Mulher-Gato
(Catwoman, EUA, 2004)




O que eu posso dizer? De vez em quando, é bom estar certo.

MULHER-GATO é um filme, na falta de um termo mais adequado, desafiador. Porque é um desafio não sair do cinema depois dos primeiros trinta minutos de exibição (o que eu devia ter feito). É um desafio bolar uma nota pior do que "Péssimo". Eu deveria criar uma nota "Evite como a peste negra" ou "Veja com camisinha pois todo cuidado é pouco".

O único mérito do filme é que não é ruim como Matrix Reloaded ou A Batalha de Riddick. É ruim de dar risada! É ruim de sair da sala fazendo piada sobre todo e qualquer aspecto do filme (que foi o que eu e um amigo fizemos). O mais interessante é que eu tenho certeza que as moças que adoram a moda bad girl vão gostar do filme. Eu mesmo tenho uma grande amiga (é você mesma, Sarita) que eu tenho certeza que vai gostar. Depois disso, provavelmente ela vai dizer que não gostou só pra me contrariar. Ela odeia quando eu faço isso. Mas isso é assunto para outro dia.

A história é um bom plágio da que foi criada para a personagem de Batman: O Retorno com toques de Homem-Aranha. Patience Philips (Halle Berry) é uma tímida designer que trabalha para uma empresa de cosméticos comandada pelo casal Laurel (Sharon Stone) e George (Lambert Wilson) Hedare. Acidentalmente, ela descobre que o novo creme Beau-line tem diversos efeitos colaterais e acaba sendo assassinada por isso. Sério! Até que ela é ressucitada por um gato egípcio (é sério mesmo!) que lhe dá as mesmas habilidades de um felino (é muito, muito sério!). No meio dessa bagunça, ela conhece o policial Tom Lone (Benjamim Bratt) e resolve se vingar de seus assassinos.

Nessa resenha eu não vou me dar ao trabalho de colocar em branco os spoilers porque eu estou tentando poupar você, leitor, de ir ver esse filme.

Como ele se assemelha às revistas? Não se assemelha. O filme nem devia se chamar MULHER-GATO para não causar confusão entre as personagens. Por mais que eles tentem colocar que já houve várias outras mulheres com as mesmas habilidades, bem... continua sem ter nada à ver com a personagem Selina Kyle. Por exemplo? A MULHER-GATO do filme impede um assalto à uma joalheria mas ela leva parte das jóias consigo. Até aí, até que tudo bem. No dia seguinte, ela acorda e devolve as jóias, dando uma pista mais do que óbvia para o policial Lone. Isso se deve a uma certa dupla personalidade que Patience desenvolve mas onde uma termina e a outra começa nunca fica muito claro.

Por falar nisso, o filme é tão mal escrito que Lone trabalha sozinho por "escolha dos outros", como se ele fosse se encaixar no velho papel do policial durão e rabugento cujos parceiros sempre morrem, como já vimos milhares de vezes. Mas Lone é um cara legal! Parece ser respeitado no departamento, conversa com técnicos e outros policiais numa boa. De onde saiu essa rejeição? Da cabeça (para não colocar um palavrão) dos roteiristas e de nenhum outro lugar. O roteiro é ridículo, estilo "escrito no banheiro" (® Heitor Capuzzo) sem conseguir criar momentos interessantes ou mesmo que dêem água na boca como as lutas entre os monstros em Van Helsing.

Visualmente, o filme é horroroso. Halle Berry parece estar coberta de óleo em suas cenas como MULHER-GATO pois sua pele tem uma estranha cor dourada. Assim como Sharon Stone parece o tempo todo um fantasma. Os efeitos visuais, como as cenas em que as atrizes são substituídas por personagens digitais, até que não me ofenderam muito por causa da edição desenfreada. Só que tal edição é usada para tudo no filme. As cenas de lutas são apenas um monte de pernas voando e quando acaba alguém está de pé e os outros caídos. Felizmente, o filme até que passa rápido e tem um bom ritmo, mesmo que toda cena literalmente cause dor.

Nunca fiz segredo que não gosto da Halle Berry e esse filme só confirma minha teoria. Para o meu gosto, sua "sensualidade" sempre me parece vulgar, desagradável. Claro, gosto de vê-la no rala e rola com Billy Bob Thornton em A Última Ceia mas sua carreira, pra mim, devia acabar por aí. Ela não merecia o Oscar, não merece, e até onde eu já vi nunca vai merecer. Só que infelizmente ela foi considerada uma "grande atriz" e começou a ter carta branca ao escolher papéis em Hollywood. Se fosse antes, ela nunca teria conseguido tirar o papel de Ashley Judd, que admitia publicamente que, se um dia fosse feito o filme da MULHER-GATO, o papel era dela. Bem, Ashley, há males que vêm pra bem.

Apesar da atuação ridícula, boa parte da culpa pode ser atribuída mesmo ao diretor Pitof. O design da roupa (que eu me recuso a mencionar novamente), o jeito felino de andar, falar, comer... isso são escolhas do diretor. Um comentário que pareceu unânime: "isso não é o jeito de andar de um gato, é o jeito de andar de uma prostituta querendo clientes". Imagine se o Batman começasse a guinchar ou o Homem-Aranha começasse a... bem, o que quer que as aranhas façam de ruído. E já que estamos falando de sons, veja o filme com os ouvidos tampados e leia apenas as legendas porque as músicas são ruins de doer.

"Evite como a peste negra", "Veja com camisinha pois todo cuidado é pouco", pode escolher. MULHER-GATO não é ruim por mudar completamente o personagem das HQs. É ruim por mérito próprio!

     

Direção:
Pitof

Com:
Halle Berry, Sharon Stone, Benjamim Bratt, Lambert Wilson

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