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Hulk
(The Hulk, EUA, 2003)
Por: Gelogurte
Vou
tentar ser o mais breve possível na minha resenha de Hulk.
Afinal, qualquer opinião que eu der sobre um filme como esse, pode
ser julgada como protecionista. Quadrinhos são uma parte importante
da minha personalidade e Ang Lee para mim é gênio. Top 10
dos diretores atuais. Um dos melhores filmes de guerra da história
para mim é Cavalgada com o Diabo. Êta filminho subestimado!
Quando
a Universal anunciou que Lee seria o diretor de Hulk, eu
nem respirei aliviado. Eu subi pelas paredes de excitação! Melhor
do que isso, só Guillermo Del Toro dirigindo Hellboy... yipie!
É uma boa época para ser um nerd.
Vou
ser rápido pois escrevo isso às quatro da manhã e acabei de ler
uma resenha tão equivocada sobre o filme que eu tenho medo de dizer
bobagem. Crítico respeitado, queridinho da mídia, parece que entrou
na sala errada e achou que ia assistir Homem-Aranha 2 porque
nunca ouvi alguém dizer tanta abobrinha. Puny human!
Uma
coisa que eu acho importante dizer é que uma adaptação de quadrinhos
pode ser fiel ao personagem sem ser fiel à história. É onde Hulk
se difere de Demolidor. Enquanto Demolidor transcreve
para a película o que está na página, ele perde completamente o
sentido do personagem, o espírito da coisa. É complicado explicar.
Já Hulk não é uma simples 'adaptação de quadrinhos', é um
filme de Ang Lee com roteiro de James Schamus, traduzindo
para a tela o que Stan Lee e Jack Kirby inventaram.
Originalmente,
o Hulk nunca foi um 'super-herói' no sentido comum da palavra. Ele
é uma... coisa... um monstro que se descontrola com extrema facilidade,
o que o torna uma arma poderosa. Um grande aliado ou um grande inimigo.
Não vá ver este filme achando que é mais um filme de 'super-herói'.
Ele é muito mais parecido com Frankenstein, O Médico e
o Monstro ou até mesmo Um Lobisomem Americano em Londres
do que com Homem-Aranha ou Superman.
Os
atores são ou estão ótimos. Jennifer Connelly... não tenho
palavras para descrevê-la. Entende-se porque o Hulk se acalma ao
vê-la. Linda. Talentosa. E a química entre ela e Eric Bana
é perfeita. É uma atuação de olhares. Eles não trocam um "eu te
amo" durante todo o filme mas pelo jeito que se olham, que se provocam
ou que se ajudam... perfeito. Aquele olhar meio constrangido de
ex-namorados, que se amam mas não conseguem fazer dar certo. Nada
mais real.
Glen
Talbot (Josh Lucas) é um dos 'vilões' da história, profundo
como uma porta mas mesmo assim se segura e convence.
Sam
Elliott como o General Ross é ótimo, pois seria o 'vilão com
razão' já que ele está cumprindo sua obrigação de pai e militar.
Já
de Nick Nolte eu não gostei muito mas acho que é um pouco
de implicância minha.
O trabalho
mais difícil é mesmo de Eric Bana que tem que transformar um personagem
fechado, travado, em algo que o público possa se identificar e relacionar.
Consegue. Ponto para ele.
O que
mais preocupa: o Hulk digital, claro, não engana 100% do tempo.
Em certas cenas do filme é perfeito, em outras não. Mas a edição,
as cores, a fotografia e a narração, é tudo feito de uma forma tão
sincronizada que ele sempre funciona a favor da história. E todas...
TODAS... as cenas do Hulk são impressionantes. Esqueça aquele papo
de "Shrek anabolizado". Nada a ver. Principalmente
porque se alguém copia algo, foi o pessoal do Shrek que copiou
do Hulk. Ao ver os trailers, eu achava que o gigante esmeralda
não se parecia com Bana, mas os retoques finais dados pelo pessoal
da Industrial Light and Magic corrigiram esse problema. Parece e
muito! E os tais 'cães Hulk' vêm e vão em segundos. Estão ali mais
de enfeite e não incomodam. Pelo contrário, servem para mostrar
como a selvageria do Hulk é superior.
O filme
mostra o Hulk como um ser selvagem mas nem por isso desprovido de
sentimentos. É incrível como Lee fez com que uma criatura digital
expresse sentimentos tão reais. Não só a raiva mas principalmente
o amor, por seu pai e por Betty. Até mesmo o prazer. Quando o Hulk
está dando seus pulos-quase-vôos pelo deserto e a câmera dá um close
no rosto dele, com os cabelos ao vento e lee quase fecha os olhos,
aproveitando o momento, sente-se na pele o quanto aquela sensação
deve ser maravilhosa. É uma cena rara.
Só
para chutar cachorro morto, mas é isso que falta em Matrix Reloaded.
Ninguém se impressiona com nada! O Neo pode voar a milhares de quilômetros
por hora mas é como se fosse tão comum quanto andar de bicicleta.
Aliás, não! Quando eu aprendi a andar de bicicleta, aquilo era o
ápice da emoção e adrenalina, então nem isso não é.
Pode
ser que Hulk não fature os milhões de um Homem-Aranha
(a não ser que ocorra o efeito Titanic e ele tenha uma estréia
pouco impressionante mas fique semanas em primeiro lugar nas bilheterias).
Mas, pelo menos no meu caderninho, entra para a história. Minha
nova adaptação de quadrinhos preferida. Quer dizer, pelo menos até
ver Hellboy ano que vem.
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Direção:
Ang Lee
Com:
Eric
Bana, Jennifer Connely, Nick Nolte, Sam Elliott, Josh Lucas
Cotação:
    
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