Peixe Grande
(Big Fish, EUA, 2003)




Eu não sou um fã de Tim Burton. Estranho que todo fã de quadrinhos que eu conheça seja. Eu acho que ele tem umas idéias muito interessantes, a fotografia e designs de set de seus filmes são quase sempre geniais. Mas acho a narrativa dele um pouco lenta demais e sua direção de atores não me impressiona. Claro, toda vez que Burton trabalhou com Johnny Depp tivemos um pequeno espetáculo. Mas Depp se sai bem praticamente com todo diretor competente, então o crédito é dele e não de Burton.

Além do mais, enquanto ele tem filmes bacanas como Ed Wood e Os Fantasmas se Divertem, tem também porcarias como Planeta dos Macacos e Marte Ataca!. Não me interessa se este filme é uma homenagem aos velhos filmes de ficção. Simplesmente não é bom. Não é incompreendido, é ruim mesmo.

Em Peixe Grande, Ed Bloom (Albert Finney) está morrendo de câncer. Seu filho Will (Billy Crudup) vem da França com a esposa para passar os últimos dias ao lado dele e da mãe (Jessica Lange). Só que Will nunca conseguiu se aproximar do pai por achar que o pai só transmite a ele uma imagem falsa e fantasiosa dele mesmo.

Peixe Grande está longe de ser um filme ruim mas arrisco dizer que seja mal aproveitado. Para um filme que é praticamente um grande conto de fadas, Tim Burton parece querer firmar o pé no chão e dar um visual mais realista ao que devia ter aparência de sonho, como ele fez magnificamente bem em Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.

Não que os visuais sejam ruins. Spectre, descrita pelo personagem de Albert Finney, ainda parece uma cidadezinha perfeita. A floresta que a cerca dá arrepios. Mas falta ao filme aquela pitada de surrealismo e fantasia que deixariam o filme muito mais interessante. Apesar disso, ainda existem cenas fabulosas como quando Ed vê Sandra pela primeira vez e seus esforços para conquistar a moça (imagem acima).

É a diferença entre um roteiro de fábulas em um filme visualmente realista. Era a hora de Burton deixar todas as suas esquisitices aflorarem mas ele parece tentar ser levado mais a sério em um filme que de sério não deveria ter nada. Emocionante, fabuloso, fantástico, aí sim. Afinal, se Peter Jackson conseguiu nos fazer chorar em um mundo de mentirinha, tal tarefa não é impossível. Principalmente no cinema, que de vez em quando deveria nos afastar por duas horas do mundo duro em que vivemos.

Como eu disse, Burton não parece conseguir grandes atuações de seu elenco. Aqui, são todos atores de primeira linha mas parecem estar todos em piloto automático. Albert Finney, Billy Crudup, Jessica Lange, principalmente Ewan McGregor. São todos ótimos, estão todos bem, mas nenhum parece realmente apaixonado pelo que está fazendo.

Como sempre, Burton também falha em emocionar. Sua narrativa e direção acabam sendo um pouco frias, distantes, em um filme que deveria, na falta de uma expressão melhor, "deixar o coração quentinho". Mas eu imagino o que seria deste filme nas mãos de um verdadeiro gênio como Terry Gilliam (O Pescador de Ilusões) ou alguém com "mais sensibilidade e senso narrativo", para citar o Kas, como Alfonso Cuarón (E Sua Mãe Também, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban).

Mas como eu disse, Peixe Grande está longe de ser um filme ruim. Talvez seja um dos melhores de Tim Burton, na verdade. Só não é tudo o que poderia ser, o que é uma pena.

     

Direção:
Tim Burton

Com:
Ewan McGregor, Billy Crudup, Albert Finney, Jessica Lange, Danny DeVito, Steve Buscemi, Helena Bonham Carter

Cotação: