| A
Liga Extraordinária
(The League of the Extraordinary Gentlemen, EUA, 2003)
"Estou
esperando para ficar impressionado!" -
Allan Quatermain.
Eu
também esperei e esperei. Estou esperando até agora!
A Liga Extraordinária padece do
grande problema que vem reinando nos atuais blockbusters: falta
de lógica. O filme tem tantos erros de narrativa e continuidade
que fica difícil contar. Eu tenho pelo menos umas vinte perguntas
que gostaria de fazer, mas isso seria entregar a maior parte do
filme. Não que faria alguma diferença, mas nunca é
bom quando alguém conta o fim do filme, não é
mesmo? As perguntas estão no fim da resenha, se não
quiser saber o filme do começo ao fim, não leia.
Em
1899, Allan Quatermain vive um merecido descanso na África
ao lado de vários outros exploradores ingleses, quando é
contactado pelo Império Britânico e o misterioso M
para frustrar os planos do diabólico PhantoM. Para isso,
ele terá o auxílio de várias outras seis figuras
da literatura mundial.
Vamos
deixar de lado que o filme usa apenas a idéia principal da
revista de Alan Moore e Kevin O'Neill (que é excelente, leia!)
e nos concentra no filme em si:
Os
Designs
O visual do Nautilus, o submarino do Capitão Nemo, parece
ter sido construídos com Lego e adornado com gigantes extremidades
para dar um visual vitoriano. É horroroso! E por dentro é
uma mansão! Espaçoso, cheio de paredes de mármore
e pilares, nem dá para entender como ele não simplesmente
afunda. Repare quando Quatermain chega a Londres e você vai
ver direitinho que o fundo é uma pintura. As roupas são
bem ruinzinhas, principalmente as do Capitão Nemo (que luta
kung fu, claro, em todo filme de ação de Hollywood
atualmente alguém tem que lutar kung fu!), que parece uma
fantasia de escola de samba e que muda de cor de acordo com a ocasião.
Os
Atores
Não tão ruins quanto eu esperava. Ainda acho que Peta
Wilson não é uma Mina Harker ideal. Afinal,
a personagem já tinha sido interpretada antes (e muito bem!)
por Winona Ryder em Drácula de Bram Stoker. Tony
Curran, que faz o Homem Invisível Rodney Skinner,
me lembrou muito Jason Statham (Carga
Explosiva) e é até carismático. Sem
querer ser chato, mas quando o Capitão Nemo, interpretado
pelo indiano Naseeruddin Shah apareceu na tela,
um menino bagunceiro gritou lá do fundo da sala: "Ih,
olha o Bin Laden!". Por mais que eu deteste bagunça,
tenho que admitir, é igualzinho, principalmente por causa
de seus trajes. Sean Connery está em piloto
automático, como em todos os filminhos de ação
que anda fazendo ultimamente. O resto... é resto. Não
ofende, não empolga.
O
Roteiro
Infelizmente, James Robinson parece não
conhecer nenhum dos personagens. Um exemplo é o Capitão
Nemo adorar a deusa Kali à bordo de seu submarino. Afinal,
ele não é um cientista? E dos bons? Baseado no personagem
original de Julio Verne, isso não seria muito condizente
com a personagem. Mas, claro, serve ao filme por uns 10 segundos.
Henry
Jekyll e Mr Hyde, que estavam sempre em conflito, de uma hora para
a outra resolvem dar as mãos e sair saltitando como smurfs
cantando tra la la. O psicopata que "vinha aterrorizando a
Rue Morgue" vira o gigante de bom coração em
alguns segundos.
É
o típico filme que acha que os espectadores são burros,
que tem que explicar cada piada, cada conceito. Exemplos gritantes
é a piada sobre Phineas Fogg e o monólogo de Mina
Harker.
Agora,
é muita ingenuidade achar que os atos do PhantoM seriam suficientes
para colocar o mundo à beira de uma guerra mundial! Um assalto
a um banco inglês perpetrado por alemães e um ataque
à uma fábrica na Alemanha é o melhor que Robinson
conseguiu criar? E o melhor: quais são os motivos do PhantoM
por trás disso tudo? Ora, os motivos são porque...
porque... porque ele é mau! Murahahahahahahaha!
