8)
Extermínio,
de Danny Boyle - Filmado com câmeras digitais,
o filme tem todo o jeitão de filme independente e de baixo
orçamento como alguns clássicos do gênero
costumam ter. A história de zumbis do inglês Boyle
nos lembra o que a grande maioria das produções
de terror hollywoodianas vive se esquecendo: um bom filme de terror
não se faz com grandes efeitos especiais, mas com uma história
intrigante e sugestiva, que sabe dosar de forma equilibrada ação,
suspense, sustos e pavor. Algo que faz gelar sua espinha pela
possibilidade, ainda que remota, de se tornar real. O diretor
consegue entremear a trama com momentos de emoção,
ternura e até um pouco de poesia sem quebrar o ritmo tenso
da história, muito pelo contrário, é pelo
contraste com esses momentos que muitas vezes a tensão
é produzida.
7)
X-Men 2, de Bryan
Singer - Singer e cia. não realizaram apenas um
excelente filme, mas também quebraram a regra de que continuações
sempre são inferiores ao original: X-Men
2 é infinitamente melhor que o primeiro, disputando
fortemente com Homem-Aranha e Hulk
o título de melhor adaptação cinematográfica
de super-heróis de HQ. O filme inteiro é de encher
os olhos e acelerar o coração, alternando momentos
de intensa ação com discussões de assuntos
tais como perseguição e discriminação
racial, seja por parte da sociedade como um todo como da família
de quem é diferente. Além disso, os roteiristas
souberam como ninguém aproveitar idéias importantes
da saga mutantes nas HQs, ao mesmo tempo mostrando-as como algo
novo e criando uma mitologia única e diferenciada dos mutantes
na tela grande.
6)
Procurando Nemo,
de Andrew Stanton - Eu adoro as animações
da Pixar. Eu sempre saio feliz do cinema quando assisto a algo
produzido pelo estúdio. Não sei explicar, é
um tipo de alegria leve, e o dia fica mais colorido. São
histórias divertidas, cheias de referências culturais
e cinematográficas, com personagens carismáticas
e divertidas. É claro que possui as esperadas lições
de moral, mas nada didático e enfadonho como nas maiorias
das produções infantis. A animação
é sempre fantástica e em Procurando
Nemo as coisas não foram diferentes, aliás,
estão ainda melhores que nas produções anteriores
do estúdio. É possível perceber toda a vastidão,
dinâmica e diversidade da fauna marinha. Cada personagem
tem uma personalidade e característica próprias,
que condiz com o tipo de animal que ela é. As cenas de
ação são eletrizantes, as partes cômicas
fluem naturalmente, sem forçar a barra, temas polêmicos
como morte ou deficiência física são retratados
de forma natural e respeitosa, sem aqueles não “me
toques usuais” em filmes para crianças. Enfim, tudo
muito bom.
5)
Hulk, de
Ang Lee - Lee
conseguiu mostrar que é possível fazer uma adaptação
fiel de uma personagem de quadrinhos sem se ater obsessivamente
aos detalhes de sua origem e cronologia. Ele conseguiu captar
e abstrair o que há de melhor e essencial no Hulk, que
são as questões psicológicas atreladas à
personagem: a maneira como Banner reprime seus sentimentos, sua
relação conturbada com o pai, a incapacidade de
amar Betty da maneira que ela deseja. O Hulk não é
nada mais nada menos que a manifestação física
e desenfreada de todos os desejos recalcados e de todas as frustrações
do cientista. As seqüências de ação,
quando aparecem, são de tirar o fôlego, e o Hulk
digital... bem... ficou bastante legal e consegue passar toda
a força da personagem, mas não chega a ser algo
tão excepcional quanto o Gollum, de O Senhor dos Anéis.
A atuação dos atores é um caso a parte. Eric
Bana e Jenniffer Connely estão
simplesmente fantásticos como Bruce e Betty. Todo aquele
peso emocional existente entre as personagens é transmitido
aos expectadores muitas vezes através de uma simples troca
de olhares. E para não dizer que estou sendo tendenciosa,
confesso que nunca fui muito fã do Hulk nos quadrinhos.
Sempre achei que ele era uma boa personagem, mas que só
funcionava nas mãos de um grande roteirista. Ou no caso,
um grande diretor.
