Clube do Suicídio
(Jisatsu Saakuru, Japão, 2002)



Sexta à noite, primeiro filme da Mostra de Cinema Fantástico do Indie 2003. Sala cheia de adolescentes espinhentos, geeks autênticos, moderninhos pós-modernos, todos esperando ansiosamente por uma nova sensação do horror nipônico, após RINGU e sua versão americana O CHAMADO .

CLUBE DO SUICÍDIO não tem o mesmo pedigree dos títulos acima, mas se justifica ao usar os maneirismos dos filmes de horror adolescentes para fazer uma ou outra observação sobre assuntos mais "nobres", como consumismo e a falta de perspectiva da juventude contemporânea. Ainda traz um ponto em comum com RINGU: enquanto neste as mortes eram interligadas por um video, aqui a conexão (sem trocadilhos) é um site de internet.

Cinquenta e quatro jovens pulam certo dia na frente do metrô, num suicídio coletivo que desafia a polícia. As mortes porém vão se acumulando com outros suicídios acontecendo em escala progressiva, enquanto os tiras continuam sem nenhuma pista do que pode estar por trás desse surto coletivo.

A trama parte de uma situação cada vez mais comum no Japão, o suicídio utilizando o metrô, para daí tecer uma teoria sobre a origem deste mal social.

Claro que nada é tão simples e sério assim. As mortes são sanguinolentas e hilárias o bastante para fazer a festa da platéia sedenta de sangue e risos. Com exceção do Ryo Ishibashi (BROTHER), o ator que faz o detetive-chefe, todos os outros contribuem com péssimas atuações, o que só reforça o caráter tosco da direção de Shion Sono, que teve a idéia para o filme após o suicídio de um amigo. Sono, cuja experiência anterior se resume a dirigir videos pornôs gays, atira aqui em outra direção, com resultado irregular.

Mas nada distoa da proposta de fazer uma mistura de horror e humor negro com embasamento social. CLUBE DO SUICÍDIO acerta ao conseguir passar o estado de desorientação e choque tanto das vítimas quanto das pessoas que as cercam. Pode ser que a crítica não se aprofunde, mas nem por isso o filme deixa de perturbar e prender a atenção. O resultado é uma mescla nem sempre equilibrada das tramas rocambulescas de David Lynch com o horror surreal de O CHAMADO. Vale a conferida.

     

Direção:
Shion Sono

Com:
Ryo Ishibashi, Mai Hosho, Takashi Nomura, Rolly, Yoko Kamon, Kimiko Yo, Hideo Sako, Akaji Maro

Nota: