1)
Matrix
Reloaded - Não que esse seja efetivamente
o "pior" filme do ano. Afinal, 2003 foi pródigo
de títulos-bomba, entre os quais essa segunda parte de
Matrix faz parte. Mas o principal motivo por este estar
encabeçando a lista é simplesmente por ter destruído,
sem dó nem piedade, tudo que era legal e promissor no filme
original. Matrix
Reloaded é também o filme mais inútil
da história do cinema, já que todas as informações
apresentadas aqui são posteriormente negadas no terceiro
(e também péssimo) capítulo. São mais
de duas horas de lenga-lenga, que alguns fãs mais afoitos
confundem com "citações", e cenas de ação
meia-boca. Por tudo isso, Reloaded
merece a coroa. Alguém consegue me explicar porque todos
os personagens desta série não tiram os óculos
escuros? Será que a luz ambiente faz mal aos olhos? Ou
é para a gente não perceber que eles também
estão dormindo?
2)
As
Panteras Detonando - Este, ao contrário
de Matrix Reloaded,
não tinha um primeiro capítulo que nos fizesse esperar
grande coisa, mas ainda assim decepcionou, e muito. É o
exemplo (im)perfeito do filme de ação hollywoodiano
que faz a má fama da indústria do cinema. Sem roteiro,
sem direção, sem narrativa, muita explosão,
câmera lenta e piadas infames, visual de videoclip e personagens
que tentam ser cool todo o tempo. Nem a presença das garotas
salvam essa bomba. E mesmo não tendo faturado nas bilheterias,
o diretor McG aparentemente irá dirigir
Superman! O horror, o horror...
3)
Halloween: A Ressurreição
- Tudo bem que eu não deveria nem esperar mais nada desta
série, a não ser que role um futuro crossover
com outro ícone do horror. Já pensaram como ia ser
legal vermos algo como Michael Myers X Dr. Phibes? Ou Michael
Myers X O Homem-Cobra? Enquanto isso temos de aguentar um capítulo
picareta como esse, cometido pelo mesmo Rick Rosenthal
que fez Halloween II. Desta vez, o matador imortal participa
de um reality show. Sem sustos, sem suspense, sem graça
e chato que dói. Pior do que uma maratona ininterrupta
de reprises dos Big Brother.
4)
Matrix Revolutions
- A maior virtude da conclusão da trilogia de
Andy e Larry Wachowski é
ser superior à segunda parte, o que convenhamos, não
é muito difícil. A primeira hora segue a linha de
Reloaded, ou seja,
é totalmente inútil e uma encheção
de linguiça que só se justifica para que o filme
possa ser chamado de longa-metragem. De outra forma, teríamos
apenas as batalhas finais, erguidas com muito aporte financeiro
e pouca imaginação. Quem sou eu para discutir com
os fãs de Matrix, que vêem citações
e referências que passam longe da minha visão turva,
mas os dois últimos (assim esperamos) capítulos
da série cometem o principal pecado que um filme pode cometer:
entediar.
5) Lara
Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida - Também
tem o mérito duvidoso de ser melhor que o filme anterior,
mas mais uma vez desperdiça o talento, as curvas e os lábios
indecentes de Angelina Jolie numa aventurinha
banal, mal feita, típicas das que passam vez ou outra na
Sessão das Dez do SBT. Também, no lugar
de chamarem um diretor bacana e competente, os produtores convocaram
Jan De Bont! O mesmo De Bont que cometeu Velocidade
Máxima 2 e A Casa Amaldiçoada! O roteiro
parece ter sido escrito no banheiro e Gerald Butler,
de longe a melhor coisa do filme (depois dos já referidos
lábios de Miss Jolie), fica relegado a um ridículo
papel secundário. Outra série que morre aqui.
