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Homem-Aranha
2
(Spider-Man 2, EUA, 2004)
A Marvel
parece ter realmente se livrado da maldição que rondava
suas adaptações live action, deixando para
trás os terríveis dias em que amargava seriados como
o do Homem-Aranha ou telefilmes como o da Geração
X ou Nick Fury. Homem-Aranha e X-Men
1 e 2, assim como Hulk,
estão aí para provar o que digo. Tudo bem, existe
o filme do Demolidor, embora eu não o ache tão
ruim assim quanto a maioria dos fãs de quadrinhos que conheço.
O filme estrelado por Ben Affleck é uma boa sessão
da tarde, mas não passa disso. E também é um
caso a parte.
Mas
as adaptações cinematográficas foram mais adiante,
pois além de quebrarem a maldição que rondava
a editora, conseguiram também subverter um antigo tabu de
Hollywood: o de que as continuações nunca são
melhores que os originais. Poucas pessoas vão discordar de
mim que X-Men 2 é muito melhor
que o primeiro e garanto que menos pessoas ainda vão duvidar
que HOMEM-ARANHA 2 segue o mesmo padrão.
HOMEM-ARANHA 2 é fenomenal!!! E já desbancou o primeiro
filme na minha lista de melhores adaptações de HQ
para o cinema, dividindo o troféu com o Hulk
de Ang Lee e o Superman do Richard Donner.
Logo
no início do filme, temos uma abertura que é um achado.
A medida que os créditos iniciais vão passando, estes
são intercalados por pinturas feitas por Alex Ross
que representam cenas importantes do primeiro filme. Solução
genial para mostrar os acontecimentos que deram origem ao herói
sem recorrer ao clássico flashback ou um textinho
inicial contando o que aconteceu “no capítulo anterior”.
Não aborrece quem já viu o primeiro filme (muito pelo
contrário) e ajuda a situar aqueles que foram ver a segunda
parte da saga do herói sem ter conferido a primeira.
Neste
filme, dois anos se passaram desde que Peter Parker se tornou Homem-Aranha
e enfrentou Norman Osborne, o Duende Verde. Peter tenta equilibrar
os mais diversos aspectos da sua vida: suas obrigações
como super-herói, seus dois empregos (como entregador de
pizza e fotógrafo do Clarim) e seus estudos na faculdade.
Com tanta coisa para gerenciar ao mesmo tempo, sobra-lhe pouco tempo
para dar atenção a aqueles que ele ama: sua tia May,
seu melhor amigo Harry, e Mary Jane, o amor de sua vida.
Para
complicar ainda mais, Tia May vai ser despejada de sua casa, Harry
continua obcecado em vingar a morte de seu pai, que ele acredita
ser culpa do Aranha e Mary Jane vai se casar com outro em breve.
Como
se Peter não tivesse ainda mais problemas, Dr. Otto Octavius,
que trabalha para a Oscorp, empresa que Harry herdou do pai, sofre
um acidente de laboratório, perdendo a esposa no processo
e tendo tentáculos de metal amalgamados com seu corpo. Quase
completamente enlouquecido pelo processo, ele acaba se tornando
o vilão Dr. Octopus.
E como
dizem que desgraça pouca é bobagem, os poderes de
Peter começam a falhar.
Depois
de tanta pressão, ele decide, então, que é
hora de abandonar o uniforme e tentar levar uma vida normal.
O mais
estranho de tudo é que apesar de tantas tragédias
e dramas rondando a vida de Peter, este é um dos filmes de
super-heróis mais engraçados que já vi. Prestem
atenção especial na cena do elevador e na da violinista.
Entrar em detalhes estragaria a graça dessas piadas.
Na
realidade, HOMEM-ARANHA 2 é a síntese perfeita daquilo
que fazem as histórias em quadrinhos do amigo da vizinhança
tão únicas.
Sam
Raimi e companhia entenderam bem que a história
do Homem-Aranha nunca foi essencialmente a história do herói,
mas sim, a história de Peter Parker, um carinha comum com
um senso de responsabilidade exagerado, mas cheio de problemas como
qualquer um de nós e que, apesar de tudo, ainda tenta fazer
o melhor que pode.
