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Os
Irmãos Grimm
(Brothers Grimm, EUA, 2004)
Depois
de mais de um ano pegando poeira nas prateleiras do estúdio,
a Miramax finalmente lançou OS IRMÃOS GRIMM,
novo filme do genial Terry Gilliam. Mas seria GRIMM
um filme genial? Afinal, talvez esse seja o trabalho menos pessoal
de Gilliam que teve diversas brigas com o produtor Harvey
Weinstein. Aliás, eles até deixaram o filme
de lado por seis meses para que ambos os lados esfriassem a cabeça
e pudessem, com os espíritos renovados, analisar o filme
de modo mais distante e crítico para entrar em acordo em
suas divergências. Dizem ambos que no final tudo deu certo
e que a mídia especula muito sobre o que seriam brigas normais
entre produtor e diretor.
Durante a dominação francesa da Alemanhã, dois
irmãos, Jacob (Heath Ledger) e Wilhelm (Matt
Damon) Grimm, são famosos por matar monstros, bruxas
e outros seres sobrenaturais. Na verdade, são dois farsantes
que usam truques de luzes e fios para simular assombrações
e arrancar dinheiro das pessoas. Até que o francês
general Delatombe (Jonathan Pryce) os captura e
os força a desvendar o mistério do desaparecimento
de onze crianças em uma vila distante. Acompanhados do sádico
Cavaldi (Peter Stormare), braço direito
do general, eles contam com a bela Angelika (Lena Headey),
uma caçadora amaldiçoada cujas duas irmãs estão
entre as desaparecidas, e que vai guiá-los pela floresta.
Muito
foi dito sobre o roteiro de Ehren Kruger que, realmente,
não é dos melhores. Às vezes é até
mesmo um pouco óbvio. Imagino como seria antes de Gilliam
e Tony Grisoni terem feito várias alterações.
Apesar de que eles não são creditados como roteiristas
mas como "Dress Patern Makers" por terem feitos
diversas novas costuras em um roteiro retalhado. Mas ainda assim
conta uma história eficiente e divertida, brincando com o
conceito de que os verdadeiros irmãos Grimm, famosos pelos
seus contos de fadas, teriam se inspirado em "fatos reais".
Mas
o filme se apóia exatamente nisso, na capacidade que temos
de acreditar nos contos de fadas. Em querer acreditar em algo que
não é real e, ao mesmo tempo, acreditar em si mesmo.
E mais, querer que acreditem em você. Não só
no que você diz mas em sua capacidade. Em dar um voto de confiança
ao próximo que, por mais que comece como alguém mais
tímido e "inferior", possa no fim andar ombro a
ombro com seu igual. Até mesmo salvar o dia.
Um
dos pontos altos do filme é a interação entre
os personagens. A química entre Damon e Ledger, este um pouco
mais teatral e eficiente, é surpreendente, assim como os
poucos minutos de projeção de Monica Bellucci
que faz aqui o que faz de melhor: ser linda, sexy e completamente
apaixonante. Headey parece ser uma escolha mais adequada para o
papel de Angelika do que Samantha Morton, a escolha de Gilliam que
foi rejeitada pelos Weinstein, por ter uma beleza mais óbvia.
Afinal, para encantar os dois irmãos, não basta apenas
ser a mocinha esquisita do filme. Os personagens de Pryce e Stormare
são divertidos mas um pouco cansativos mas nada que abale
o resultado final do filme.
Destaque
para a trilha sonora de Dario Marianelli que, misturando
elementos de suspense com velhas canções de ninar,
consegue criar um efeito familiar e ainda assim apavorante como
os próprios contos dos Grimm que, ao passar dos anos foram
se tornando mais brandos mas que em sua essência são
grandes histórias de horror.
No
fim das contas, OS IRMÃOS GRIMM talvez seja
o filme mais problemático de Gilliam. E ainda é melhor
do que 99% do que se vê do atual cinema hollywoodiano. Principalmente
porque o filme tem uma qualidade invejável: ele consegue
ao mesmo tempo misturar uma história absolutamente fantástica
com um visual de contos de fadas mas com uma bela fotografia quase
realista, com cores de mesmo tom que permeiam cenas inteiras e passando
sensações específicas. Coisa que diretores
como Chris Columbus ou mesmo Tim Burton tentam, tentam, tentam,
mas não conseguem. Ou é 100% fantasia como o belíssimo
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA ou é um visual meio
pobre, sem brilho, sem muita imaginação, como PEIXE
GRANDE.
OS
IRMÃOS GRIMM pode ser um pouco assustador para as
crianças mas é o tipo de filme que eu adorava quando
moleque, como WILLOW ou OS GOONIES. Só que um pouco melhor.
Certamente mais bem dirigido. E ao contrário de Columbus
e seus dois HARRY POTTER, em momento algum subestima a inteligência
alheia.
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Direção:
Terry Gilliam
Com:
Matt Damon, Heath Ledger,
Lena Headey, Peter Stormare, Jonathan Pryce, Monica Bellucci
Cotação:
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