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Embriagado
de Amor
(Punch-Drunk Love, EUA, 2002)
Por: Gelogurte
Eu
amo cinema. Amo! Lembro de ser pirralho e ir com o meu pai, aqui
em BH, assistir filmes vagabundos no velho Cine Royal (hoje Igreja
Universal). De ficar triste ao ver as filas quilométricas de Rambo
III e saber que eu ia ter que alugar uma cópia pirata no falido
Canal Vídeo, onde os filmes não eram "piratas" mas "alternativos".
Costumava assistir minhas fitas gravadas da Rede Globo de Curso
de Verão e Top Secret todos os dias, depois da escola.
Lembro de ter assistido Gremlins 2 três vezes seguidas quando
aluguei: uma sozinho, depois com meu irmão, depois com meu pai.
Lembro de ter ido sozinho ao cinema assistir O Silêncio dos Inocentes
e ter saído com arrepios (qualé, eu tinha 13 anos!). E ao ver Embriagado
de Amor eu me recordo por que amo cinema.
Mas
amo mais do que entendo. Se você quiser ler algo de quem realmente
entende, leia a resenha do Kas.
Ele é o Yoda aqui do site. Nosso próprio Senhor Myagui.
Quando
moleque, eu assistia filmes e queria ser o Rambo. Queria ser o Chain
Saw e que minha recuperação na escola fosse divertida como a dele.
Obviamente, não era. Queria cantar como Nick Rivers e enfrentar
nazistas! E ao ver Barry Egan (Adam Sandler) eu não preciso
querer ser como ele. Aliás, eu gostaria de não ser! Afinal, o cara
é um completo maluco! Mas eu sou. Em algum aspecto, todo mundo é
um pouco Barry Egan. Alguns, como eu, mais do que outros.
Todos
já nos sentimos sufocados uma vez ou outra. Seja pelos pais, amigos,
irmãos, namoradas (no meu caso, todos). Barry é assim. Ele não consegue
dizer o que pensa, não consegue fazer o que quer, não consegue conversar.
É tímido, fala baixo, é um completo mosca morta já que suas irmãs
estão sempre lhe dizendo o que fazer. Fazendo hora com a cara dele,
controlando a vida dele. Não por maldade! Mas por serem irmãs, por
ele ser o único homem numa casa com mais sete mulheres. Isso sem
contar a mãe dele, que não aparece no filme. Nem o pai. Pena! Seria
interessante ver qual a influência que eles tiveram no crescimento
de Barry. É impressionante como o diretor consegue passar uma naturalidade
familiar. Você não fica com raiva das irmãs de Barry porque fica
claro que elas são pessoas comuns, que não vêem o mal que fazem
ao rapaz.
Barry
Egan é uma bomba relógio. Uma hora ou outra ele vai explodir e é
melhor que você não esteja por perto. Sua frustração é liberada
de forma violenta e descontrolada, é assustador. Mas ao mesmo tempo,
reconhecível. Todos já nos fechamos em algum lugar querendo quebrar
tudo! Quando pensamos "por que eu não disse isso? Por que eu não
falei nada?", quando nos sentimos impotentes e a única coisa que
realmente nos impede de fazer algo somos nós mesmos. Por covardia.
Por medo. Por amor. Mas enquanto nós apenas sentimos vontade de
"soltar os cachorros", Barry faz. Quebra. Chora. Xinga. Sofre. Porque
ele faz isso sozinho e não resolve o problema.
Surge
Lena Leonard (Emily Watson). Surge a cor. Surge a música.
Aquela pessoa que nos faz pensar "mas o que ela viu nesse cara?".
E depois percebemos que nossos amores também viram algo na gente.
Algo que não percebemos. Algo que às vezes nem mesmo conhecemos.
Que não adianta tentarmos ser "o melhor namorado do mundo" e que
devemos ser simplesmente nós mesmos porque o melhor namorado do
mundo não existe.
Em
algum lugar aí no meio existe uma historinha que envolve uma garota
de tele-sexo, o seu patrão (o sempre ótimo Philip Seymour Hoffman)
e seus irmãos, mas é tão impagável que eu vou guardar para que você
a descubra, principalmente porque ela serve mais para sustentar
a história de Barry e Lena.
Adam
Sandler: ótimo. Emily Watson: ótima. Philip Seymour Hoffman: ótimo.
Luiz Guzman: ótimo. Não sei por que não estou dando a nota
máxima para o filme. Talvez por ele ser tão curtinho (95 minutos)
e eu poderia ficar vendo aquelas personagens por horas a fio.
Paul
Thomas Anderson é realmente genial. Não existe melhor definição
do que "gênio". E para arrematar, é casado com uma das minhas cantoras
preferidas, Fiona Apple.
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Direção:
Paul Thomas Anderson
Com:
Adam
Sandler, Emma Watson, Luiz Guzman, Philip Seymour Hoffman, Jason
Andrews, Don McManus, David Schrempf
Nota:
   
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