Retrospectiva 2003:
Os Piores Filmes do Ano


Claro que A Galáxia não ia ficar de fora das tradicionais listas de fim de ano. Em breve estaremos colocando no ar a votação empreendida aqui no site e com alguns parceiros e colaboradores dos melhores filmes do ano. Mas por enquanto você pode ir discutindo quais são aqueles títulos que, na minha arrogante opinião, realmente fedem. Alguns serão esquecidos já na próxima leva de lixos em celulóide, outros serão eternamente lembrados como "oportunidades de ouro perdidas". Bom, vamos à lista:

1) Matrix Reloaded - Não que esse seja efetivamente o "pior" filme do ano. Afinal, 2003 foi pródigo de títulos-bomba, entre os quais essa segunda parte de Matrix faz parte. Mas o principal motivo por este estar encabeçando a lista é simplesmente por ter destruído, sem dó nem piedade, tudo que era legal e promissor no filme original. Matrix Reloaded é também o filme mais inútil da história do cinema, já que todas as informações apresentadas aqui são posteriormente negadas no terceiro (e também péssimo) capítulo. São mais de duas horas de lenga-lenga, que alguns fãs mais afoitos confundem com "citações", e cenas de ação meia-boca. Por tudo isso, Reloaded merece a coroa. Alguém consegue me explicar porque todos os personagens desta série não tiram os óculos escuros? Será que a luz ambiente faz mal aos olhos? Ou é para a gente não perceber que eles também estão dormindo?

2) As Panteras Detonando - Este, ao contrário de Matrix Reloaded, não tinha um primeiro capítulo que nos fizesse esperar grande coisa, mas ainda assim decepcionou, e muito. É o exemplo (im)perfeito do filme de ação hollywoodiano que faz a má fama da indústria do cinema. Sem roteiro, sem direção, sem narrativa, muita explosão, câmera lenta e piadas infames, visual de videoclip e personagens que tentam ser cool todo o tempo. Nem a presença das garotas salvam essa bomba. E mesmo não tendo faturado nas bilheterias, o diretor McG aparentemente irá dirigir Superman! O horror, o horror...

3) Halloween: A Ressurreição - Tudo bem que eu não deveria nem esperar mais nada desta série, a não ser que role um futuro crossover com outro ícone do horror. Já pensaram como ia ser legal vermos algo como Michael Myers X Dr. Phibes? Ou Michael Myers X O Homem-Cobra? Enquanto isso temos de aguentar um capítulo picareta como esse, cometido pelo mesmo Rick Rosenthal que fez Halloween II. Desta vez, o matador imortal participa de um reality show. Sem sustos, sem suspense, sem graça e chato que dói. Pior do que uma maratona ininterrupta de reprises dos Big Brother.

4) Matrix Revolutions - A maior virtude da conclusão da trilogia de Andy e Larry Wachowski é ser superior à segunda parte, o que convenhamos, não é muito difícil. A primeira hora segue a linha de Reloaded, ou seja, é totalmente inútil e uma encheção de linguiça que só se justifica para que o filme possa ser chamado de longa-metragem. De outra forma, teríamos apenas as batalhas finais, erguidas com muito aporte financeiro e pouca imaginação. Quem sou eu para discutir com os fãs de Matrix, que vêem citações e referências que passam longe da minha visão turva, mas os dois últimos (assim esperamos) capítulos da série cometem o principal pecado que um filme pode cometer: entediar.

5) Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida - Também tem o mérito duvidoso de ser melhor que o filme anterior, mas mais uma vez desperdiça o talento, as curvas e os lábios indecentes de Angelina Jolie numa aventurinha banal, mal feita, típicas das que passam vez ou outra na Sessão das Dez do SBT. Também, no lugar de chamarem um diretor bacana e competente, os produtores convocaram Jan De Bont! O mesmo De Bont que cometeu Velocidade Máxima 2 e A Casa Amaldiçoada! O roteiro parece ter sido escrito no banheiro e Gerald Butler, de longe a melhor coisa do filme (depois dos já referidos lábios de Miss Jolie), fica relegado a um ridículo papel secundário. Outra série que morre aqui.

