e perde muito do seu charme (talvez por estar filmando 24 Horas ao mesmo tempo).

Mas SHOW DE VIZINHA é ainda um filme bem divertido. Não merece uma nota muito boa, mas eu serei caridoso por:

a) qualquer filme com Elisha Cuthbert merece ser assistido
b) a primeira meia hora é realmente apaixonante
c) todo o elenco é promissor
d) eu já falei que a Elisha Cuthbert merece ser assistida?

     

Direção:
Luke Greenfield

Com:
Emile Hirsch, Elisha Cuthbert, Timothy Olyphant, James Remar, Chris Marquette, Paul Dano

Cotação: