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Eu,
Robô
(I, Robot, EUA, 2004)
É
oficial: eu e Will Smith não dividimos o
mesmo gosto para filmes. Ou então ele escolhe seus trabalhos
pelo talento envolvido, não pelo filme em si. Eu nunca vi
um filme de Will Smith que amei. Gostei de vários, claro,
mas ainda falta o trabalho que vá me conquistar, apesar de
gostar muito de suas atuações em Lendas da Vida
e Seis Graus de Separação.
Na pele do policial Del Spooner, Smith é uma pessoa antiquada.
Em 2035 ele usa tênis All Star modelo 2004 (uma inserção
que, juntamente com a da FedEx já deve ter pago boa parte
do orçamento), gosta de dirigir seu carro com as mãos
e não por piloto automático, ouve música antiga
em um sistema de som por controle remoto e não comando de
voz. Tudo isso consequência da paranóia que tem em
relação à tecnologia e principalmente aos robôs.
Certa manhã ele é chamado para investigar o suicídio
do Dr. Alfred Lanning (o sempre eficiente James Cromwell
em uma participação especial) que é um gênio
da robótica e um dos fundadores da U.S. Robotics ao lado
de Lawrence Robertson (o insosso Bruce Greenwood).
Para ser "babá" de Spooner nas instalações
é convocada a psicóloga Susan Calvin (a bela Bridget
Moynahan, de Showbar, A Soma de Todos os Medos
e O Novato), encarregada de dar mais humanidade aos robôs
que a empresa fabrica. Spooner suspeita que Lanning tenha sido assassinado
por um robô, o que teoricamente seria impossível porque
estes são programados para obedecer às três
leis da robótica:
- Um
robô não pode fazer mal a um ser humano ou permitir
que ele mesmo o faça.
- Um
robô deve sempre obedecer aos humanos, a não ser
que suas ordens sejam conflitantes com a primeira lei.
- Um
robô deve se proteger e conservar, a não ser que
isso conflita com as duas outras leis.
O
grande problema de EU, ROBÔ é mesmo
o roteiro de Akiva Goldsman, responsável
pelo aborto cinematográfico de Batman & Robin,
e Jeff Vintar, que escreveu Final Fantasy.
Aliás, o roteiro original era apenas de Vintar e chamava-se
Hardwire. Depois de muito tempo em development hell,
foram feitas as adaptações para que ele se torna-se
EU, ROBÔ que, como dizem os créditos, é a série
de contos de Isaac Asimov de onde o filme foi sugerido.
Não é de todo ruim. Em certos momentos ele toca em
pontos interessantes como a individualidade, criatividade e emoções,
principalmente durante o interrogatório do robô Sonny.
Só que em todos os outros momentos do filme ele não
é inspirado. As piadas não funcionam, o personagem
de Shia LaBeouf aparece duas vezes e não
tem a menor função no filme, enfim... tudo feito de
forma desinteressada.
O
grande porém de ter Will Smith como protagonista em um filme
de ação é que, apesar de seu carisma inegável,
sempre transformam seus personagens em piadistas incorrigíveis.
Não sei se é uma opção dele ou dos estúdios
mas isso acaba dando ao filme um tom antagônico que estraga
a tensão (um dos grandes problemas de Inimigo do Estado,
por exemplo). Porque EU, ROBÔ ainda deveria ser um suspense
policial, mas quando se tem tantos elementos engraçadinhos,
você sabe que nada de realmente grave vai acontecer aos personagens.
Se acontece, aquilo se destaca tanto do resto que acaba ficando
deslocado.
Alex
Proyas andou afastado dos grandes estúdios desde
1998 quando lançou Cidade das Sombras, um filme
não exatamente bom mas que ganhou meu coração
pelo seu tema e realização inspirada. Nesse meio tempo,
fez Garage Days, ainda não lançado no Brasil,
sobre uma banda de rock tentando chegar ao estrelato. O Corvo
também não é lá essas coisas como todo
fã de quadrinhos, inclusive eu, gostaria de admitir. Mas
com EU, ROBÔ ele pelo menos teve a oportunidade de mostrar
aos estúdios que eles podem bancá-lo. O filme deve
faturar cerca de US$ 140 milhões de dólares nos EUA,
mais do que suficiente para cobrir seu orçamento. Infelizmente,
o diretor ainda não se comprometeu com outro projeto.
O
visual do filme é bem competente, um dos melhores trabalhos
do designer Patrick Tatopoulos que trabalhou com
Proyas em Cidade das Sombras. Com a direção
certa, ele se sai bem como em Seven e Stuart Little.
Com a direção errada, ele faz Godzilla, Underworld,
A Batalha de Riddick
e Alien versus Predador (que eu ainda não vi, claro,
mas pelos trailers nota-se que é um dos filmes mais feios
da atualidade). A fotografia de Simon Duggan, veterano
de Garage Days, também é eficiente e, felizmente,
muda na metade do filme. Enquanto no começo as cenas de ação
são recheadas de câmeras espasmáticas, enquanto
o filme evolui a fotografia acompanha, fazendo lances de câmeras
mais interessantes e sem tremeliques inúteis.
Mas
o filme tem seus momentos. As cenas de ação são
bem feitas, especialmente no final. Os motivos de Smith para seu
preconceito em relação aos robôs também
são concretos, com uma boa realização. EU,
ROBÔ é um filme divertido e nada mais. Cai em todas
as armadilhas do gênero mas pelo menos é um bom passatempo
para uma tarde chuvosa. Graças mesmo a Alex Proyas, que arrancou
água de pedra. |
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Direção:
Alex Proyas
Com:
Will Smith, Bridget Moynaham, James Cromwell, Bruce Greenwood, Chi
McBride, Shia LaBeouf, Alan Tudyk
Cotação:
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