6)
Deus é Brasileiro - O representante
nacional na lista. Claro que sempre que o Cacá
Diegues lança filme novo, tem lugar reservado
nesta seleção. Inspirado num conto de João
Ubaldo Ribeiro, que tem uma premissa encantadora, o filme de Diegues
é uma sucessão de cenas capazes de condenar os realizadores
a um estágio no inferno, tal a incompetência. E não
dá nem pra acusar Diegues de inexperiente, já que
o sujeito tem quase duas dezenas de longas no currículo,
o que faz dele um dos cineastas brasileiros com filmografia mais
extensa. São filmes como esse os responsáveis pela
imagem negativa que o cinema brasileiro ainda tem junto à
grande parte do público.
7) Recém-Casados
- E pensar que Ashton Kutcher foi assediado pela
Warner para ser o Superman... Já que querem f... com a
franquia de vez, por que não chamar a Brittany
Murphy para ser a Lois Lane? Assim eles repetem o casal
desta comédia infame, das mais idiotas e sem graça
já realizadas! O tal casal se conhece, se apaixona, se
casam e vão passar a lua de mel na Europa. Claro que tudo
dá errado, numa série de cenas constrangedoras de
tão fracas. O tal do Kutcher é tão ruim,
mas tão ruim que a gente torce para a mulher dele ficar
com um rival mauricinho que calha de surgir no mesmo hotel que
eles. Quer acabar com seu casamento? Alugue o DVD e assista durante
sua lua de mel.
8)
A
Liga Extraordinária - Outro que padece
no inferno pela oportunidade perdida. A minissérie de Alan
Moore e Kevin O'Neill apresentava uma premissa brilhante e única:
os maiores heróis e vilões da literatura clássica
habitando o mesmo universo. Adaptações da obra original
eram necessárias, mas daí a descaracterizar cada
personagem e criar uma trama sem pé nem cabeça,
com buracos maiores que as crateras da Lua já é
outra história. Junte a isso um elenco desinteressado,
uma direção de segunda e cenas de ação
e efeitos capengas. O resultado? Um merecido oitavo lugar entre
os piores da Galáxia!
9)
O Apanhador de Sonhos - Não
li o livro de Stephen King, mas acho que deve ser tão ruim
que não conseguiu ser salvo nem pelas mãos experientes
e competentes de Lawrence Kasdan (diretor de
Silverado e roteirista de Os Caçadores da
Arca Perdida e O Império Contra-Ataca) e
William Goldman (roteirista de Butch Cassidy
e Louca Obsessão). A trama traz o pior de King:
a mistureba sem pé nem cabeça de vários gêneros
e storylines, acrescida de cenas de extremo mal gosto,
da pior interpretação da carreira de Morgan
Freeman e de um final que consegue ser mais patético
que tudo que veio antes. Se a intenção era fazer
um trash milionário, falhou, porque nem engraçado
o filme consegue ser.
10)
Demolidor - Outra adaptação
de quadrinhos de qualidade que jogou pela janela todas as coisas
boas do material original e aproveitou apenas a pancadaria, encenada
com um amadorismo constrangedor. Aliás, tudo é constrangedor:
da tentativa de Ben Affleck de passar a imagem
de um homem perturbado ao esforço dos vilões em
serem engraçadinhos e ameaçadores, passando por
Affleck, duro como ele só, suando para lutar dentro e fora
do uniforme de couro de segunda. Claro que não dá
pra culpar somente o diretor e roteirista Mark Steven
Johnson. A Fox - que também subverteu A
Liga Extraordinária e tenta de todo jeito destruir
o Quarteto Fantástico - meteu o bedelho em todas
as etapas da produção, o que fica claro no making
of contido no DVD (que é bem superior ao filme em
si). Mas Johnson, um diretor inexperiente e roteirista medíocre,
quis resumir vários storylines clássicos
do personagem em um só filme, talvez temendo não
ter outra chance de comandar uma aventura do personagem. Quer
saber? Talvez não tenha mesmo.
Menções
honrosas: A Máfia
Volta ao Divã, 007: Um Novo Dia Para
Morrer, 8 Mile: A Rua das Ilusões (Kas)