E por
ser a história de uma pessoa quase real, apesar dos super-poderes,
ela é cheia de momentos de drama, mas também de comédia
e tensão. O filme é engraçado quando precisa
ser (e são muitas e divertidas vezes) e emocionante e sentimental
(no bom sentido) quando também necessita.
Mas
como um bom filme de herói, ele também precisa ter
sua dose de ação e aventura. E essas também
são sensacionais. A seqüência em que o Aranha
e o Dr. Octopus se enfrentam em cima e dentro de um metrô
em alta velocidade é indescritivelmente empolgante. Não
dá para colocar em palavras o que se passa ali, só
mesmo vendo. Muito mais interessante e envolvente que a cena ápice
entre o Aranha e o Duende Verde no primeiro filme.
Os
movimentos de câmera nesse filme estão muito mais ousados,
rápidos e mirabolantes. Quem conhece a carreira de Sam Raimi,
especialmente na trilogia Evil Dead e em Darkman,
sabe que essa é uma característica típica do
diretor. No primeiro filme, ele se conteve um pouco nesse quesito,
talvez para não “assustar” o grande público
que ainda não o conhecia efetivamente. Agora, muito mais
seguro do seu lugar dentro da franquia do aracnídeo, Raimi
volta a velha forma, fazendo com esses jogos de câmera tornem
a narrativa mais ágil e nos dando uma idéia de como
é saltar pela cidade e ver o mundo pelos olhos do Homem-Aranha.
Sobre
o Dr. Octopus, devo confessar que nunca gostei muito dele nos quadrinhos.
Para mim ele sempre foi o cientista maluco com cabelo em forma de
tigelinha e tentáculos nas costas que volta e meia atazanava
a vida do Homem-Aranha. Nunca chegou aos pés do Duende Verde,
que para mim sempre foi o grande inimigo do Aranha. E, por incrível
que pareça, o Dr. Octopus do filme consegue ser muito mais
interessante que a versão do Duende do filme anterior.
Primeiro,
porque conseguiram dar um background ao personagem bastante
consistente, humanizando-o e tirando aquele ar de vilão de
HQ de segunda ao estilo “Eu sou louco e quero dominar
ou destruir o mundo”. Otto Octavius é um homem
apaixonado. Apaixonado pela mulher, Rosie. Apaixonado pela Ciência
e por seu sonho de conseguir energia mais barata para o mundo. Em
uma única noite, ele perde tudo. Com a explosão de
seu experimento, a esposa morre, todo seu trabalho de anos é
destruído. Qualquer um enlouqueceria com menos que isso.
Mas Octavius enlouquece sim, mas não por vontade própria,
pois seus tentáculos parecem ter consciência própria
e controlam o cientista. Dessa forma, o espectador passa a ter certa
compaixão pela personagem.
Mas,
como ele é o vilão, e um excelente vilão diga-se
de passagem, ele também deve transmitir terror e medo no
público. E certamente ele o faz. Não dá para
olhar aqueles enormes e afiados tentáculos de metal sem sentir
um arrepio na espinha.
E se
tem uma cena que sintetiza o horror de que Octopus é capaz
e faz com que a platéia passe a tremer toda vez em que ele
aparece é aquela na qual os tentáculos do doutor massacram
toda a equipe médica que operava o cientista depois do acidente.
Sem mostrar uma gota de sangue sequer, tal cena é uma das
seqüências mais assustadoras do filme e supera muitos
filmes de terror inteirinhos que andaram sendo lançados nos
últimos tempos. É o bom e velho Raimi usando sua experiência
no gênero. Arrepiante. Mal dá para segurar o grito
na garganta.
O mesmo
pode-se dizer da morte da esposa de Octavius. Horrível sem
ser explicitamente violenta.
Outra
personagem que acabou me surpreendendo no filme é a Tia May.