6) Deus é Brasileiro - O representante nacional na lista. Claro que sempre que o Cacá Diegues lança filme novo, tem lugar reservado nesta seleção. Inspirado num conto de João Ubaldo Ribeiro, que tem uma premissa encantadora, o filme de Diegues é uma sucessão de cenas capazes de condenar os realizadores a um estágio no inferno, tal a incompetência. E não dá nem pra acusar Diegues de inexperiente, já que o sujeito tem quase duas dezenas de longas no currículo, o que faz dele um dos cineastas brasileiros com filmografia mais extensa. São filmes como esse os responsáveis pela imagem negativa que o cinema brasileiro ainda tem junto à grande parte do público.

7) Recém-Casados - E pensar que Ashton Kutcher foi assediado pela Warner para ser o Superman... Já que querem f... com a franquia de vez, por que não chamar a Brittany Murphy para ser a Lois Lane? Assim eles repetem o casal desta comédia infame, das mais idiotas e sem graça já realizadas! O tal casal se conhece, se apaixona, se casam e vão passar a lua de mel na Europa. Claro que tudo dá errado, numa série de cenas constrangedoras de tão fracas. O tal do Kutcher é tão ruim, mas tão ruim que a gente torce para a mulher dele ficar com um rival mauricinho que calha de surgir no mesmo hotel que eles. Quer acabar com seu casamento? Alugue o DVD e assista durante sua lua de mel.

8) A Liga Extraordinária - Outro que padece no inferno pela oportunidade perdida. A minissérie de Alan Moore e Kevin O'Neill apresentava uma premissa brilhante e única: os maiores heróis e vilões da literatura clássica habitando o mesmo universo. Adaptações da obra original eram necessárias, mas daí a descaracterizar cada personagem e criar uma trama sem pé nem cabeça, com buracos maiores que as crateras da Lua já é outra história. Junte a isso um elenco desinteressado, uma direção de segunda e cenas de ação e efeitos capengas. O resultado? Um merecido oitavo lugar entre os piores da Galáxia!

9) O Apanhador de Sonhos - Não li o livro de Stephen King, mas acho que deve ser tão ruim que não conseguiu ser salvo nem pelas mãos experientes e competentes de Lawrence Kasdan (diretor de Silverado e roteirista de Os Caçadores da Arca Perdida e O Império Contra-Ataca) e William Goldman (roteirista de Butch Cassidy e Louca Obsessão). A trama traz o pior de King: a mistureba sem pé nem cabeça de vários gêneros e storylines, acrescida de cenas de extremo mal gosto, da pior interpretação da carreira de Morgan Freeman e de um final que consegue ser mais patético que tudo que veio antes. Se a intenção era fazer um trash milionário, falhou, porque nem engraçado o filme consegue ser.

10) Demolidor - Outra adaptação de quadrinhos de qualidade que jogou pela janela todas as coisas boas do material original e aproveitou apenas a pancadaria, encenada com um amadorismo constrangedor. Aliás, tudo é constrangedor: da tentativa de Ben Affleck de passar a imagem de um homem perturbado ao esforço dos vilões em serem engraçadinhos e ameaçadores, passando por Affleck, duro como ele só, suando para lutar dentro e fora do uniforme de couro de segunda. Claro que não dá pra culpar somente o diretor e roteirista Mark Steven Johnson. A Fox - que também subverteu A Liga Extraordinária e tenta de todo jeito destruir o Quarteto Fantástico - meteu o bedelho em todas as etapas da produção, o que fica claro no making of contido no DVD (que é bem superior ao filme em si). Mas Johnson, um diretor inexperiente e roteirista medíocre, quis resumir vários storylines clássicos do personagem em um só filme, talvez temendo não ter outra chance de comandar uma aventura do personagem. Quer saber? Talvez não tenha mesmo.

Menções honrosas: A Máfia Volta ao Divã, 007: Um Novo Dia Para Morrer, 8 Mile: A Rua das Ilusões (Kas)