Procurando Nemo
(Finding Nemo, EUA, 2003)
Por: Katchiannya

Eu adoro as animações da Pixar. Eu sempre saio feliz do cinema quando assisto a algo produzido pelo estúdio. Não sei explicar, é um tipo de alegria leve, o dia fica mais colorido. São histórias divertidas, cheias de referências culturais e cinematográficas, como por exemplo a Star Wars em Toy Story 2, ou Os Sete Samurais em Vida de Inseto. É claro que possui as esperadas lições de moral, mas nada didático e enfadonho como nas maiorias das produções infantis. Tudo que eu gosto num mesmo pacote.

Portanto, não estou dizendo nada de surpreendente ao afirmar que amei Procurando Nemo. Se é melhor que Toy Story ou Monstros S.A. já é outra história. Quer dizer, apesar de ter todas aquelas características que citei acima e outras mais como o tipo de traço, as cores, o ritmo da história e humor similar, as produções da Pixar conseguem ser bem distintas umas das outras, não dá para comparar. É igual, mas é diferente, entende?

Mas Procurando Nemo não vai decepcionar ninguém que esteja procurando (sem trocadilhos) um filme divertido, empolgante e inteligente (porque desenho pra criança não precisa ser estúpido e pode muito bem ser apreciado por um adulto).

A animação está fantástica, e melhor a cada nova produção do estúdio. É possível perceber toda a vastidão, dinâmica e diversidade da fauna marinha. Cada personagem tem uma personalidade e característica próprias, que condiz com o tipo de animal que ela é. As cenas de ação são eletrizantes, como a da perseguição dos tubarões, a fuga da "floresta de
águas-vivas" e o ataque das gaivotas (inspirado no clássico Os Pássaros, do mestre do suspense Alfred Hitchcock).

As partes cômicas fluem naturalmente, sem forçar a barra. Enfim, tudo muito bom.

A história? Bem, tudo começa quando um peixe-palhaço chamado Marlin e sua esposa Coral vivem felizes em um recife. A vizinhança é ótima, seus bebês (mais de 400 ovas) estão para nascer. A vida é perfeita. Até que um dia, um predador ataca a casa de Marlin, devorando sua esposa e quase todos os filhotes. Tragédia das tragédias. Sobra apenas um filhotes, Nemo, que cresce com um pequeno defeito em uma nadadeira, resquício do ataque?

Marlin se torna um pai super-protetor, sufocando Nemo com seu excessivo zelo. E é numa dessas ocasiões, para desafiar o pai, que Nemo nada em mar aberto, próximo de um barco, e é capturado por um dentista de Sidney, Austrália.

A partir daí a narrativa se divide em dois pólos, a busca de Marlin por Nemo e a tentativa de Nemo de fugir do aquário do dentista.

Marlin conta com a ajuda da peixinha Dory, que sofre de perda de memória recente. Enfrenta tubarões (que participam de um grupo de auto-ajuda cujo lema é "Os Peixes são amigos, não alimento", tem até os passos de programas desse tipo), criaturas abismais e águas vivas, encontra tartarugas (com ginga de surfista) e baleias, e acaba se tornando uma lenda nos mares.

Já Nemo, apesar de estar em um aquário, não passa por menos dificuldades, pois o dentista quer dá-lo de presente à sua sobrinha, cujo maior prazer é sacudir o saco plástico até matar os peixes. A Felícia de Tiny Toons perde feio para ela. A moleca é tão maligna que toda vez que aparece a música de Psicose toca ao fundo. Portanto, superar seu medo e dependência para fugir do aquário é uma questão de sobrevivência para o pequeno Nemo.

Como é de se esperar tudo dá certo. Pai e filho se reencontram. Marlin compreende que não há como impedir Nemo de crescer e se tornar independente e que seu excessivo zelo faz mais mal que bem, pois o impede de experimentar a vida, não apenas as coisas ruins, mas as boas também. Nemo, por sua vez, aprende que seu defeito físico não é empecilho para que leve uma vida normal, e que quando queremos podemos superar nossos limites.

Ë um filme carregado de temas fortes, mas com uma roupagem leve. Sobre perda, tragédias, os perigos e dificuldades da vida, com um protagonista portador de deficiência física (coisa rara neste tipo de produção) e a necessidade de não ter medo de encarar tudo isso de frente (mas não sozinho). Tudo tratado de uma forma tão natural (como realmente deve ser), que nem se percebe a seriedade do assunto.

Também tem é claro, as cenas extras, nos créditos do filme. Embora não tão divertidas quanto as de Vida de Inseto e Monstros S.A., vale a pena só pela participação do Mike, a criatura verdinha de Monstros. Mais divertido é o curta Knick Knack, que passou antes do filme, sobre um pobre boneco de neve, preso naqueles globos de vidro, tentando fugir dali para se juntar a uma bela boneca de uma lembrança de viagem de Miami. E é claro, o teaser trailer de Os Incríveis, a próxima produção do estúdio sobre uma família de super-heróis (esse promete).

Portanto, Procurando Nemo é um programa perfeito para alegrar o dia de qualquer um.

     

Direção:
Andrew Stanton e Lee Unkrich

Música:
Thomas Newman

Com as vozes de:
Albert Brooks, Ellen De Generes, Alexander Gould, Willem Dafoe, Brad Garrett, Allison Janney, Austin Pendleton, Stephen Root, Vicki Lewis, Eric Bana, Geoffrey Rush, Andrew Stanton

Cotação: