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Extermínio
(28 Days Later, Inglaterra, 2003)
Por: Katchiannya
Durante
muito tempo Danny Boyle foi um dos meus diretores
favoritos. Amei Transpotting, adorei Cova Rasa
(especialmente o final), gostei muito de Por Uma Vida Menos
Ordinária. Mas, então, eis que me surge no meio
do caminho A Praia. Enquanto todas as menininhas esperavam
esse filme com expectativa por ser o mais novo filme do Leonardo
Di Caprio (vivendo sua glória pós-Titanic),
eu vibrava com a possibilidade de ver mais um filme de Boyle. Mas,
que decepção. O filme era uma bomba completa, com
exceção de algumas poucas seqüências como
a que o personagem de Di Caprio delira que está dentro de
um vídeo-game.
Quando
soube do lançamento de Extermínio
fiquei dividida. Será que Boyle teria retornado à
velha forma ou eu estaria diante de um novo desastre? Teria eu coragem
de ver esse filme?
Apesar
dos receios, tudo apontava para que eu decidisse ver o filme. As
informações sobre ele eram as mais promissoras, a
história interessante e, além de tudo, era um filme
de terror (eu amo filmes de terror) e de zumbis (adoro filmes de
zumbi).
Decidi
pagar para ver e não me arrependi. O filme é muito,
muito, muito bom!!!! Danny Boyle como nos velhos tempos ou talvez
melhor.
Filmado
com cameras digitais, o filme tem todo o jeitão de filme
independente e de baixo orçamento como alguns clássicos
do gênero costumam ter (A Morte do Demônio
- ou Uma Noite Alucinante I -, O Massacre da Serra
Elétrica, A Noite dos Mortos Vivos, só
para citar alguns exemplos). Boyle nos lembra o que a grande maioria
das produções de terror hollywoodianas vive se esquecendo:
um bom filme de terror não se faz com grandes efeitos especiais,
mas com uma história intrigante e sugestiva, que sabe dosar
de forma
equilibrada ação, suspense, sustos e pavor. Algo que
faz gelar sua espinha pela possibilidade, ainda que remota, de se
tornar real.
Em
um futuro recente, na Inglaterra, um grupo de ambientalistas resolve
invadir um laboratório que usa animais como cobaias. Mas
eles chegam tarde demais, pois os macacos a serem libertados já
estão infectados com um vírus letal e incontrolável:
a Raiva. Não aquela raiva comum do "cachorro de boca
espumante", mas uma muito pior, que elimina no infectado qualquer
sinal de racionalidade. Ele se torna uma besta insana e sedenta
de sangue, um morto-vivo cujo maior e único desejo é
trucidar tudo e todos que estão no seu caminho. Pois bem,
uma das ativistas é atacada por um macaco e infectada. 28
dias depois (como diz o
título original do filme), a doença se torna uma epidemia
e toda a Inglaterra é devastada. É nesse cenário
que o entregador Jim (Cillian Murphy) acorda depois
de um mês de coma. Vagando por uma Londres deserta, ele acaba
se deparando com Selena (Naomie Harris), Frank
(Brendan Gleeson) e sua filha Hannah (Megan
Burns) e descobrindo a terrível verdade sobre o
que aconteceu enquanto dormia. Aprende também que o vírus
se transmite através do contato de sangue com feridas ou
mucosas (boca, olhos, etc) e uma vez infectado deve-se matar a vítima
imediatamente, independente de quem ela seja, pois após 20
segundos ela já está completamente dominada. Juntos
eles
decidem ir até Manchester, onde o exercíto teria a
solução para a epidemia?
A história,
escrita por Alex Garland, usa com primor o velho
artifício "pessoa comum diante do desconhecido aterrorizante",
cria personagens consistentes com as quais é possível
se identificar e envolver. Eles não são apenas os
heróis do filme, mas pessoas que sofreram duras perdas, buscam
sobreviver, mas também algo mais em suas vidas. Boyle e Garland
conseguem entremear a trama com momentos de emoção,
ternura e até um pouco de poesia sem quebrar o ritmo tenso
da história, muito pelo contrário, é pelo contraste
com esses momentos que muitas vezes a tensão é produzida.
As sequências de Londres completamente deserta são
inacreditáveis e impactantes. Dá para sentir o desespero
de se encontrar completamente sozinho em uma grande, barulhenta
e populosa metropólis. Totalmente desolador.
A idéia
de tornar os zumbis mais fortes, mais rápidos e incansáveis
que uma pessoa comum, ao invés de do usualmente lentos e
arrastados, além de ser bem plausível (o vírus
retira todas as inibições psicológicas que
protegem nosso organismo dos danos de um esforço extremo),
também passa aquela idéia de um predador selvagem
e incontrolável atrás de sua presa. Fugir de um zumbi
seria tão ou mais aterrorizante que fugir de um tigre.
A opção
de um elenco completamente desconhecido para
não desviar a atenção da história e
reforçar essa idéia de pessoa comum também
foi outro ponto positivo da produção. Tudo bem que
no começo senti falta do Ewan McGregor (que usualmente trabalhava
com Boyle), mas Cillian Murphy se mostrou extremamente competente
como Jim (além de ser um colírio nos olhos para a
platéia feminina). Depois de ver o filme cheguei à
seguinte conclusão: esse cara tinha que ser o Batman no próximo
filme do Morcego. Além de ser fisicamente parecido com Bruce
Wayne, ele seria capaz de captar e transmitir a essência da
personagem, seja nas cenas de ação quanto naquelas
que envolvam toda a complexa neurose e o desejo de justiça
do Cavaleiro das Trevas. Era só alguém ensinar Murphy
como falar com american accent. :o).
Mas,
para não dizer que estou exagerando e babando muito o ovo,
o filme possui alguns probleminhas no roteiro, que se questionarmos
demais ficam insustentáveis. Além disso, os dois finais
(o original - mais comercial- e o alternativo) deixam um pouco a
desejar, por serem um pouco clichés. Mas tentei imaginar
maneiras mil de finalizar o filme e não consegui encontrar
nenhuma sem cair na mesmice. Se
alguém souber como terminar um filme de zumbi sem cair no
cliché, me dê um toque.
Enfim,
se Resident Evil era o exemplo de como não se fazer
um filme de zumbis nos dias de hoje (e eu realmente gosto dos jogos),
Extermínio é a mostra do que se pode fazer
de melhor, comparável em termos de inovação
e qualidade ao A Noite dos Mortos Vivos (o original da
década de 60) de George Romero, o maior especialista em mortos
vivos no cinema.
E antes
que eu me esqueça: Danny, parabéns, parece que você
consegui retornar à minha lista de diretores preferidos.
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Direção:
Danny Boyle
Com:
Cillian Murphy, Naomie Harris,
Noah Huntley, Christopher Dunne, Emma Hitching, Alexander Delamere,
Brendan Gleeson, Christopher Eccleston
Cotação:
  
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