| Uma
Saída de Mestre
(The Italian Job, EUA, 2003)
Por: Gelogurte
e Kas
Gelogurte:
Não posso fazer uma resenha de Uma Saída
de Mestre comparando com o filme que deu origem a
ele, Um Golpe à Italiana (estrealdo por Michael
Caine), porque, sinceramente, eu não assisti.
Kas:
Vixi! Então nenhum de nós pode!
Gelogurte:
É até melhor porque aí não ficamos fazendo
comparações e julgamos o filme simplesmente pelo o
que ele é: um filme despretensioso, divertido e melhor do
que muito pretenso blockbuster que estreou neste fraco verão.
Kas:
Mas esse filme sofre de um mal que aflige esses mesmos blockbusters:
é medíocre, frustrante. E sinceramente não
tenho conseguido me divertir com filmes assim ultimamente. Os filmes
precisam ter algo mais, mesmo que almejem apenas a diversão.
Gelogurte:
Tudo bem que não é uma obra prima. Os atores estão
todos em piloto automático e olha que muitos deles são
dos meus preferidos como Jason Statham, Edward
Norton, Donald Sutherland e claro... a
linda, estonteante, maravilhosa Charlize Theron.
Porque assisti o trailer de O Amor Custa Caro, onde Catherine
Zeta-Jones nunca esteve tão linda, e depois ver a bela Charlize,
é para deixar qualquer marmajo frustrado.
Kas:
A Charlize vale qualquer filme, mesmo um onde ela fica o tempo todo
com os olhos marejados de lágrimas, como esse. Mas voltando
ao assunto, não acho que seja cobrar demais dos filmes que
eles prendam a atenção, surpreendam e sejam realmente
estimulantes. Isso é diversão pra mim! Quando fui
ver Uma Saída de Mestre, era exatamente isso que
eu queria do filme. Ainda mais que é um filme de roubo, que
por natureza já costuma me atrair. Mas, ainda que tenha certas
sequências engraçadinhas e bem feitas, é simplesmente
mais do mesmo. Não existe paixão, tesão nem
nada. A própria equipe está no piloto automático,
tudo é muito burocrático. O filme só melhora
quando abandona a verossimilhança e parte para o absurdo.
Gelogurte:
Realmente... é complicado fazer esse tipo de filme hoje em
dia porque está cada vez mais difícil surpreender
e impressionar o público. Só um caras muito fera para
conseguir manter esse tipo de filme mais vivo. Infelizmente, o cara
que era mestre nisso, John Frankenheimer (Ronin, Operação
França 2) já nos deixou.
Kas:
É, você vê o caso de Onze Homens e um Segredo.
Profissional, competente e só. Falta aquela centelha de criatividade
de Golpe de Mestre, por exemplo.
Gelogurte:
Se falarmos mal de Onze Homens e um Segredo compramos briga
com todas as fãs do mundo, cuidado. Você viu quantos
hate-mails temos recebido sobre +
Velozes + Furiosos ultimamente. Matrix
Reloaded então nem se fala. Mas o que eu posso fazer
se são medíocres? Pelo menos Uma Saída
de Mestre é realmente burocrático, ao invés
de tentar ficar sendo cool como o próprio Onze
Homens... e Matrix Reloaded.
E tem uma coisa que os outros não têm. Charlize Theron.
:o)
Kas:
De pretensão Uma Saída de Mestre realmente
não sofre. Mas isso não faz dele um filme bom.
Gelogurte:
Porque se Onze Homens e Um Segredo tem um problema grave,
este é a Julia Roberts. Primeiro que ela nem é tão
bonita assim. Segundo que o papel dela é extremamente chato!
Ela é a mulher mais mal-humorada do mundo naquele filme.
Ninguém me tira da cabeça que aquele papel deveria
ser da Catherine Zeta-Jones.
Kas:
Isso é verdade. Ou da Charlize Theron.
Gelogurte:
Acho ela muito jovem para o papel. Mas é válido. No
fim das contas, Uma Saída de Mestre é um
filme "inho". Divertidinho, bem-feitinho. E com um elenco
carismático mas que não se esforça nem um pouquinho.
O destaque é mesmo do Seth Green, Mos
Def e Jason Statham, que estão nas cenas mais engraçadas.
Kas:
Incluindo a que você mais gostou, a que o Statham sai pra
conseguir o furgão de TV a cabo.
Gelogurte:
Realmente, boa cena. Quando mostra a origem de cada um dos bandidos
também é jóia.
Kas:
Acho a idéia mais legal do que a realização.
Gelogurte:
Talvez, mas mesmo assim é divertido. Principalmente a do
Mos Def. E a história por trás do Napster também
é boa. Principalmente a obsessão do Seth Green em
ser chamado assim. Uma coisa que eu gostei no filme é que
ele não fica tentando dar um "twist" no final.
Ele é bem linear. Não acontece aquela coisa de "Ah,
você achou que eles estavam tentando fazer isso mas na verdade
estava rolando outra coisa". Porque isso tem sido tão
mal usado ultimamente que a gente já fica assistindo o filme
esperando o tal "twist".
Kas:
Bom, quando um "twist" é realmente bem feito, a
gente não vê ele chegando. O problema é que
esses filmes recentes que você cita nunca surpreendem de verdade,
porque essa reviravolta é anunciada a léguas de distância.
Às vezes até mesmo pelo trailer. Outra coisa que me
incomoda com relação ao filme nem é algo do
filme em si e sim da crítica que considerou Uma Saída
de Mestre uma surpresa inteligente e um dos melhores filmes
do verão. É a mesma crítica que glorifica Onze
Homens e um Segredo, por exemplo. Um povo que não conhece
nada de cinema e se impressiona com qualquer coisa.
Gelogurte:
É, mas ainda assim é melhor que A
Liga Extraordinária.
Kas:
Qualquer coisa é melhor que A
Liga Extraordinária! Aliás, menos As
Panteras Detonando.
Gelogurte:
É, esse verão foi bem fraco. Pensar que apenas dois
filmes, ambos adaptações de quadrinhos, realmente
prestaram: X2 e Hulk.
Kas:
Teve também Procurando
Nemo. Mas não estou dizendo que Uma Saída
de Mestre seja ruim ou que não vale uma ida ao cinema.
Só estou cansado de ficar apenas meio satisfeito com um filme.
É aquele lance do copo "meio-cheio/meio-vazio".
Ao mesmo temp em que fico meio satisfeito, fico meio frustrado com
um filme como Uma Saída de Mestre. Mas vale ver,
tem um ou duas piadas dignas de nota e uma perseguição
final bem bacana. E claro, a Charlize Theron.
Gelogurte:
Claro, esqueci do Nemo,
desculpe. O resto foram filmes médios como esse, Todo
Poderoso e até mesmo +
Velozes + Furiosos. Mas fica então uma nota morna
para um filme morno.
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