4)
Adaptação, de Spike Jonze - Jonze
e o roteirista Charles Kaufman sempre são
uma dobradinha interessante. A começar pelo genialmente
maluco Quero ser John Malkovich. Em Adaptação,
a dobradinha se repete de forma ainda mais surpreendente. A forma
como o roteiro brinca com recursos de metalinguagem, criticando
tanto o cinema supostamente intelectual e cult quanto
o cinema comercial sem mostrar explicitamente que é uma
metalinguagem é genial. È o tom da narrativa que
mostra essa mudança de enfoque, no começo, quando
Charles Kaufman tenta escrever a adaptação de um
livro sobre um ladrão de orquídeas, temos um filme
denso, atormentado, intelectual. Mas quando ele começa
a se enrolar seu trabalho e pede ajuda ao irmão gêmeo,
Donald, aspirante a roteirista e adepto do cinema arrasa-quarteirão,
tudo muda no filme e a história parte para um final cheio
de clichês e reviravoltas falsamente surpreendentes. E apesar
disso, as personagens continuam consistentes. Grande mérito
dos atores, especialmente Nicolas Cage no papel
dos gêmeos. O melhor de tudo é que nós, espectadores,
percebemos essa mudança e ao entrarmos no jogo do diretor
e do roteirista captamos qual a verdadeira proposta do filme (a
crítica acima de tudo) e o quanto ele é espetacular.
3)
Simplesmente Amor, de Richard Curtis
- Uma das melhores comédias românticas a
que assisti em toda a minha vida. O filme consegue em suas diversas
histórias abordar os diferentes tipos de amor: amor entre
amigos, irmãos, pais e filhos, amor entre casais (embora
esse último seja o mais destacado no filme). Talvez principalmente
sobre o fato como escolhemos lidar com esse amor ou qual tipo
de amor é mais importante para a gente em determinado momento
de nossa vida. E faz tudo isso de um modo emocionante, terno,
cativante, sensível e ainda assim sendo bastante divertido
e inteligente. Outro ponto positivo é o fato de que nem
todas as histórias têm o típico final feliz
hollywoodiano, como a do rapaz que é apaixonado pela esposa
do melhor amigo, ou dos colegas de trabalho que se amam durante
anos sem nunca se declararem, ou ainda a do casal que sofre os
efeitos da crise de meia idade do marido e da possibilidade de
um traição por parte dele. Pequenas interrogações,
muitas possibilidades. As coisas não são fáceis
ou simples na vida real, por que deveriam então ser fáceis
no filme? Somando-se a um roteiro bem amarrado, temos um elenco
de atores simplesmente fenomenal, encaixando-se de forma convincente
e competente em suas personagens. Mas uma das melhores coisas
do filme e uma das mais divertidas foi o escracho (elegante como
todo inglês sabe ser) aos americanos, especialmente ao governo
Bush. Perfeito. É por isso que eu adoro os ingleses. Um
filme simplesmente apaixonante.
2)
A Viagem de Chihiro,
de Hayao Miyazaki - Chihiro
tocou-me de forma tal como há muito tempo uma animação
ou filme com uma temática próxima à apresentada
nesta obra não fazia. Por trás das situações
surreais da história, é possível perceber
críticas ao capitalismo e ao materialismo desenfreado,
à falta de propósito da juventude de nossos dias.
A Viagem de Chihiro
é um metáfora sobre a passagem da infância
para a idade adulta. É uma história sobre a necessidade
de se buscar um lugar e uma identidade própria e única
no mundo, de ser reconhecido pelos outros através do que
verdadeiramente se é, assim como da necessidade de se ter
um sentido para a vida. Além de todos esses fenomenais
aspectos contidos na história, ainda temos a alta qualidade
da animação, muito superior ao da maioria das atuais
produções, sejam elas japonesas ou americanas. Cada
quadro é mais magnífico que o outro, alternando
momentos de sublime beleza a outros que podem ser descritos como
grotescos. Ambos os tipos, a seu modo, não deixam de ser
impactantes. Totalmente poético.
1)
O Senhor dos Anéis: O Retorno
do Rei, de Peter Jackson -
Jackson provou mais uma vez porque é um dos melhores cineastas
da atualidades. O filme é um espetáculo e uma aula
de como se fazer cinema. O Retorno
do Rei não se sustenta apenas em seus efeitos
especiais como alguns filmes recentes. Além das trucagens
fantásticas e revolucionárias, O
Retorno do Rei e os demais filmes da franquia conseguem
ter personagens cativantes e envolventes, alternar momentos de
pura poesia e emoção com batalhas de tirar o fôlego.
Mas como já disse, o que realmente me atraí e me
faz ser uma fã apaixonada da obra é o forte fator
humano (mesmo em elfos, hobbits ou anões) que a permeia.
Os laços de amizade, a capacidade de se fazer sacrifícios
pelo bem de uma maioria, de se lutar por liberdade e justiça,
de ir além de seus limites por uma crença e superar
todos os obstáculos. E que não importa o quanto
você possa parecer pequeno ou insignificante, você
pode fazer algo grande ou importante, depende de sua vontade ou
das escolhas que faz diante das situações que a
vida lhe impõe. Jackson conseguiu captar esse aspecto essencial
da obra de Tolkien e transmiti-lo de forma competente e sincera
em seus filmes.
(Katchiannya)
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