Era Uma Vez no México
(Once Upon a Time in Mexico, EUA, 2003)




El Mariachi e A Balada do Pistoleiro são dois filmes baratos e despretensiosos que eu adoro. Infelizmente, de uns anos para cá, Robert Rodriguez parecia mais interessado em arrecadar dinheiro para sua produtora Troublemaker Studios do que continuar fazendo filmes mais pessoais como o divertidíssimo Um Drink no Inferno. Assim, lá foi ele fazer Prova Final (que eu adoro) e a série Pequenos Espiões (que eu curto mas não acho sensacional). Ao saber que finalmente veríamos o destino do nosso Mariachi favorito, eu não poderia ficar mais empolgado. Oh, Robert, como eu poderia estar mais enganado.

Robert Rodriguez parece ter se rendido à hipocrisia americana. Muito sangue, muita violência e nudez zero. Isso me chamou a atenção porque é um filme extremamente violento, mas quando mostra strippers dançando elas estão convenientemente de biquíni. Se o filme já recebeu classificação R (Restricted, o que no Brasil seria equivalente a "Maiores de 18 anos"), para quê se segurar?

Outros grandes problemas: roteiro e edição. Ao invés de optar por uma fórmula simples e linear como em seus outros filmes, aqui Rodriguez faz flashbacks o tempo todo. Além disso, ele enfia tantos personagens inúteis em uma trama relativamente simples que o espectador acaba ficando meio perdido. Os personagens são mostrados mas não se explica exatamente o porquê deles estarem ali. Alguns aparecem e até recebem certa atenção para ter uma conclusão truncada e pouco inspirada, mostrando que os personagens na verdade não têm função alguma que preste. É só dar uma olhada na lista de atores ao lado e ver como tantos nomes reconhecíveis podem prejudicar um filme.

A edição de Rodriguez, que antes era ágil e clara, aqui está precipitada e exagerada, bem ao estilo McG. Tentando passar velocidade à cena, ele peca ao cortar tudo rápido e demais. As cenas de ação que antes eram divertidas e até mesmo bonitas, caíram na mesmice dos diretores de videoclip atuais. Acho que nenhuma cena dos filmes de Rodriguez vai superar o tiroteio no bar em A Balada do Pistoleiro mas aqui ele teve boas oportunidades para tentar. Pena que falhou.

Rodriguez gosta de experimentar técnicas novas. Aqui, ele usa câmeras digitais que acabam causando distrações momentâneas pois elas se destacam. A cena simplesmente não se move e não tem a mesma qualidade visual a que estamos acostumados.

Algumas coisas ainda são divertidas. A volta de Cheech Marin e Danny Trejo, por exemplo, que interpretaram personagens diferentes em A Balada do Pistoleiro (e que morreram!) estão de volta. O público em geral pode nem perceber mas ambos os atores são quase marcas registradas nos filmes de Rodriguez. Eles também trabalharam juntos em Um Drink no Inferno e na série Pequenos Espiões. Claro, existem também uma ou duas cenas que são dignas do diretor, como Antonio Banderas e Salma Hayek fugindo acorrentados do hotel ou quando Banderas pula de uma moto para um carro, mas isso tudo está no trailer. As melhores cenas ficaram mesmo com Johnny Depp, que apesar de não ter nenhuma fala realmente marcante, ainda é o Senhor Carisma. As cenas finais do personagem e o seu destino são as melhores coisas do filme.

É legal finalmente poder assistir um filme de Robert Rodriguez mas parece que o diretor passou tempo demais em Hollywood e acabou perdendo a mão. E ele é o único culpado já que Era Uma Vez no México é "shot, chopped, scored, written and directed by Robert Rodriguez".

     

Direção:
Robert Rodriguez

Com:
Antonio Banderas, Salma Hayek, Johnny Depp, Mickey Rourke, Eva Mendes, Danny Trejo, Enrique Iglesias, Marco Leonardi, Cheech Marin, Rubén Blades, Willem Dafoe

Duração:
1h42min

Cotação: