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Munique
(Munich, EUA, 2005)
Eu
tenho o costume de dizer que Steven Spielberg não
é mais aquele super diretor de antigamente porque hoje é
muito fácil para ele fazer um filme. Afinal, ele tem uma
equipe top de linha em Janusz Kaminski, John
Williams, Michael Kahn, na Industrial
Light and Magic de seu velho amigo George Lucas. Até mesmo
seu próprio estúdio para bancar seus filmes! É
a única explicação para conseguir lançar
mais de um filme em um mesmo ano, ambos dentro do prazo e orçamento.
E não se engane! Ele já fez isso muitas outras vezes.
Em 1989 com ALÉM DA ETERNIDADE e INDIANA JONES E A ÚLTIMA
CRUZADA, em 93 com A LISTA DE SCHINDLER e JURASSIC PARK, em 97 com
O MUNDO PERDIDO e AMISTAD e em 2002 com MINORITY REPORT e PRENDA-ME
SE FOR CAPAZ. Teoricamente, GUERRA DOS
MUNDOS é de 2005 e MUNIQUE de 2006 mas
todos sabemos que o último estreou nos EUA no fim do ano
passado.
Talvez por ser tão fácil, Spielberg tenha simplesmente
parado de se preocupar com seus filmes como o fazia antigamente.
Ou talvez ele estivesse se concentrando em MUNIQUE.
Tenho
que reclamar e deixar claro que me assusta os críticos em
geral terem sido implacáveis em relação a ele.
Os poucos que falaram bem disseram que era, finalmente, um "Spielberg
de volta à velha forma". Não entendo o uso dessa
expressão, que é usada por alguns a cada filme que
ele lança. E principalmente porque eu nunca vi este Steven
Spielberg, que não toma partidos, principalmente em um filme
onde seria tão fácil para ele apoiar os judeus, já
que ele próprio é um deles.
Aqui,
como diz o título do livro em que foi baseado, está
uma história de vingança. Não de lei ou justiça,
certo e errado, bom e mau. Normalmente nos filmes que têm
este tema vemos claramente quem é o bandido e quem é
o mocinho. Já MUNIQUE é um filme
sobre como a violência apenas gera mais violência. Que
em conflitos políticos e ideológicos não existe
certo ou errado, apenas pontos de vista. E o mais assustador é
que, depois de ver o diretor tornar preto e branco os conflitos
morais de O RESGATE DO SOLDADO RYAN e de A LISTA DE SCHINDLER (nesse
caso, literalmente), temos um filme sobre visões opostas.
Também
é importante a visão de como a violência muda
as pessoas. Sobre como atos de terrorismo e seus contra-ataques
simplesmente não valem a pena. Na luta por seu país,
um homem perde a sua alma. Vemos o personagem de Eric Bana
começar como um tipo de pessoa e terminar completamente diferente.
As cicatrizes são profundas. A visão que tinha de
seu pai herói já não é mais a mesma
já que ele mesmo é considerado um herói por
seus compatriotas. entre justiça e
vingança?
Se
já falamos sobre a equipe de Spielberg antes, vale a pena
repetir: em aspectos técnicos, o filme é impecável.
Dos figurinos de época de Joanna Johnston
à fotografia lavada de Kaminski e suas tomadas geniais, à
edição precisa de Kahn e, claro, o roteiro dramático,
comovente, sóbrio, intenso e sem firulas de Tony
Kuschner (este também judeu) e Eric Roth
(que não tenho certeza se é judeu mas o sobrenome
é característico deste povo).
As
atuações em MUNIQUE é que
são o ponto complicado. Não por serem ruins, muito
pelo contrário! Eric Bana e sua equipe de assassinos estão
tão bem e dão performances tão verdadeiras
que é difícil escolher alguém para dizer "essa
é uma performance merecedora de prêmios". Ninguém
faz sombra em seus coadjuvantes e, se o Oscar tivesse um prêmio
de "Melhor Elenco" como existe na premiação
do Sindicato de Atores, certamente MUNIQUE mereceria
uma indicação. Infelizmente, tal prêmio do SGA
esse ano já foi dado a CRASH:
NO LIMITE, mas tudo bem. Este também tem um elenco impecável.
MUNIQUE
não é um filme fácil, digerível rapidamente.
É o tipo de filme que importa. Que o deixa pensando, querendo
discutir os aspectos políticos de suas longas duas horas
e quarenta e cinco minutos de projeção (que passam
voando e deixam com gostinho de quero mais). A tomada final então
é um tapa na cara do povo e dos governos americanos. Talvez
por isso eles não estarem topando este grande filme. MUNIQUE
teve várias indicações ao Oscar. Infelizmente,
acho que não vai ganhar nenhuma delas. Mas quem se importa?
Se Oscar fosse garantia de qualidade de um filme, exemplos de mediocridade
como GLADIADOR e UMA MENTE BRILHANTE (ambos protagonizados por um
ator que eu gosto bastante!) nunca chegariam nem ao tapete vermelho.
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Direção:
Steven Spielberg
Com:
Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán
Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Geoffrey Rush, Mathieu
Amalric, Michael Lonsdale
Cotação:
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