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Linha
do Tempo
(Timeline, EUA, 2003)
Nos
quadrinhos, os editores sempre evitaram mexer com histórias
sobre viagem no tempo. Não que elas não sejam interessantes.
Elas têm potencial enorme! Afinal, quem não queria
ver seu herói favorito na idade média ou na pré-história?
O problema é que o que era antes uma história única
e linear transforma-se em um gigante leque de possíveis realidades
alternativas. E isso dá um trabalho para vigiar e organizar...
Linha
do Tempo tem potencial para ser um bom filme. O tema
é interessante e tem em Richard Donner um
grande diretor de estúdio. O problema é que Donner,
por mais competente que seja, não é um diretor autoral.
Ele não consegue salvar um filme roteiro ruim, especialmente
esse de Jeff Maguire e George Nolfi,
baseado em um livro do superestimado Michael Crichton.
Ele faz o trabalho dele e pronto.
Sem
querer entregar muito, mas o filme gira em torno de um grupo de
arqueólogos que viaja no tempo para salvar um membro de sua
equipe. Enquanto isso, no presente, os inventores da tal máquina
do tempo fazem o possível para trazê-los de volta (dando
origem à mais um vilão inútil). A história
começa dando pistas do que aconteceu no passado através
de descobertas arqueológicas e diálogos. Ao invés
de cair no tema "não podemos alterar o passado para
não alterar o futuro", os roteiristas escolhem a linha
"fizemos parte do passado todo esse tempo, apenas não
sabíamos". Nesse ponto, até que eles se preocupam
com a cronologia só que acabam se contradizendo, principalmente
em relação à Lady Claire.

O
grande problema do filme são os personagens. O menos pior
é André Marek, vivido pelo carismático Gerard
Butler (Reino de Fogo, na foto acima), que apesar
de não ser o protagonista, se mostra o verdadeiro herói
da história. Agora em um filme basicamente sobre arqueologia
e viagem no tempo para 1357, como é que eles tentam escrever
um personagem principal que detesta o passado? Já mostra
que ele não vai ter função nenhuma, vai ficar
andando para lá e para cá. E ainda por cima, contratam
o inodoro/insípido/incolor Paul Walker,
de Velozes e Furiosos, para o papel. Um ator fraco num
papel ainda pior. E isso só piora quando os personagens se
separam. Aí ele simplesmente some na história.
Por
falar em coisas sem graça, a mocinha do filme é a
mediana Frances O'Connor de A.I. e Endiabrado.
Numa boa... em Endiabrado, Brendan Fraser vende sua alma
ao diabo encarnado por Elizabeth Hurley para conseguir a garota
pela qual ele tem uma paixão platônica. Agora, com
Hurley aparecendo a todo momento como as maiores fantasias como
enfermeira, professora, líder de torcida, policial... quem
é que ainda ficaria babando por Frances O'Connor? Ainda mais
que nesse filme Hurley está linda e sexy como nunca. O filme
mereceu entrar na minha coleção só por causa
dela.
No
mais, o filme ainda tenta humanizar os personagens mostrando remorso
ao matar alguém (que já está morto a 600 anos
mas tudo bem) ou sentindo culpa quando o plano dá errado
ou mesmo notando que as coisas não saíram como o esperado.
Bom, pelo menos o filme tem o Ethan Embry de Mal
Posso Esperar e The Wonders em um papel menor como
o físico que fica para trás. Aliás, Embry chegou
a ser cotado para ser o Noturno em X-Men 2
e, apesar de não ter grandes reclamações sobre
o Alan Cumming, preferia que ele tivesse ganhado o papel.
De
maneira alguma deixe esse filme refletir mal em Richard Donner.
Dos diretores de estúdio, ele certamente está na lista
"A" e competente nós sabemos que ele é.
É só assistir Máquina Mortífera,
Os Goonies, Superman ou Maverick. Até
uma ou outra coisa em Linha do Tempo é divertida
como as flechas noturnas ou mesmo as cenas com as catapultas. A
culpa não é dele que a Paramount lhe deu um daqueles
projetos que nenhum diretor quis mas que um hot new star já
foi pago para fazer. Mas tinha tempo que não sentia tanto
sono durante um filme.
Agora,
numa boa: de onde o povo tira que o Michael Crichton é bom
de serviço? O roteiro de Jurassic Park é
péssimo (que para piorar é adaptado pelo David Koepp),
apesar do filme ter ficado bacana. Mas que filme não fica
bom nas mãos do Spielberg, tirando Hook e O
Mundo Perdido (que também foi escrito por Crichton)?
Além disso, ele escreveu Twister, Congo,
Esfera e O 13º Guerreiro, filmes que podem
ser considerados, no máximo, medianos.
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Direção:
Richard Donner
Com:
Paul Walker, Frances O'Connor,
Gerard Butler, Billy Connolly, David Thewlis, Anna Friel, Neal McDonough,
Matt Craven, Ethan Embry, Lambert Wilson
Cotação:
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