Dear Wendy
(Dinamarca/França/Inglaterra/ Alemanha, 2004)



DEAR WENDY é, no mínimo, enigmático. Não quer dizer que seja porém um filme de mistério.

O enigma do filme, uma colaboração entre dois egressos do Dogma 2005, o diretor Vinterberg (FESTA DE FAMÍLIA) e o roteirista Von Trier (OS IDIOTAS), se dá sobre qual realmente é a sua proposta. Qual exatamente seria a mensagem e o propósito do filme? Um libelo pacifista? Uma visão cínica de que, a verdadeira natureza humana, mesmo com as melhores intenções, leva à violência e à morte? Um manifesto anti-bélico? Tudo isso junto?

DEAR WENDY conta a história do jovem Dick (Jamie Bell, de BILLY ELLIOT), que vive em uma pobre cidadezinha de interior, Estherslope. A cidade é dividida entre aqueles que são mineiros, a polícia e o resto da população (vista como de menor valor em relação aos demais).

Dick, que é um dos "restos", é um rapaz tímido e retraído. Certo dia, compra uma arma, achando ser ela de brinquedo. Anos mais tarde, descobre, ser ela, na realidade, verdadeira. Junto com alguns amigos, todos "perdedores" como ele, montam um clube secreto, “Os Dândis”, baseado em princípios pacifistas e bélicos. Cada um dos membros, estabelece com suas próprias armas uma relação pessoal, humanizando esses objetos. E, dessa relação, a auto-confiança dos garotos aumenta a cada dia. Mas, para manter o clube, uma regra principal deve ser obedecida: nunca usar as armas a luz do dia, apenas em seu clube secreto, para que elas não "acordem" para sua verdadeira natureza: matar.

O filme tem excelentes sacadas. A mais notável é a composição da cidade dos Dândis como uma velha cidade do oeste americano, tanto em termos de cenário quanto em termos de relação entre seus habitantes. Não fossem os carros e algumas outras pequenas modernidades, o filme poderia ser muito bem enquadrado no gênero western. Tal sensação é reforçada pelas roupas utilizadas pelos Dândis nos encontros do grupo, e também por seus ideais românticos, que lembram um pouco o das personagens Butch Cassidy e Sundance Kid em filme homônimo estrelado por Newman e Redford.

Contudo, infelizmente, a sensação que se tem é que o filme ficou no meio do caminho. Seus idealizadores poderiam ter ousado mais, talvez enfatizando e explicitando esse lado western, ou mesmo aprofundando no drama das personagens, que ficam apenas restritas aos estereótipos mais comuns de "perdedores" que já cansamos de ver em filmes adolescentes americanos.

DEAR WENDY mostrou-se como uma promessa mal-cumprida, cuja história poderia ter gerado uma produção muito mais inventiva e interessante.

Vale como curiosidade, mesmo que seja apenas para reencontrar um Jamie Bell crescido e descobrir que, ao contrário de muitos atores infantis que se "perdem" com a passagem do tempo, ele ainda mantém seu talento.

     

Direção:
Thomas Vinterberg

Roteiro:
Lars Von Trier

Cotação: