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Peter
Pan
(Austrália/EUA, 2003)
Eu
tenho 26 anos e não me considero um adulto. Nunca consegui
abandonar meu lado criança, que adora revistas em quadrinhos,
filmes de fantasia, bonecos... às vezes fico me imaginando
um super-herói e o que eu faria se tivesse super-poderes.
Ainda me emociono ao ver Christopher Reeve voando em direção
à câmera, mesmo com aquele efeito de tela verde que
não funciona tão bem se comparado com os filmes de
hoje. A verdade é que eu não quero crescer (apesar
de gostar de muitas das coisas do mundo de gente grande!). E por
mais que seja inevitável, eu ainda vivo em um mundo de fantasia,
onde as pessoas são boas, existe amor à primeira vista
e uma pessoa perfeita para cada um.
Ou
seja, meio difícil eu não gostar de um filme como
Peter Pan.
Claro,
como quase todo filme, tem problemas. Mas fiquei muito feliz em
ver certas coisas que eu acho que nunca foram bem feitas. Sempre
achei os Garotos Perdidos ou a Princesa Indinha um bando de pirralhos
chatos. Até mesmo Michael e John nunca foram muito do meu
gosto. Aqui, eles funcionam muito bem. Na verdade, são eles
que arrancam do público as melhores risadas. A cena da armadilha
é divertidíssima.
Outra
coisa que eu nunca fui muito fã são os piratas, outro
ponto alto do filme. E claro, não podia deixar de mencionar
Jason Isaacs como o Capitão Gancho, um ator
que só cresce na minha opinião. Consegue ser assustador,
sádico e ainda assim carismático e divertido.

Rachel
Hurd-Wood que interpreta Wendy quase me transforma em um
pedófilo. Não que o filme incentive a pedofilia como
alguns críticos americanos quadradões andaram dizendo.
É que a menina já se mostra uma grande atriz aos 13
anos e ela é apaixonante. Grande parte do crédito
é do roteiro, que dá a ela boas falas como "never
is an awfully long time" mas a menina promete.
Por
falar em roteiro, a adaptação da obra de J. M. Barrie
é muito boa, dando destaque a pequenos momentos como o beijo
no canto da boca ou as cenas entre Pan e Wendy.

Estranhamente,
meu maior problema com o filme foram as coisas que eu gostava antes:
Pan e Sininho. Jeremy Sumpter não é
ruim mas também não é ótimo, coisa que
alguém interpretando Pan precisa ser. É um papel difícil,
sem dúvida, já que Pan é o herói mas
também é egoísta e convencido. Já Sininho,
vivido pela francesa Ludivine Sagnier, realmente
não tem salvação. É o tipo de coisa
que tira o espectador do clima. É muito chata e caricata,
as piadas dela não funcionam e na hora de "I do
believe in fairies! I do! I do!" eu não consegui
me emocionar por causa da chatice dela.
Outro
problema é que esse é o primeiro filme de mega-orçamento
de P. J. Hogan, ou seja, há uma certa inexperiência
em relação à cenas com efeitos especiais. Muitos
funcionam. A Terra do Nunca ser uma pintura é um daqueles
bons toques, mas ainda assim tem algumas coisinhas meio truncadas.
O crocodilo ficou bem assustador. Gigantesco!
Um
toque especial foi eles terem escolhido atores jovens para os papéis
principais, atores com idades equivalentes a seus personagens. Afinal,
ver um cara barbado tentando interpretar adolescente já cansou.
Já chega Dawson's Creek e Smallville.
O ano
começou bem com Peter Pan, de P. J. Hogan. Diversão
para toda a família.
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Direção:
P. J. Hogan
Com:
Jeremy Sumpter, Jason Isaacs,
Rachel Hurd-Wood, Ludivine Sagnier
Cotação:
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