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Mestre
dos Mares:
O Lado Mais Distante do Mundo
(Master and Commander: The Far Side of the World, EUA,
2003)
A
premiação do Oscar deste ano deve ser interessante.
O favorito da noite será O
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, já que
parece que a Academia vai premiar o filme como se premiasse toda
a trilogia. Infelizmente tal Academia é famosa por não
premiar filmes mais fantasiosos. Pode até indicar, como fez
com E.T. ou Os Caçadores da Arca Perdida.
Mas premiar? Difícil. Tais filmes acabam ganhando os prêmios
mais técnicos. Será que por isso existe esperança
para Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo?
Durante
as guerras napoleônicas, a tripulação do HMS
Surprise e seu capitão Jack "Sortudo" Aubrey (Russell
Crowe) estão à caça de uma fragata
francesa, a Acheron, na costa da América do Sul. Infelizmente,
a Acheron é maior, mais rápida, resistente, bem construída
e desenhada, além de ter o dobro de tripulantes e de poder
de fogo. Mas quem disse que na guerra ganha sempre o mais forte?
Ganham os mais espertos. E poucos são mais espertos que Lucky
Jack e o doutor Stephen Maturin (Paul Bettany).
A
dupla de atores que fez sucesso de Uma Mente Brilhante
está de volta e não é para menos. Crowe um
militar, um guerreiro, um estrategista brilhante. Bettany seu oposto:
médico, naturalista. E a química entre os dois é
tão boa que até nos momentos de tensão você
não tem dúvida que os dois são ótimos
amigos. A boa música compartilhada entre o violoncelo e o
violino, a diferença de opiniões, as piadas, tudo
se encaixa perfeitamente. É interessante notar como Crowe
consegue tornar um militar simpático, fugindo do esterótipo
de machão e mandão. Ele é adorado pela tripulação,
não somente pela sua competência, mas por sua fé
em seus homens e sua simpatia. Claro, isso não o torna um
molenga. Lucky Jack ainda é o capitão do HMS Surprise.
E
os efeitos visuais? Bem, onde eles estão? Não se engane!
O filme é um grande efeito especial! Ou você acha que
eles construíram os navios e saíram mar afora? A Weta,
que fez as miniaturas, para variar faz um trabalho de cair o queixo.
Com o complemento da Asylum e da ILM com os efeitos digitais, têm-se
um filme literalmente indefectível visualmente. É
o efeito invisível, que está lá o tempo todo
e a gente não vê. Claro, foram feitas réplicas
do navio e filmagens em grandes tanques, como foi feito em Titanic,
mas é o de menos.
O
que também chama muito a atenção é a
edição de som e efeitos sonoros. Felizmente eu pude
ver este filme em uma sala Dolby Digital onde o som estava impecavelmente
balanceado. Enquanto os diálogos e barulhos do navio são
compreensíveis e sutis, as batalhas são ensurdecedoras,
colocando o espectador dentro do filme.
A
história é simples, redondinha, mas tão bem
contada que mesmo depois de quase duas horas e meia de projeção,
você ainda quer mais. Talvez esse seja o meu único
problema com o filme: a tripulação é enorme
então eu fiquei querendo mais! Queria ver mais histórias
com o cozinheiro Killick (hilário!) ou o marujo Bonden, vivido
por Billy Boyd, o Pippin de O Senhor dos Anéis.
Principalmente porque é curiosa a relação entre
oficiais e marinheiros. Afinal, só se tornam oficiais os
ricos, que recebem boa instrução enquanto um marinheiro
pode ser marinheiro a vida toda que vai morrer marinheiro. Então
muitos dos oficiais são extremanente jovens, pré-adolescentes.
O
diretor Peter Weir certamente realizou um de seus
melhores trabalhos com este filme. Talvez o melhor! E olha que o
curriculum dele é impressionante: Sociedade dos Poetas
Mortos, O Show de Truman, A Testemunha, entre
muitos outros que merecem estar na coleção de DVDs
de qualquer cinemaníaco.
É
uma pena que Mestre dos Mares não esteja indo muito
bem nas bilheterias americanas. Afinal, O Lado mais Distante
do Mundo é apenas uma das histórias do Master
and Commander Lucky Jack Aubrey escrita por Patrick O'Brien
(é o décimo livro da coleção). Agora,
com o lançamento do filme, a série finalmente será
publicada aqui no Brasil. Mas infelizmente as adaptações
cinematográficas devem ficar por aqui mesmo.
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Direção:
Peter Weir
Com:
Russell Crowe, Paul Bettany,
Billy Boyd
Cotação:
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