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Escola
de Rock
(School of Rock, EUA, 2003)
Sim,
eu admito. Como uma grande parte dos adolescentes, eu tive a minha
fase rebelde. Não rebelde no sentido literal da palavra.
Eu nunca ofendi meus pais (não que eu me lembre, pelo menos),
nunca tomei um porre de ir parar no hospital ou experimentei qualquer
tipo de droga. Na verdade, meu primeiro copo de cerveja foi aos
25 anos e, claro, detestei. Meus amigos diziam que era questão
de eu me acostumar mas para mim isso nunca colou. Não, eu
quero algo que eu gosto de cara, não sabores adquiridos.
E nada é mais love it or hate it que o bom e velho
rock and roll.
Eu
me lembro com clareza. Meu amigo Barba (hoje vocalista da Helltrucker)
foi comigo à Urban Cave, a então melhor loja de CDs
da cidade. Lá se achava todos os CDs que não se achava
em lugar algum. Importados, americanos, japoneses, europeus, tudo
do bom e do melhor em tudo quanto é tipo de música.
E foi lá que ele pegou alguns trocados emprestado para comprar
Stomp 442, do Anthrax. E eu lá com meus Weezer,
Soul Asylum e Breeders debaixo do braço. Fui para casa e
liguei a TV. Quando o Fúria Metal ainda era apresentado
pelo Gastão, na MTV, surge o clip de Nothing, do
novo disco do Anthrax. Foi amor à primeira vista. Segue-se
o telefonema abaixo:
-
E aí, Barba? Gostou do CD?
- Gostei, Gelogurte. Muito massa.
- Sabe a grana que você me deve por ele?
- Sei.
- Pode ficar.
- Por que?
- Porque esse CD agora é meu! (Insira risada maligna aqui)
À
partir daí o meu gosto pelo rock alternativo se expandiu
para o rock pesado. Mas não essas bandinhas atuais que pintam
a cara porque acham que fica macabro. Não... o bom e velho
rock! O que deixava nossas mães achando que éramos
adoradores do demônio como Kiss, AC/DC, Ramones, Motorhead
e outros clássicos. Mais para frente veio o heavy metal:
Iron Maiden, Manowar, Helloween. Eu e meus amigos varávamos
noites numa mesa de bar (eu tomando minha Coca-Cola) sonhando com
o dia que seríamos famosos, que guitarrista era melhor, quem
era um vendido e outras coisas. Ver Drew Barrymore em As
Panteras: Detonando dizendo que andava de carro ouvindo
metal e quando a música entra ela está ouvindo Living
On a Prayer do Bon Jovi é praticamente um insulto.
Depois
eu finalmente fui descobrir o som de Seattle: Pearl Jam, Soundgarden,
Alide In Chains. Enfim, hoje meu gosto musical vai das mais melosas
cantoras aos mais pesados sons. Minha coleção de CDs,
que deve estar na casa dos 600, é uma mistureba sem fim.
Metade deles são trilhas sonoras variadas.

Voltemos
ao filme. A história é o seguinte: Dewey Finn (Jack
Black) é um guitarrista que acaba de ser chutado
de sua banda. Sem dinheiro, a namorada de seu colega de quarto Ned
(Mike White, também roteirista) quer que
Dewey saia do apartamento. Até que Dewey atende o telefonema
de uma escola particular querendo que Ned substitua uma professora.
Dewey finge ser Ned, vai dar aulas na tal escola e a confusão
começa. Tudo bem simples e previsível, claro, mas
muito divertido.
Eu
não sei se é essa minha paixão pela música
que me fez gostar de Escola do Rock. Talvez
tenha sido pelo gostinho de ver Jack Black voltar a ser Jack Black.
A última vez que eu vi isso foi Alta Fidelidade.
Depois disso ele fez umas comédias mais bobinhas onde ele
tentava ser ator ao invés de comediante. Não se engane,
Jack Black é comediante. O cara nasceu para isso. Quer dizer
que como ator ele não é grande coisa? Talvez. Eu não
vejo muita diferença entre ele e Jim Carrey, por exemplo.
Os dois sabem o que o público quer deles, e eles entregam
muito bem.
Outro
personagem que me fez gostar do filme foi Ned. O diálogo
que ele tem com Dewey na primeira cena dos dois juntos talvez seja
a melhor piada de todo filme. Pelo menos, para o meu gosto. Mas
o filme inteiro é diversão pura! Black está
em plena forma e seus estudantes são ótimos. Temos
a banda completa, além dos seguranças, roadies, iluminador,
empresária e até mesmo groupies!
A direção
é boa. O filme perde um pouquinho do ritmo no meio pois tudo
acontece meio rápido demais e o filme parece se estender
um pouco até o grande evento. Mas em hora nenhuma chega a
ser cansativo, pelo contrário. O espaço é muito
bem preenchido. Os ensaios dos alunos são divertidíssimos.
Esse talvez seja o trabalho mais comercial e leve de Richard
Linklater, que já havia se dado mal com os grandes
estúdios com Newton Boys: Irmãos Fora da Lei
(grande elenco, filme ruim). E é bem corajoso da parte dele
e do roteirista Mike White em incluir no grupo um menino efeminado
que quer ser o estilista da banda. Bem politicamente incorreto.
E que se dane! É uma comédia! As pessoas têm
que ser menos travadas.
Escola
do Rock é grande entretenimento. Estou indo comprar
a trilha sonora o mais rápido possível. Anthrax rooooocks! |
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Direção:
Richard Linklater
Com:
Jack Black, Mike White, Joan
Cusack, Sarah Silverman, Joey Gaydos Jr., Miranda Cosgrove, Kevin
Alexander Clark
Cotação:
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