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The
Eye: A Herança
(O Olho)
(The Eye, Hong Kong, 2002)
Existem
alguns gêneros cinematográficos que são mais
eficientes numa sala de cinema que no video ou na TV. Épicos,
comédias e filmes de horror, por exemplo. Enquanto o primeiro
se beneficia de uma tela grande e de um som potente, os demais crescem
numa experiência coletiva. Piadas ficam mais engraçadas
se você não está rindo sozinho. E os sustos
também são maiores se você divide a tensão
com mais uma galera e principalmente se alguém grita do seu
lado na hora mais aterrorizante.
Obviamente,
essa estratégia de assistir a um filme de horror socialmente
não funciona e nem salva os filmes ruins. Experimente ver
HALLOWEEN: RESSURREIÇÃO num cinema perto de você
pra entender o que estou falando. Pensando bem, não precisa
sofrer a tôa. Mas a experiência coletiva ajuda a relevar
os pontos deficientes de filmes de qualidade.
Assisti
THE EYE: A HERANÇA, nova sensação
chinesa de horror que vem se destacando nos festivais do gênero
ao redor do mundo, numa sala abarrotada, durante a Mostra de
Cinema Fantástico do Indie 2003 (onde foi exibido
como O OLHO). Abarrotada mesmo: tinha gente espalhada
pelo chão, outras em pé, porque não tinha nem
como se sentar. E o filme, uma variação sobre o mesmo
tema, proporcionou nesse contexto sensações que não
sentiria de outro modo.
Mun
(Angelica Lee, foto ao lado) é uma jovem
que perdeu a visão quando tinha dois anos de idade. Após
um transplante de retina bem sucedido, ela começa a se adaptar
às sensações as quais havia se privado há
anos. Só que aos poucos ela percebe que acaba enxergando
mais do que devia. Mun logo percebe que sua recém-adquirida
visão dá novo sentido à frase "Eu
vejo pessoas mortas".
Nada
de novo no front, como você pode perceber. Mas os diretores,
os irmãos Danny e Chun Oxide Pang,
conseguem extrair sustos homéricos do lugar comum. Cada visão
de Mun proporciona mais calafrios que toda a série SEXTA-FEIRA
13 junta.
A
trama paga tributo a diversos outros títulos, mais notadamente
O SEXTO SENTIDO, ANATOMIA DE UM ASSASSINO, BLINK: NUM PISCAR DE
OLHOS, A HORA DA ZONA MORTA e o clássico VAMPYR,
de Carl Dreyer. O roteiro é tão lugar comum que enfraquece
o horror da premissa. Não que seja ruim, mas simplesmente
não surpreende, caindo na vala comum de todos os últimos
exemplares do gênero saídos da fábrica hollywoodiana.
Assim, THE EYE: A HERANÇA deixa de ser a
experiência perturbadora que o irregular CLUBE
DO SUICÍDIO consegue ser.
Mas
tem seus méritos. Os diretores aproveitam bem o desconforto
que a situação da protagonista proporciona. Imagine
ver algo mas ao mesmo tempo não ver. Quem usa ou já
usou óculos sabe do que eu estou falando. Aquela sensação
angustiante quando você está sem óculos e não
sabe se viu ou se pensou ter visto algo.
E
nada como sentir calafrios em grupo. Nos bons momentos do filme,
como naquele onde Mun está tendo aula de caligrafia, é
palpável a tensão no ar. Nestes tempos de home
theater e DVD, é bom saber que ainda existem bons motivos
pra ir ao cinema.
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Direção:
Pang Brothers
Com:
Angelica Lee, Lawrence Chou,
Yut Lai So, Chutcha Rujinanon
Nota:
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