Quatro Amigas e um Jeans Viajante
(The Sisterhood of the Travelling Pants, EUA, 2005)


Ainda existe inteligência e sensibilidade em filmes para adolescentes. Depois de anos e anos amargando filmes do gênero que usam e abusam daqueles velhos clichês da mocinha falsa-patinho-feio apaixonada pelo bonitão da escola e perseguida pelas patricinhas de plantão ao estilo de ELA É DEMAIS, ou comédias descerebradas de puro e exclusivo apelo sexual como a série AMERICAN PIE, estamos diante de um filme que evoca o melhor dos filmes adolescentes de John Hughes nos anos 80, cujo melhor exemplar, na minha opinião é o fenomenal CLUBE DOS CINCO.

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE consegue tratar de temas importantes da adolescência como perda da virgindade, morte, amor, amadurecimento e amizade da mesma maneira inteligente e extremamente bem sacada e descolada que Hughes costumava fazer em seus filmes. Sem cair na vulgaridade ou na banalidade.

O filme, baseado no best-seller homônimo de Ann Brashares, conta a história de quatro amigas de 16 anos, que se conhecem desde crianças e juntas passaram por todas as surpresas, algumas agradáveis, outras nem tanto, que a vida lhes impôs. Este será o primeiro verão em que a tímida Lena (Alexis Blendel, a Rory de GILMORE GIRLS), a criativa Carmen (America Ferrera, que surpreende com sua atuação simpática e cativante), a autêntica Tibby (Amber Tamblyn, da série JOAN OF ARCADIA) e a espontânea Bridget (Blake Lively) vão se separar.

Lena viajará para a Grécia para finalmente conhecer os avós paternos, Bridget irá participar de um acampamento de verão no México para aprimorar seu desempenho no futebol, esporte que é campeã, Carmen vai visitar o pai que vê apenas duas vezes no ano, e Tibby pretende gastar o seu verão fazendo um documentário sobre "como viver como um perdedor".

Pouco antes de viajarem, as meninas decidem sair para fazerem comprar e encontram um jeans que inexplicavelmente serve em TODAS elas, apesar de cada um ter uma altura e peso diferente. Fascinadas pela "mágica" da calça, decidem fundar Irmandade da Calça Viajante (que é, aliás, o título original do filme). A calça irá acompanhar cada uma delas durante as férias, passando uma semana com cada uma, ajudando-as com "sua mágica" e servindo como ponte entre as quatro amigas, unindo-as apesar das distâncias geográficas.

O fator mágico, embora acrescente um efeito quase lúdico ao filme, é apenas pano de fundo para uma história de que trata, na verdade, do processo de crescimento, da dura passagem da infância para a vida adulta. Este é o verão em que essas meninas tomarão o passo efetivo para se tornarem adultas, o que traz não apenas experiências felizes, mas também algum sofrimento no meio do caminho. Sofrimento por vezes necessário, e que, independente dele, ou talvez por causa dele, faz nascer a certeza de que vale a pena arriscar.

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE é sobretudo uma ode a amizade. E tem como maior trunfo a sinceridade das atrizes na composição de suas personagens, que nos fazem realmente acreditar que a amizade daquelas meninas é, de fato, uma irmandade. União, que é, inteligentemente reforçada por criativas elipses. A mesma lua que é vista na Grécia por Lena, brilha para Tibby em sua cidade natal, ou para Bridget no México, só para citar um diversos dos exemplos.

Outro ponto de destaque são os diálogos inteligentes, porém sem aquele ranço de filme "cabeça". Algo, que, novamente, digo, não via desde os filmes de John Hughes.

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE consegue ter aquela mesma melancolia mesclada com uma teimosa esperança dos filmes desse diretor.

Enfim, QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE é um pequeno sopro de sensibilidade no atual cenário de filmes voltados para o público adolescente, podendo ser apreciado com igual prazer por pessoas de qualquer idade, desde que não tenham se deixado tomar completamente pelo cinismo ou não tenham tido o cérebro entorpecido pela maioria das produções do gênero.

     

Direção:
Ken Kwapis

Com:
Amber Tamblyn, Jenna Bond, Alexis Bledel, America Ferrera, Blake Lively, Nacy Travis, Bradley Whitford

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