Os
Efeitos
Em muitos lugares eu estou vendo gente falando que os efeitos do
Mr. Hyde funcionam muito melhor que o Hulk. Para começar,
o Hulk é um personagem totalmente digital enquanto Hyde é
muita maquiagem e animatronics. Se for comparar com o Hulk, tem
que comparar com o Hyde digital (e péssimo) que aparece no
fim do filme. No decorrer, ele é um boneção
muito do mal feito, cujos braços não dobram, dedos
não mexem, mal se move e a pele parece de borracha. Eu sou
muito mais o Hulk digital mesmo, que se move como um ser de verdade.
Os
cenários e explosões e fogos digitais são péssimos.
Veneza parece uma favela e as paisagens são muito falsas,
parece coisa feita para a televisão. A biblioteca de Dorian
Gray até que ficou bacana, mas nada digno de real admiração.
A
Direção
Se um diretor como Stephen Norrington não
se preocupasse com lógica para entregar visuais impressionantes
e cenas de ação de tirar o fôlego, eu até
entenderia. Mas a lógica vai para o espaço, a narrativa
é péssima, a edição faz com que você
fique completamente perdido durante as cenas de ação.
Eu não entendo como tanta gente acha que ele é talentoso
depois de ver Blade! Principalmente depois que Guillermo
Del Toro fez milagre com Blade 2! Ainda bem que, depois
desse filme e os quebra-paus com Sean Connery, Norrington disse
que não quer mais saber de trabalhar em Hollywood! Pelo menos
ele não estraga mais nenhuma franquia promissora, como A
Liga Extraordinária deveria ser.
Agora,
se você não quer saber mais nada sobre o filme, pare
de ler aqui. As perguntas que eu farei refletem alguns erros básicos
do filme mas também muita coisa que é opinião
própria. Fique com a avaliação ruim e pronto.
Agora, se você já viu o filme ou não liga de
saber as maiores surpresas (ha!) antes, pode continuar.
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Se no começo do filme, onde os capangas do PhantoM enfrentam
Quatermain na África. Se eles suicidam quando capturados,
por que um deles tenta fugir? Não seria mais simples ficar
e lutar?
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Quatermain decide ajudar M após a morte de seu amigo nas
mãos dos capangas do PhantoM. Um homem que desistiu de suas
aventuras depois de perder vários amigos, esposas, amantes
e mesmo um filho. Quando seu amigo morre... nem uma lágrima?
Uma memória? Uma lembrança? Ao menos... tristeza?
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Se o automóvel não existia e, no filme, aparece como
uma invenção do Capitão Nemo, por que ninguém
na rua pára para olhar? Ou fica impressionado? Ou qualquer
coisa? Está lá, parado, no meio da rua! E ninguém
nem liga!
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PhantoM e seus capangas aparecem do nada na casa de Dorian Grey...
e ninguém desconfia?
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Se os capangas do PhantoM usam armaduras e as balas ricocheteiam
no começo, porque no resto do filme inteiro qualquer tiro
dado à esmo consegue derrubá-los?
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Afinal, o Homem Invisível fica visível? Tudo bem,
em sua primeira cena ele passa a maquiagem no rosto, mas depois
eles simplesmente colocam o ator com a cabeça toda branca
e querem que aquilo engane alguém? Economia porca!
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Como é que o Nautilus, um submarino daquele tamanho, consegue
navegar pelos pequenos canais de Veneza?
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E por que ninguém em Veneza, principalmente as pessoas que
estão no tal Carnaval, não reparam que acaba de passar
um submarino gigantesco ao lado deles?
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Se o automóvel foi inventado pelo Capitão Nemo, como
é que Tom... desculpe... o Agente Especial Sawyer (que se
o roteirista fizesse um pouquinho de pesquisa veria que Sawyer deveria
ter a idade de Quatermain no filme) consegue dirigir?
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Como diabos o Quatermain pula de um carro à toda velocidade
e cai em pé?
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Aliás, como é que a física mais básica
não afeta as personagens? Está caindo uma nevasca
e eles nem ligam, o Náutilus está em movimento mas
nada balança, quando eles estão no topo do submarino
mal venta, quando algo explode do lado deles eles nem se movem,
e por aí vai.
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Onde Dorian Grey aprendeu a pilotar o mini-submarino do Nemo?
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Como é que os capangas do PhantoM constróem oito Nautilus
em tão pouco tempo?
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Como Dorian Gray conseguiu colocar bombas em diversos compartimentos
do Nautilus sem ser percebido por ninguém?
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Por que eu ainda perco meu tempo vendo esse tipo de filme?
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