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Matrix
Revolutions
(The Matrix Revolutions, EUA, 2003)
Para
falar de Matrix Revolutions, temos que
falar de gordura. De acordo com a Organização Mundial
de Saúde, eu estou acima do meu peso ideal. Bem acima. Então
eu sei que gordura só traz desvantagens. Nos torna mais pesados,
prejudica nossa saúde e resistência física e
para piorar é feio pra caramba. Com isto estabelecido, digo
que Matrix Reloaded é
gordura pura.
Mas
não estamos falando do Revolutions? Estamos, mas
como ele começa exatamente de onde o anterior parou, é
necessário tocar no assunto. Porque Reloaded
só atrapalha. São 138 minutos de filme que não
precisariam existir, o que acaba prejudicando os primeiros 45 minutos
de Revolutions, que são repletos de pseudo-filosofia
e lutinhas gratuitas.
Vou
estragar um pouco a surpresa mas é inevitável. Esqueça
Reloaded. A trilogia
Matrix seria muito melhor se fosse apenas o primeiro filme
e a segunda hora de Revolutions. O resto é completamente
inútil. Tudo o que você viu no segundo filme e não
entendeu nada - o arquiteto, aquela coisa dos outros predestinados
e a destruição de Zion pela quinta vez - esquece isso!
Não faz a menor diferença! E com isso cai a máscara
dos Wachowski. Toda aquela filosofia que o pessoal achava genial
mostra-se um completo chuchu: pode até ser bonitinho mas
não tem gosto de nada.
Revolutions
não é um bom filme. Um dos nossos "colaboradores",
LGolden, disse que os Wachowski eram picaretas logo que saiu o primeiro
Matrix. E eu tenho que admitir que ele tem razão.
Porque eles fizeram aquele espetáculo de pretensão
que foi Reloaded para
jogar praticamente tudo pela janela depois. E estranhamente isso
colabora muito para a última parte da trilogia.
Claro,
quase todos os problemas continuam. A falta de emoção
(o reencontro de Neo e Trinity deve ser a cena mais sem graça
da história do cinema), as lutas gratuitas (chega a ser patético
o que acontece na boate sadomasoquista), a falta de aproveitamento
de personagens (eu ainda me pergunto quais as funções
do Merovingian e da Persephone no todo). Uma teoria que o Kas formulou,
de que Matrix é sobre equilíbrio, faz bastante
sentido. Mais ou menos igual a relação entre Neo e
o Agente Smith. Uma coisa sempre anula a outra. Uma ação
anula a anterior, uma fala anula a que veio antes, tornando tudo
inútil, encheção de linguiça e patético.
Porque o filme inteiro se contradiz! Eles constroem uma situação
para desfazê-la em um piscar de olhos (você vai ver
o quanto é imbecil a solução dada ao coma de
Neo). A palavra da Oráculo é mais que adequada: acredite.
Não espere explicações, não espere uma
super resolução. Tudo é resolvido da forma
mais simples possível e que se dane tudo aquilo que você
não entendia.
Ah,
sobre a Oráculo. Para quem não sabe, a atriz que fazia
o papel, Gloria Foster (acima, à esquerda), morreu durante
as filmagens e foi substituída por Mary Alice
(acima, à direita). Eles meio que inventam uma explicação
do porquê a Oráculo está diferente mas ela ainda
é uma senhora negra e que copia o jeito de falar da anterior.
Já que eles tinham que dizer que houve um problema e a Oráculo
mudou de corpo, por quê não fazer algo mais divertido
e mudar completamente a aparência da personagem?
Claro,
sempre há o que se pode aproveitar. As cenas da nave Hammer
tentando chegar à Zion são bem feitas, os efeitos
especiais são melhores... pelo menos, mais bem usados. A
invasão de Zion tem até alguns momentos bacanas. A
luta final entre Neo e Smith é agridoce: é tecnicamente
bem feita, o que mostra que um filme do Superman, com um
diretor decente e não o McG, pode ser feito de forma espetacular.
Eu espero que o atual desenvolvimento do filme seja como foi anos
atrás com Tim Burton: boatos, trabalho, e no fim... nada.
Os
Wachowski são mestres em perder o momento. Em construir uma
cena que poderia ser sensacional e realizá-la de forma tão
blazé, tão sem emoção, que o filme não
impressiona. E isso acontece o tempo todo. A chegada de Neo à
Cidade das Máquinas é um desperdício de efeitos
especiais (e uma cópia descarada de Highlander 2
com direito aos primeiros acordes de Danúbio Azul!). Eu digo
que com um diretor decente, mesmo com o roteiro meia boca dos Wachowski,
poderíamos ter um grande filme. Mas infelizmente... temos
chuchu.
E
só como um adendo... transformar o Neo em Demolidor? Para
quê? Sinceramente...
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Direção:
Andy e Larry Wachowski
Com:
Keanu Reeves, Carrie-Anne
Moss, Lawrence Fishburne, Hugo Weaving, Monica Belucci
Cotação:
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