Harry Potter e o Cálice de Fogo
(Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/Inglaterra, 2005)


Bem... não é um HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN... mas serve.

Porque esse era um dos meus medos. Mike Newell tenta seguir o estilo de Alfonso Cuarón no filme anterior. Em certos aspectos, até consegue. E se pensarmos bem, Newell é um diretor muito mais experiente, que está fazendo filmes a muito mais tempo. Talvez seja exatamente essa longevidade que faz dele um diretor menos comprometido.

Em HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO vemos Harry tendo pesadelos com Lord Voldemort, Rabicho e mais uma pessoa misteriosa. Chegada a hora de voltar a Hogwarts, o diretor Dumbledore anuncia que será realizada na escola o anual Torneio Tribruxo, onde três estudantes de três diferentes escolas competirão pela glória eterna. Mas, devido aos perigos que o torneio apresenta, nenhum estudante com menos de 17 anos pode se candidatar (o que elimina Harry e seus amigos). Todos os candidatos devem colocar seus nomes no famoso Cálice de Fogo que depois cospe os nomes dos três escolhidos. Até que este sorteia, pela primeira vez, um quarto nome. E esse nome, claro, ou você leu o livro e sabe ou já supôs qual é.

Apesar de ter aversão aos dois primeiros filmes da série, um mérito deve ser dado a Chris Columbus: sua escolha para os atores. Não só Daniel Radcliffe mas também Emma Watson e Rupert Grint estão se mostrando bons vinhos: melhoram com o tempo. Tudo bem que eles tiveram diretores mais talentosos nos dois últimos filmes mas estes se mostram cada vez mais hábeis. Além disso, poderiam ter virado monstrinhos ao entrar na adolescência mas todos envelhecem muito bem, mantendo os traços infantis. Emma Watson até agora dá todas as indicações que vai se tornar uma mulher linda.

Além deles, a cada filme temos ilustres adições ao elenco. Neste caso, Brendan Gleeson como um Mad-Eye Moody que rouba a maioria das cenas e o sempre impecável Ralph Fiennes como Morfo dos Exilados... oh, quero dizer, Lord Voldemort. É uma pena que, normalmente, tais adições recebem extrema atenção no primeiro filme e depois se tornam quase figurantes muito caros (como o caso de Gary Oldman). E no filme anterior Michael Gambon já provou que é um Dumbledore muito mais inspirado que Richard Harris, que Deus o tenha.

Mas a grande vantagem desta incursão no mundo de J. K. Rowling é que, pela primeira vez, o roteiro possibilita que haja grandes cenas de ação no Torneio Tribuxo. A escala desse filme é muito maior que dos anteriores e são exatamente essas cenas que impressionam, mesmo que não emocionem. Por exemplo, em AZKABAN já tínhamos visto Harry voar em dois filmes, mas quando ele voa montado no Grifo temos toda aquela sensação de mágica e novidade novamente.

Mas Mike Newell tem suas qualidades. Sua experiência em comédias torna esse episódio bem mais irônico e engraçado que os anteriores. Mas falta ainda aquele toque pessoal, aquela cartada de gênio, na direção e visual. Por mais que ele siga a linha de Cuarón, esse filme é um pouco mais burocrático, menos inventivo que o anterior (que, estranhamente, é o que os fãs dos livros parecem gostar menos). Além disso, com qualquer filme desse porte, a edição é às vezes cruel e pede uma obra cada vez mais enxuta. No caso, em algumas cenas, isso chega a comprometer a história como a briga de Ron e Hermione e o desaparecimento de Harry durante o baile e mesmo o final que deixa pontas soltas para praticamente todos os personagens secundários.

Pois dessa vez, os fãs de Potter se deliciarão. Eu não tanto quanto eles, mas ainda assim é uma boa aventura para as férias de fim de ano.

     

Direção:
Mike Newell

Com:
Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Gary Oldman, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Ralph Fiennes, Brendan Gleeson, Miranda Richardson

Cotação: