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Matrix
Reloaded
(The Matrix Reloaded, EUA, 2003)
Por: Gelogurte
Matrix
Reloaded continua seis meses depois de onde o primeiro filme
parou. Neo anda tendo sonhos precognitivos sobre Trinity e, de novo,
tem que fazer “uma escolha”. Aliás, o tema do filme, assim como
do primeiro, é esse: escolhas.
Chega
ao conhecimento dos líderes da última cidade humana, Zion, que as
Máquinas vão conseguir perfurar seu caminho até eles em 72 horas.
Cabe a Neo e seus colegas da nave Nabucodonosor, Morpheus, Trinity
e o novato Link, que substitui Tank após a sua morte (que não é
mostrada), salvar a pátria. Tem mais, mas não vou contar para não
estragar. Estou aqui para contar o que eu acho certo e errado no
filme. Por favor, contrariem-me porque eu quero amar esse filme.
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Por
onde começo? Se é bom? É, mas é só. Não é ótimo, não é surpreendente,
é bom. É divertido no máximo. E não é a sina da “continuação é sempre
pior que o original”, porque ela tinha potencial para ser muito
melhor. O problema são os egos de Larry e Andy “somos
tão cool que não damos entrevista” Wachowski.
O meu
maior problema com o filme é exatamente esse. A onda cool
atual que o primeiro começou. Porque por mais estiloso que ele tenha
sido, ainda não é tão pretensioso. Matrix Reloaded é cool
demais, e sabe disso. Deixa de ser divertido e passa a ser cansativo.
Por exemplo: aconteça o que for, os óculos escuros de Neo não caem.
Nem quando ele apanha, nem quando ele voa, nem quando o mundo explode
ao redor dele. Nunca! Aliás, todo mundo usa óculos escuros o tempo
todo, mesmo de noite, mesmo por baixo de um capacete fechado! Chega
a ser ridículo!
Ainda
culpando a onda cool, os únicos atores do elenco principal
que parecem não se deixar afetar foram Keanu Reeves (Neo),
Carrie-Anne Moss (Trinity) e Hugo Weaving (Smith).
Tirando alguns gatos pingados como Gloria Foster (Oráculo)
e a belíssima Monica Bellucci (Persephone), o resto do elenco
é ruim de doer. Lawrence Fishburne (Morpheus) interpreta
como se fosse o novo Platão e as falas dele não colaboram. Aliás,
tirando Neo, Trinity e Smith, todo mundo só abre a boca para filosofar.
São os diálogos mais pretensiosos já vistos na história do cinema.
O resto todo parece achar que, por estar em Matrix e Matrix
é cool, então tem que ser cool também. Harry Lennix,
que faz o Comandante Lock, é o grande campeão da pior performance,
junto com Jada Pinkett-Smith (Niobe).
As
lutas são muito boas, apesar de algumas serem mais que gratuitas.
Podiam ter inovado um pouco mais, já que todo mundo tem o seu “golpe
assinatura”, como nos videogames do Street Fighter. Ou seja,
cada um repete exatamente um movimento que fez no primeiro filme.
Além disso, são tão elaboradas que os golpes parecem que nem acertam.
Todo mundo voa longe mas ninguém se fere, ninguém sangra, ossos
não se partem... nada. Tudo parece tão fácil que não se tem uma
sensação de desafio, de perigo real e imediato. O divertido não
é ver o herói encarando o perigo com uma mão nas costas, é ver ele
penar. Como Bruce Willis no final de Duro de Matar, aquele
visual de “pode jogar o inferno em cima de mim, desgraçado, que
eu junto os pedaços e venho te pegar”.
Tirando
um ou dois “Digital Neo”, os efeitos visuais de John Gaeta
e sua equipe são incríveis. Ao ver Neo voando nesse filme, eu senti
calafrios só de pensar em quão excepcional pode ser o filme do Superman,
se feito corretamente, claro. Por mais que de vez em quando falhe,
as trucagens ainda são incríveis.
O grande
erro no roteiro é a falta de exploração dos novos poderes de Neo.
Tudo bem, ele faz várias coisas novas (não vou contar para manter
a surpresa), mas o Neo deste filme não é o mesmo do fim do primeiro.
Afinal, um cara que congela balas no ar e destrói agentes de dentro
para fora, não deveria ter que sair lutando Kung Fu com todo mundo.
Além disso, algumas excelentes idéias são jogadas no ar. Pena que
ninguém segura. Preste atenção no diálogo entre Neo e Oráculo, e
pense na quantidade de inimigos bacanas que poderiam ter sido colocados
no filme. Ao invés, temos os bons e velhos agentes e os tais gêmeos
que nem são lá grandes coisas.
Mas
ainda assim, a soma de todos esses fatores consegue um resultado
divertido. No primeiro filme, quando não temos ação desenfrada,
ele é devagar quase parando. Aqui, ele flui mais rapidamente, a
narrativa é melhor e o filme acaba em um estalar de dedos. Te deixa
querendo mais. Tudo bem que a cena da festa em Zion é dispensável.
O discurso do Morpheus que vem antes então... putz... chega a ser
constrangedor! Mas a gigantesca perseguição na auto-estrada compensa.
A trilha sonora de Don Davis é bem eficiente. Ao adquirir
o CD, que ainda por cima é duplo, fui direto no disco 2 que tem
a trilha composta. O disco 1, com Linkin Park, Marilyn
Manson e Fluke, eu passei reto fingindo que não vi.
Eu
gostei do filme, mas nesse caso, não é suficiente. Eu queria amar.
Queria me casar com ele e ter filhinhos chamados Neo e Trinity.
Queria sair do cinema achando que eu era o mestre do Kung Fu, como
no primeiro. Mas não deu. É legal, vale o ingresso, mas não espere
ver o filme do ano, porque não é. E que venha O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei.
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Direção:
Andy e Larry Wachowski
Música:
Don Davis
Com:
Keanu
Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Monica
Bellucci
Cotação:

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