Memórias de uma Gueixa
(Memoirs of a Geisha, EUA, 2005)



Inspirado no livro de Arthur Golden, MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA conta a história de Chiyo/Sayuri (Zhang Ziyi, de O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS, HERÓI e O TIGRE E O DRAGÃO), filha de pobres pescadores que foi vendida pelo pai, juntamente com a irmã mais velha, a uma casa de gueixas na cidade grande. Lá, após ser separada da irmã, que não é considerada boa o suficiente para ser gueixa, a jovem precisa percorrer um longo e árduo caminho até se tornar a mais cobiçada gueixa da região, ao mesmo tempo que tenta se aproximar do homem que ama, vivido por Ken Watanabe (O ÚLTIMO SAMURAI e BATMAN BEGINS).

Dirigido por Rob Marshall (CHICAGO), também tem em seu elenco, Michelle Yeoh, com quem Zhang Ziyi trabalhou em O TIGRE E O DRAGÃO, que faz o papel de Mameha, a onei-san de Chiyo, ou seja, sua professora nas artes secretas e milenares das gueixas, e Gong Li (LANTERNAS VERMELHAS) como Hatsumomo, a rival de Chiyo na profissão.

Visualmente impecável, MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA mereceu cada uma das indicações técnicas do Oscar. Fotografia maravilhosa, figurinos lindos, direção de arte mais que competente, não há o que reclamar nesses quesitos.

E, abrindo mão de um purismo desmedido, já que todas as três atrizes que fazem as gueixas são chinesas e não japonesas (porque para Hollywood todo mundo que tem olho puxado é igual, o mesmo valendo para os latinos, sejam eles argentinos, mexicanos ou espanhóis), o elenco do filme, tanto o feminino quanto o masculino, é de primeira linha e tenta emprestar dignidade aos seus personagens.

Mas, então, afinal de contas, por que MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA não funciona? Porque, juro para vocês que tentei mesmo gostar do filme, muito, mas não deu. Não é que ele seja um filme ruim, mas alguma coisa simplesmente não casa ali. E depois de muito pensar, acredito que o ponto esteja na trama. A trajetória de Chiyo/Sayuri não fica em nada a dever aos melodramas românticos bem água com açúcar, ou aos livros de Danielle Steel, ou mesmo às novelas de Manuel Carlos. A heroína sofredora e cobiçada por todos que apenas deseja encontrar o amor.

E a grandiosidade, lentidão, e certa contenção que Rob Marshal imprimiu ao filme, como uma cópia ao estilo dos primeiros filmes de Zhang Yimou ou de vários outros representantes do cinema oriental, não casa com o tom que a trama pede.

Como um bom melodrama romântico, MEMÓRIAS pedia um pouco daquela emoção "barata" e passional que esses romances clamam, de modo que os espectadores se envolvam e torçam pelos heróis, para que eles possam, depois de muito sofrimento, enfim, ficarem juntos em seu típico final feliz. Algo que TITANIC proporcionou muito bem.

Sei que muitos podem querer jogar pedras em mim por essas minhas últimas afirmações, dizendo que estou ocidentalizando uma perspectiva de amor oriental. Mas, a verdade é que, se existe uma ocidentalização da coisa, esta veio desde a raiz da história original, passando pela própria composição do filme. Se era para ocidentalizar, que fizessem direito e assumissem que estavam fazendo um romance típico de folhetim ao invés de esconderem essa verdade por trás de um verniz oriental tão verdadeiro quanto o Egito de CLEOPÁTRA, estrelado por Elizabeth Taylor.

Pois, ficando nesse meio termo, MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA, não consegue agradar nem aqueles que procuram a fidedignidade do dia-a-dia da vida de uma gueixa, e nem aqueles que buscam uma história de amor arrebatadora. Infelizmente, fica apenas como uma mera sombra, um pastiche de qualquer uma das possibilidades.

     

Direção:
Rob Marshall

Com:
Zhang Ziyi, Michelle Yeoh, Gong Li, Ken Watanabe

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