As Panteras: Detonando
(Charlie's Angels: Full Throttle, EUA, 2003)



Como posso eu falar mal de As Panteras: Detonando sem dar uma impressão completamente errada? O filme tem três das mais belas e carismáticas atrizes da atualidade, tem referências cinematográficas do começo ao fim (o que eu adoro) e diversas participações especiais. Mas não é bom.

As críticas americanas falaram muito mal da capacidade narrativa do diretor McG, mas o problema não é exatamente ele. O problema é, na minha opinião, o roteiro. Enquanto o primeiro filme é (sem querer ofender) bobinho e inofensivo, esse é bobo demais. E olha que eu adoro o primeiro filme! Mas aqui as três protagonistas estão afetadas demais, histéricas demais, bobas demais. Tudo bem que é divertidíssimo ver Cameron Diaz gargalhando e gritando woo-hoo frente ao perigo, isso eu admito.

Meu grande problema com o filme é que tudo vem muito fácil, não tem suspense nenhum, investigação nenhuma. Elas têm respostas para tudo na ponta da língua! A cena do cocô de gaivota é mais forçação de barra do que a do canto do passarinho no primeiro filme. Mas o problema não é exatamente a sacação, é que o filme fica pulando de cena para cena sem nenhum gancho, sem nenhuma cola. É uma cena delas disfarçadas, passa para uma de ação, volta para um disfarce e assim se repete até o fim do filme.

Quanto às atrizes: como já foi dito, lindas, carismáticas e se dão muito bem nas cenas de ação. Não tem muito o que a gente pode dizer sobre elas. Vê-se que elas estão se divertindo de montão fazendo o filme, mas isso chega até a atrapalhar (o tal histerismo). Elas falam juntas, sorriem juntas, trabalham juntas, fica meio falso. Mas como é que eu posso reclamar de falsidade em um filme onde tudo parece falso? Se você acha que o Neo do Matrix é foda, Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore dão conta dele fácil. As cenas de ação são as mais absurdas que eu já vi. Digo isso num bom sentido. Já Bernie Mac ganha péssimas piadas e eu não conheço a carreira dele a ponto de achá-lo naturalmente engraçado. Espero que eles coloquem um Bosley diferente a cada filme (se houver outros, já que a bilheteria deste está desapontando nos EUA) já que não conseguiram manter sempre o mesmo.

Os vilões não são vilões. Quero dizer, pelo menos não assustam ninguém. Demi Moore está linda como sempre, talvez as melhores falas do filme sejam dela (e olha que nem são boas). Justin Theroux como Seamus O'Grady eu esperava mais pelos trailers. O cara é fisicamente ameaçador mas a voz e o falso sotaque irlandês não convencem. Crispin Glover está de volta como o "Creepy Thin Man" mas ele aparece, se muito, cinco minutos.

Tem o pessoal que está de volta como Matt LeBlanc (o Joey de Friends) como o namorado de Liu, Luke Wilson como o namorado de Diaz. Uma cara nova é Robert Patrick que também aparece pouco, só para mostrar que está ali.

Agora, sobre o Rodrigo Santoro não dá nem vontade de comentar de tanto que a mídia já falou. A obrigação dele é ser bem fotografado (e é, as meninas vão adorar), fazer cara de mal (que não muda um segundo) e só, como eu sempre disse que seria. Deixem o cara em paz! Get over it! Move on! Próximo assunto! Ele é o cocô do cavalo do bandido mesmo e a gente já sabia que não ia ser mais que isso. Convenhamos: isso foi simplesmente uma jogada da Sony para tentar arrumar seu novo Antonio Banderas. Um competente ator estrangeiro, bonitão, charmoso, com atuações elogiadas em Bicho de Sete Cabeças e Abril Despedaçado, que é do Walter Salles, que é queridinho do Harvey Weinstein, chefão da Miramax! É 2 + 2! Aí ele começa fazendo ponta em um grande filme americano, depois ganha uns papéis maiores. Tanto que ele já fez mais dois filmes por lá: The Roman Spring of Mrs. Stone e Love Actually, onde foi muito elogiado por sua colega de cena, Laura Linney. Não se assustem se em breve ele andar sumido das produções brasileiras para ir se aventurar no exterior.

Referências à rodo, mas em um filme como esse vê-se que são homenagens e não plágio. Como eu não levo caderno e caneta para a sessão, vai de cabeça as que eu lembro agora: Indiana Jones, Cabo do Medo (mais de uma vez) e Flashdance, CSI, Starsky & Hutch. Tem mais, muito mais, eu que não me lembro agora.

A trilha sonora muito me agrada. Muito pop rock e no máximo um tecno em uma cena de ação, mesmo assim uma boa escolha (Breathe, do Prodigy). Até a música da Pink, que normalmente não me agrada, é cativante. Melhor do que Madonna repetindo "I think I'll die another day" um milhão de vezes.

Uma coisa que me incomodou foi uma certa "aura" que havia em certas cenas. Parecia fundo infinito mal feito. Ficava um brilho branco em volta das pessoas, das coisas. E em cenas que pareciam ser locações. Não sei se foi invenção de moda do McG ou se é fundo infinito mal feito mesmo.

Fique de olho aberto para as participações especiais. São muitas mas aqui vai: John Cleese (do Monty Python), Robert Forster (Jackie Brown), Andrew Wilson (irmão do Luke e idêntico ao Owen), Eric Bogosian, as cantoras Eve e Pink, Carrie Fisher (princesa Leia), Jaclyn Smith (uma das Panteras originais, Kelly Garrett), as irmãs gêmeas (ex-atrizes mirins e que viraram uns mulherões) Mary-Kate e Ashley Olsen, Bruce Willis, e por último mas não menos importante, Chris Pontius (o Party Boy de Jackass).

Espere muito pouco de As Panteras: Detonando. Mas muito pouco mesmo! Muito menos do que do primeiro! Assim, você não sai do filme desapontado como eu saí porque eu achei que esse filme ia ser a típica bobagem de verão americano pela qual eu me apaixono, como aconteceu com o primeiro filme e outros do gênero como Tiro e Queda ou filmes do Jet Li. Tudo bem que As Panteras são lindas e carismáticas, mas isso segura um filme até certo ponto.

P.S.: Depois de ver esse filme, não quero mais McG dirigindo Superman. O cara ainda tem que se provar um diretor de verdade. Da safra de novos filmes, estou esperando para conferir os novos trabalhos de Jonathan Mostow (O Exterminador do Futuro 3) e Gore Verbinski (Piratas do Caribe).

     

Direção:
McG

Com:
Cameron Diaz, Drew Barrymore, Lucy Liu, Bernie Mac, Demi Moore, Justin Theroux, Crispin Glover, Rodrigo Santoro

Cotação: