| |
|
Batman
Begins
(EUA, 2005)
Os
fãs de Tim Burton que me perdoem, mas finalmente temos um
filme com "O" Batman. BATMAN BEGINS é
um apanhado de acertos desde o começo ao final da película,
e pode ser considerado, até o presente momento, o filme definitivo
do Cavaleiro das Trevas.
Desde a escolha do elenco, as locações, o roteiro
bem amarrado, os efeitos especiais, não há praticamente
nada que possa depor contra este filme. Um alívio para os
fãs da personagem, mas também uma diversão
garantida pra quem não conhece praticamente nada do morcegão.
O
primeiro grande acerto diz respeito à escolha de Christian
Bale para o papel principal. Bale é o Batman e também
é Bruce Wayne. Ele personifica com perfeição
todos os aspectos múltiplos e complexos da personagem de
forma excepcional e extremamente convincente. Bale é o Bruce
Wayne sedento de vingança pela morte dos pais, é o
Bruce Wayne que sai pelo mundo em busca de conhecimento e com o
desejo de superar a si mesmo, é o empresário dono
das indústrias Wayne e também o Bruce Wayne que finge
ser um playboy farrista e desajuizado. Bale dá uma veracidade
sincera a cada uma dessas facetas do milionário, mas, ainda
mais importante que isso, Bale TAMBÉM consegue ser "O"
Batman, sua postura, voz e expressão corporal mudam completamente
quando ele encarna o vigilante mascarado, deixando nítida
a cisão entre Bruce e Batman. Duas pessoas diferentes que
habitam o mesmo homem. O próprio Batman de Bale possui nuances
múltiplas: ele é o herói que protege os inocentes
e ao mesmo tempo o justiceiro que aterroriza os criminosos.
Se
o acerto na escolha de Bale para o papel é um dos pontos
primordiais da excepcional qualidade do filme, o mesmo pode se dizer
do resto elenco, composto por atores competentes e talentosos. Desde
os protagonistas até aqueles que compõem personagens
mais secundários. Michael Caine como Alfred,
Morgan Freeman como Lucius Fox, Liam Neeson
como Henri Ducard, Cillian Murphy como Dr Crane,
Gary Oldman como o Tenente Gordon e até
mesmo Katie Holmes como Rachel Dawe (amiga de infância
de Bruce), cada um dele se encaixa como uma luva no papel que lhes
foi designado e garante a consistência de cada uma dessas
personagens.
Muito
dessa consistência se deve ao modo como as personagens e a
própria história foram escritos e bem amarrados, pois,
raros são os atores que, mesmo com todo o talento do mundo,
podem salvar uma personagem mal construída. O próprio
Freeman é um exemplo disto, basta assistirem a O
APANHADOR DE SONHOS para comprovar que nem um bom ator pode
salvar uma bomba cinematográfica.
Em
BATMAN BEGINS temos uma história muito bem
amarrada e personagens bem construídas e bem inseridas na
trama. Cada um deles tem uma razão de ser dentro da história.
Mesmo Rachel Dawe, o interesse romântico de Bruce, possui
um motivo sólido na história. Ela não é
apenas a namoradinha do herói, esse, aliás, é
um aspecto totalmente secundário, ainda que importante. Rachel,
que não existe nos quadrinhos e é muito levemente
inspirada na filha do Ceifador da HQ BATMAN ANO 2, é a assistente
da promotoria de Gotham, alguém que busca justiça
para a cidade, e também a responsável por fazer Bruce
questionar suas idéias sobre a morte dos pais e seu desejo
de vingança. Ou seja, ela não é apenas uma
bonitinha qualquer como Vicky Vale (Kim Basinger) ou Chase Meridian
(Nicole Kidman) foram nos filmes anteriores.
Outro
grande acerto do filme está na forma como conseguiram pegar
aspectos e fatos importantes da trajetória da personagem
nos quadrinhos (mais especificamente a partir da década de
70, com a reformulação de Dennis O´Neil) e inseri-los
na tela não apenas como mera curiosidade para os antigos
fãs, mas como aspectos relevantes na história. Temos
a origem propriamente dita deflagrada pela morte dos pais de Bruce,
o treinamento ao redor do mundo (com alguns aspectos diferentes
dos quadrinhos, mas bem mais interessantes em certos aspectos, como
a inclusão de um treinamento ninjitsu e um contato prévio
de Bruce com a Liga das Sombras comandada por Ra´s Al Ghul),
o Asilo Arkhan, as ruas sujas e violentas de Gotham em contraste
com os ricos prédios da elite da cidade, um Batmóvel
visivelmente inspirado em BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS, minissérie
antológica escrita por Frank Miller, e muito da trama (inclusive
a cena final no topo da delegacia da cidade) inspirado em BATMAN
ANO UM, também escrita por Miller.
Mas
o melhor de tudo foi o modo como conseguiram juntar os três
tipos diferentes e marcantes de vilões que o Batman costuma
combater em uma mesma história sem parecer algo forçado.
Muito pelo contrário. Temos o vilão fantasiado e “maluco”
encarnado na figura do Espantalho, o gangster representado pelo
chefão do crime de Gotham Carmine Falcone, e o líder
terrorista de uma organização internacional na figura
de Ra´s Al Ghul (aliás, meu vilão favorito em
toda a história do Homem-Morcego).
Em suma, toda a essência do que é "O" Batman
está presente em BATMAN BEGINS. É
também um filme em que, quem realmente importa, o Cavaleiro
das Trevas, é o foco principal, ao contrário dos filmes
anteriores.
Soma-se
a isso o equilíbrio praticamente perfeito dos momentos de
ação, humor, romance e drama no decorrer da história.
As cenas de ação empolgam, as de drama emocionam e
o humor sutil (quase britânico) garante algumas da melhores
tiradas do filme.
Enfim,
este verdadeiramente é o começo de Batman. Não
apenas o início da história de sua personagem, mas
o começo de uma franquia poderosa capaz de fazer frente a
muitas das recentes adaptações de super-heróis
e também a vários outros filmes de ação.
E tudo isso só foi possível porque seus realizadores
tiveram a capacidade de fazer algo que, infelizmente, nem Tim Burton
e nem Joel Schumacher conseguiram, mostrar na tela a personagem
tal qual ela é, e não uma idéia de como ela
deveria ser.
O
respeito dos realizadores de BATMAN BEGINS ao Homem-Morcego,
e consequentemente aos fãs e aos espectadores, garantiram
não apenas uma das melhores adaptações dos
quadrinhos nos últimos tempos (o que é difícil
quando se compete com X-MEN, HULK e HOMEM-ARANHA), mas um dos melhores
filmes de ação dos últimos anos.
|
|
|
|

Direção:
Christopher Nolan
Com:
Christian Bale, Michael Caine,
Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, Cillian Murphy, Katie
Holmes, Tom Wilkinson, Linus Roache, Rutger Hauer, Ken Watanabe
Cotação:
  
|
|
|