Nos quadrinhos, a velhinha sempre me passou a impressão de
ser um tanto quanto irritantemente inocente e bobinha demais. O
primeiro filme não conseguiu tirar essa impressão
de mim. Já no segundo, praticamente virei fã da Tia
May. É a tia de Peter que eu aprendi a gostar lendo Ultimate
Spiderman que está ali na tela. Uma mulher forte, determinada,
sábia e batalhadora, que tenta superar a morte do marido
da melhor maneira que pode, embora nem sempre consiga. Vendo ela
e Peter juntos neste filme, consegui finalmente entende a devoção
de Parker à tia.
Outros
pequenos detalhes do filme são de deixar qualquer fã
de quadrinhos sorrindo de orelha a orelha. Como eu disse antes,
este filme é realmente a síntese perfeita das HQs
do aracnídeo. Muito mais por questão de clima que
necessariamente por pequenas participações especiais
como as que vimos no primeiro. Quer dizer, essas pequenas participações
de personagens clássicas como Betty Brant, Robbie Robinson,
de J. Jonah Jameson, Curt Connors e John Jamenson ainda são
interessantes. Contudo não são tão pontuais
como antes. A graça não está em ver as personagens
em carne e osso, mas sim ver que eles são exatamente iguais
a suas contra-partes quadrinísticas em termos de comportamento
e personalidade, e isso em pouquíssimas cenas! Mas o que
estou falando não é apenas desse aspecto. Tudo realmente
importante do Aranha está no filme: a fase clássica
dos anos 70 da época da faculdade, as divertidas histórias
do Peter David na época em que Parker morava num apartamento
bem moquifo e era pentelhado pela senhoria (agora substituída
por um homem), e também uma bela homenagem a um dos melhores
desenhistas do Homem-Aranha: John Romita Sr., na cena em que Peter
abandona o uniforme em uma lata de lixo. Referência explícita
a uma clássica capa feita por Romita. Ah, sim, antes que
eu me esqueça, há também a obrigatória
participação de Stan Lee.
Sobre
Mary Jane, o que eu poderia dizer? Kirsten Dunst
continua brilhando no papel. Sua M.J. é estonteante e envolvente,
a mulher dos sonhos de Peter. Mas não uma deusa inalcançável,
e sim tão humana, confusa e complexa como o próprio
Peter. Alguém que apesar do sucesso na carreira, quer entender
por que o homem que ela ama a evita, embora não consiga ter
coragem de perguntar isso diretamente a ele.
O grande
lema do herói, "com grandes poderes vem grandes
responsabilidades", ainda é forte neste segundo
filme. Contudo, a questão maior não é tomar
tal lema como obrigação, mas tentar entender o por
quê de algumas coisas serem muito maiores que nossas próprias
questões pessoais e aceitarmos elas não por que somos
obrigados, mas porque fazer a coisa certa ainda é a melhor
opção, apesar dos sacrifícios.
Sobre
os efeitos especiais, as cenas do Aranha pulando e se balançando
de prédio em prédio estão muito mais sofisticadas
e realistas que as do primeiro filme. Entretanto, algumas vezes
o CGI parece um pouco artificial, dando uma aspecto “borrachudo”
ao herói ou às pessoas que ele salva. Mas não
chega a ser algo tremendamente gritante ou irritante.
O que
eu posso dizer é que, depois de ver HOMEM-ARANHA 2, mal vou
conseguir me conter para ver o três. Tentando não estragar
a surpresa de vocês, só posso dizer que algo que esperávamos
desde o primeiro finalmente filme aconteceu. Bem, duas coisas...
E, se HOMEM-ARANHA 2 é atualmente meu filme favorito de super-herói
e superou todas as minhas expectativas, Homem-Aranha 3
é uma revolução pré-anunciada.
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Direção:
Sam Raimi
Com:
Tobey Maguire, Kirsten Dunst,
Alfred Molina, James Franco, Rosemary Harris, J.K. Simmons, Donna
Murphy, Daniel Gillies, Dylan Baker, Bill Nunn, Ted Raimi, Bruce
Campbell
Cotação:
  
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