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Marcas
da Violência
(A History of Violence, EUA, 2005)
É
difícil falar sobre um filme de David Cronenberg
sem diminuí-lo. Há sempre características mais
marcantes do que outras. No caso de MARCAS DA VIOLÊNCIA,
seria os efeitos que esta tem no cidadão americano comum,
no caso a família de Tom Stall, interpretado por Viggo
Mortensen. Mas Cronenberg é um diretor invejável,
um verdadeiro malabarista, que sabe equilibrar temas variados de
forma leve e surpreendente, tendo sempre resultados no mínimo
interessantes.
Tom é um personagem pacato, dono de uma pequena lanchonete
numa cidade do interior dos EUA e que vive um casamento feliz com
Edie (Maria Bello) e os filhos Jack (Ashton
Holmes) e Sarah (Heidi Hayes). Até
que um dia, dois assaltantes entram no estabelecimento e ameaçam
matar uma das garçonetes. Surpreendentemente, Tom reage e
mata os dois bandidos de forma rápida e violenta. Seu rosto
vai parar em todos os jornais, na televisão e ele é
considerado o herói da cidade, chamando a atenção
de muita gente. Infelizmente, de pessoas não muito boas.
Então
MARCAS DA VIOLÊNCIA é também
um filme sobre os famosos "15 minutos de fama" de Andy
Warhol? Sim. Porque uma reputação não é
algo fácil de se livrar. Às vezes elas nos ajudam,
às vezes nos assombram. Dependendo de quanto tempo você
não encontra alguém, você terá que reviver
algo que esqueceu há muitos anos mas que faz parte da sua
história.
Mas
quando você deixa algo para trás, quando você
acredita que mudou, isso cria um tipo de nova personalidade. Algo
natural, que vem com o amadurecimento e aprendizado do ser humano.
Com a influência do meio em que vive. À medida que
você envelhece uma nova pessoa vai surgindo. Então
MARCAS DA VIOLÊNCIA é também
uma história de identidades trocadas?
Se
o meio influencia o ser humano, a educação também
é fundamental para a construção da personalidade.
Ou seja, a construção do seu caráter vai ser
parte da instrução e direção que você
dará a seus filhos. Por isso o ditado "a maçã
nunca cai muito longe da árvore" ou "os filhos
estão fadados a repetir os erros de seus pais", etc.
Então MARCAS DA VIOLÊNCIA é
também uma história sobre o destino?
O
filme é isso e muito mais. Entrar em detalhes seria entrar
em território perigoso para quem não conhece a história.
Infelizmente, eu sou um dos leitores da graphic novel A HISTORY
OF VIOLENCE (ainda não publicada no Brasil) de John
Wagner e Vince Locke. Mas Cronenberg,
que ao aceitar o projeto nem mesmo sabia que se tratava de uma adaptação
de quadrinhos, guarda boas surpresas com o roteiro de Josh
Olson.
Viggo
Mortensen nunca foi um grande ator mas com a direção
certa, como quando foi Aragorn em O SENHOR DOS ANÉIS, consegue
dar a seus personagens uma intensidade difícil de encontrar.
Em certo aspecto, me lembra Christian Bale cujos olhos parecem sempre
esconder algo mais do que o rosto entrega. E quem diria que Maria
Bello sairia de um papel coadjuvante de PLANTÃO MÉDICO
para se tornar uma das mais interessantes atrizes do cinema atual?
Agora, de Ed Harris e William Hurt
não se precisa dizer nada. Aqui, eles fazem o seu melhor:
os ilustres coadjuvantes, que enchem de brilho os poucos minutos
que têm. Um brilho negro, claro, devido aos papéis
que têm. Diversas faces do horror, assim como as cenas de
violência do filme.
Aliás,
essa é uma marca registrada de Cronenberg. Quando você
acha que está assistindo um filme mais comportado, ele quebra
todas as suas expectativas com uma cena altamente gráfica,
seja ela de violência ou sexo ou mesmo um simples silêncio
perturbador.
Nas
mãos de outro diretor, MARCAS DA VIOLÊNCIA
poderia ser um filme qualquer, até mesmo um action movie
of the week com Lorenzo Lamas no papel principal. Nas mãos
de Cronenberg, se torna um dos melhores filmes do ano. Talvez até
mesmo de toda sua carreira, competindo com um peso pesado como A
MOSCA, um dos meus favoritos.
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Direção:
David Cronenberg
Com:
Viggo Mortensen, Maria Bello,
Ashton Holmes, Ed Harris, Heidi Hayes, William Hurt
Cotação:
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